Justiça Divina

José Argemiro da Silveira

de Ribeirão Preto, SP

“A cada um será dado segundo as suas obras” - Jesus (Mateus, cap. 17, v. 27)

Lei de Causa e Efeito é a lei divina pela qual a cada ato do ser, corresponde um efeito, um estado, uma obra. No plano físico, a terceira lei de Newton estabelece que quando um elemento material interage com o outro, provocando nele uma força, sofre, automática e instantaneamente uma força contrária de mesma intensidade. No plano espiritual ocorre o mesmo fato. O Espírito tem a liberdade de ação. Pode agir corretamente, ou seja, de acordo com a Lei divina, produzindo, como resultado, o seu progresso e, conseqüentemente, felicidade, satisfação. E pode agir de maneira contrária à lei divina. Como resultado experimentará a frustração, o sofrimento, até compreender a lei de melhor modo.

No Livro dos Espíritos, questão 807, indaga: “Que pensar dos que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito?” Resposta: “São infelizes. Serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer”. E no evangelho de Mateus, cap. 5, vers. 25 e seguintes, recomenda Jesus: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho”. No capítulo X, item 6, de “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec considera que na prática do perdão e do bem em geral há, além de um efeito moral, também um efeito material. Porque quando perdoamos; e quando procuramos fazer o bem estamos realizando boas causas, lançando boa semente ao solo da vida que, por certo, beneficiarão o próprio semeador.

Os ensinos de Jesus são claros a esse respeito, e é tão lógica e digna do Criador essa lei que é difícil entender porque ela não é mais estudada e divulgada. Naturalmente a dificuldade de entendimento da referida lei está ligado à dificuldade que se tem em aceitar a imortalidade do Espírito, e o seu processo evolutivo ao longo do tempo. Sim, porque ao considerar a vida apenas no curto período que vai do berço ao túmulo, inúmeras causas, que produzem efeitos nesta existência, ocorreram em épocas anteriores, e, por outro lado, efeitos de causas da existência atual só vão aparecer no futuro, fora do período acima referido, dificultando a compreensão da lei. A má ação pode não dar frutos imediatos, assim como o leite derramado não azeda imediatamente. Enquanto a má ação não produz resultados, o perverso nela se satisfaz. Mas chegará o momento em que ela lhe trará frutos amargos. Por outro lado, a pessoa age corretamente com os outros, auxilia, procura fazer o bem, e o resultado não aparece, a curto e médio prazo. A pessoa às vezes desiste de praticar o bem porque desanima, não vê resultados. Entretanto, os estudiosos do assunto afirmam com segurança: “Nem no ar, nem nas profundezas do oceano, nem nas cavernas das montanhas, em nenhum outro lugar do mundo podemos nos abrigar do resultado do mal, ou do bem praticados”.

O aparecimento dos efeitos

O aparecimento dos efeitos de uma determinada ação pode ser:

a) a curto prazo, até de imediato, Ex.: Um acidente de veículo, ou outro acidente qualquer, por imprudência. Uma agressão verbal, ou física, e a conseqüente reação do ofendido, etc.;

b) a médio prazo (após a morte do corpo físico); e

c) a longo prazo (em outras existências)

Os fatos que ocorrem em nossas vidas têm causas e terão conseqüências. As condições em que vivemos neste momento são resultado do que fizemos no passado. Algumas das circunstâncias que nos rodeiam no presente são conseqüências do que fizemos há pouco tempo, e outras vêm de passado remoto. Ex.: A pessoa pode comer em excesso, alimentos prejudiciais à saúde, ou se entregar a vícios (fumo, alcoólicos, etc.) e as conseqüências só vão aparecer depois de algum tempo. Ou agir corretamente com os outros (auxiliando, desculpando, colaborando) e o resultado dessas voas ações só surgirão tempos depois. Quando o efeito aparece, de causa que ficou há muito no passado, a pessoa atribui ao destino, a castigos de Deus, ou à sorte. Os instrutores espirituais, (entre eles André Luiz) nos esclarecem que há ações de conseqüências tão graves, tão fortes, que o Espírito só vai poder suportá-la (a conseqüência) muito tempo depois, após várias existências, após ter evoluído, amadurecido, enfim reunido condições para resgatar o seu débito. Se a conseqüência de tais desatinos se dessem em menor espaço de tempo, o Espírito não teria forças para suportar.

Importante destacar que o objetivo da Lei não é punir, mas educar. Aprender o valor do bem às vezes passa por aprender o valor do mal, valor que não pode ser sentido, por vezes, a não ser que fira o próprio sujeito, que desmanche o próprio orgulho. Pode parecer punição, mas sempre encerra a sabedoria de Deus. O pior erro é congelar-se mentalmente naquilo que nos fez sofrer. Daí a necessidade de trabalhar pela auto-estima, limpar o íntimo de ressentimentos, de mágoas, de sentimentos contrários ao amor, à fraternidade. Se hoje está ruim, por causa de ontem, podemos mudar o amanhã através de nossas ações, no presente. O tema é importante e vasto. Os interessados em aprofundar o assunto devem ler o livro “Ação e Reação”, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

(Jornal Verdade e Luz Nº 193 Fevereiro de 2002)