O Espaço e o Tempo

Carlos Alberto Correa Fonseca

de Ribeirão Preto, SP

Não raro, nos envolvemos na expectativa gerada pela espera de um novo tempo, demarcado pelos valores transitórios. A ansiedade vazia que nos leva aos excessos, não contribui para iniciarmos ou revigorarmos nossos ideais de renovação espiritual.

O homem, impossibilitado de amar uns aos outros, como preceitua Jesus, institui o Dia da Confraternização Universal, que por sua vez, é um grande passo para conquistas maiores e melhores no campo do sentimento virtuoso. Confraternizar, significa unir com amizades íntima, é estreitar nossos relacionamentos com o próximo, e esse ato deve ser comum a todos, isto é, universalizado.

Ao refletirmos sobre algumas comunicações que trazem a assinatura: Galileu, publicadas no livro "A Gênese", um dos volumes do Pentateuco Kardequiano, capítulo VI, Uranografia Geral, item: "O Espaço e o Tempo", nosso conceito sobre as tradicionais festividades de fim de ano, alterar-se-ão profundamente.

O autor, esclarece a relação do Espaço e o Tempo com o infinito, dizendo que os mesmos não tem limites, e que, embora nossas faculdades sejam restritas, podemos representá-los pelo pensamento. Suponhamos, diz ele, que partindo da terra, localizada no meio do infinito, em direção a qualquer ponto do Universo, na velocidade prodigiosa da faísca elétrica, depois de percorrermos milhões de léguas, nos encontraremos num local onde a Terra aparece como uma pálida estrela e, continuando nosso percurso na mesma direção, chegaremos às estrelas longínquas, e já não distinguimos mais a terra, nem mesmo o sol. Milhares e milhares de mundos passaram sob nossos olhos e no entanto, diz ele, na realidade não avançamos um só passo pelo universo afora. Eis o que é espaço!

Do Tempo, também faremos uma idéia mais justa estabelecendo sua analogia com a eternidade.

Presumamos estar, antes da Terra balançar sob o divino impulso, pois o pêndulo dos séculos ainda não está em movimento. Porém, momentos depois, a Terra começa a mover-se no espaço, existindo manhã e tarde. Além Terra, a eternidade jaz impassível e imóvel, embora o Tempo caminhe também em outros mundos, incompatíveis, uma vez que cada um fora criado em épocas diferentes. Tantos mundos haja na vasta expansão, tantos tempos diversos haverão. Conclui seu pensamento, pedindo para amontoarmos milhares e milhares de séculos, formando um número colossal, esse número não representaria senão um ponto na eternidade.

Tempo e Espaço: eternidade sem restrições e imensidade sem limites. Tais duas grandes propriedades da natureza universal, afirma nosso irmão.

Como estamos trabalhando nossas esperanças para o futuro?

Presos a datas circunscritas ou nos entendendo como Espíritos Eternos, que nossas potencialidades "em ser ", podem e devem ser estimuladas hoje, amanhã, domingo, segunda, janeiro ou agosto?

O tempo não é senão uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias. A eternidade não é suscetível de nenhuma medida do ponto de vista de sua duração, para ela, não há começo nem fim, para ela, tudo é presente.

Se séculos e séculos são menos que um segundo em relação à eternidade, o que será então a duração da vida humana?

Aí está, uma valiosa contribuição do Espiritismo no processo regenerativo da humanidade, induzindo-nos a refletir sobre os valores espirituais acima dos temporais, conduzindo-nos através do esclarecimento, à compreensão do viver com serenidade, como vivera Jesus e, incorporando à nossa vida, o dizer do Mestre: "a cada dia, basta seu próprio mal". Não guardando rancores ou qualquer outro sentimento que não seja FRATERNAL.

E-mail do autor: fonseca@highnet.com.br

(Jornal Verdade e Luz Nº 180 de Janeiro de 2001)