Juventude, “Quo vadis”?

Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

“Quo vadis”? Traduzindo “Aonde vais”? Pergunta dirigida pelo apóstolo Pedro a Jesus Cristo que Lhe apareceu, no momento, em que Ele, Pedro, havendo fugido do cárcere, ia deixar Roma. Na fachada de uma Igrejinha antiquíssima da Vila Ápia, em Roma, consta a aludida inscrição: “Domine, quo Vadis”? Traduzindo: “Senhor, aonde vais”? Aludido episódio histórico, por certo, inspirou o Escritor Polonês HENRYK SIENKIEWICZ, (1842-1916), a escrever o famoso romance com o mesmo título. Valemo-nos do título, em epígrafe, e perguntamos, também: Juventude, aonde vais? E, se assim perguntamos, justamente, porque temos conhecimento de que os jovens, dos nossos dias, encontram-se numa encruzilhada delicadíssima. A proporção de jovens trabalhadores, estudiosos e sem vícios, infelizmente, é mínima. A grande maioria vai se perdendo nas vulgaridades. Vemos jovens que descambam pelos caminhos tortuosos das drogas, dos vícios e pelas vias sombrias da banal sexualidade. O pulso firme da educação antiga já perdeu o vigor; as rédeas da moral já caíram ao rés do chão e a juventude, sem freios, irreverente, vai levando tudo de roldão. Os jovens, de hoje, perderam o amor para o trabalho e para os estudos. Nada sabem, nem possuem uma profissão definida. Vivem nas costas dos pobres pais. Um jovem que tenha concluído o curso ginasial não sabe o presente do indicativo de um verbo de primeira conjugação, também não sabe redigir uma simples cartinha, solicitando um emprego. Encontramo-nos diante de uma juventude vazia, completamente vazia. Meus amigos, a crise da juventude é genérica. A crise da juventude se estende pelo nosso Brasil, bem como, se estende em outros Países. O Escritor Norte Americano CAREY WILLIAM, no livro, “REINCARNATION A NEW HORIZON”, assim se manifesta:

“Then was a time when the hope for a nation’s future resided in this youth with its optimism and ideals, its dreams for a better world. But today?”

“The crisis is demonstrated by the growing illiteracy and ignorance in the humanities, in science in general knowledge and ability to think and to express oneself. It reflets a profound alienation among young people”.

Em nosso idioma, traduzindo livremente:

“Houve um tempo quando a esperança para o futuro da nação residia na sua juventude, com  o seu otimismo e ideais, com os seus sonhos para um mundo melhor. Mas hoje? A crise é demonstrada pelo analfabetismo crescente e a ignorância do conhecimento das humanidades, da ciência em geral, e, pela falta de habilidade para expressar por si mesma. Isso reflete uma alienação profunda entre a juventude”.

Sintetizando: os jovens caíram no mais escuro calabouço da apatia. Os jovens estão sendo dominados pelos vícios, estão sendo corrompidos pelos programas imorais das malditas televisões, que nada edificam, mas que tudo contaminam.

Nestas circunstâncias, é preciso que a nossa sociedade tome providências urgentes. Sim, meus amigos, é preciso que se retome a força do pulso antigo. Pais e Mestres devem formar uma frente única para que possam salva a nossa juventude. Sim, o sistema antigo da educação mais severa precisa retomar o seu império. Três medidas urgentes são indispensáveis para a boa educação do jovem: energia, muita energia; disciplina, muita disciplina; o exemplo que deve vir de cima. Sim, se quisermos educar, primeiramente, temos que dar o Bom Exemplo. Em outras crônicas, já bati nesta mesma tecla e agora volto a repetir: A EDUCAÇÃO É A BASE DA EVOLUÇÃO MORAL E ESPIRITUAL DA CRIATURA. Para que possamos educar, temos que nos inspirar nos velhos métodos dos nossos Pais e dos nossos Avós. Eles souberam nos educar. Ao lado da formação intelectual, também, nos deram formação moral. Eles falavam uma só vez e a palavra deles tinha a força de um mandamento. Quando éramos crianças, sabíamos que uma ordem materna ou paterna tinha plena validade. Atrás da palavra, estava o Poder Coercitivo que nos fazia trabalhar e estudar com afinco. A velha “psicologia cabocla” estava dependurada na parede e como funcionava bem. Não éramos reprovados nos exames, enfrentávamos muito bem os vestibulares, sabíamos respeitar os Professores e as pessoas mais velhas. Se falhássemos nos estudos, as duras lides dos trabalhos estavam nos aguardando.

Meus amigos, a juventude, de hoje, encontra-se numa encruzilhada perigosa e da mesma se bifurcam duas avenidas: a primeira, ampla, onde imperam todos os males, mais fácil de ser palmilhada, saturada de vícios e de facilidades; é uma avenida mais convidativa, mas, que fatalmente irá se descambar num precipício de dores, de remorsos e de amarguras; a segunda, mais estreita, mais difícil, mais árdua, bordada de todas as virtudes, não tão fácil de ser palmilhada, iluminada pela Luz da Moral Cristã, trata-se da Avenida do Bem e que acaba por alcançar os altiplanos da Eterna Felicidade.

Vamos unir os nossos esforços, nós todos que lutamos pelo império do Bem, para levarmos nossos jovens a palmilhar esta segunda avenida. Se de trinta jovens, conseguirmos levar, pelo menos, dez a palmilhar esta Avenida do Bem, poderemos nos considerar vitoriosos.

É bom lembrarmos aos nossos governadores, Educadores, Autoridades Constituídas, Pais, Jornalistas e demais responsáveis, que educar a criança é semear a esperança. Lembremo-nos sempre da recomendação bíblica:

“When there is no vision, the people perish”.

(Sólomon, Book of Proverbs - 29:18)

(Jornal Verdade e Luz Nº 169 de Fevereiro de 2000)