O Jovem Espírita se sente mais responsável diante das transformações do mundo?

Daniel Carlos Pires

de Ribeirão Preto, SP

Eis uma questão a ser pensada e respondida por cada um de nós à nós mesmos; a juventude de hoje, é filha de uma juventude marcada por estilos, filosofias de vida, e ideais políticos fortes; ideologias que atravessaram décadas inteiras e que dificilmente serão esquecidas. E hoje?

– Hoje observamos uma diversidade conturbada de idéias e estilos de vida, o jovem não possui memória política, o próprio andamento diante da evolução do nosso planeta tem nos impulsionado a isso. As informações chegam cada vez em velocidade maior, a escolha por uma profissão e um planejamento familiar se tornam cada vez mais difíceis, e até raros.

No “Jogo da Vida”, o jovem aprende que o companheiro ao lado na escola, ao invés de seu companheiro e “amigo”, é um concorrente que pode tomar sua vaga em um Vestibular; o jovem aprende que se ele não for o melhor em sua profissão, outro irá ocupar seu lugar por um salário menor; os meios de comunicação avançados fazem com que os contatos pessoais se tornem cada vez mais “mecânicos”; a formação e definição de uma personalidade no indivíduo se torna cada vez mais difícil, estamos vivendo uma época de opções muito variadas; as músicas que hoje tocam nas rádios, daqui à algumas semanas nunca mais irão tocar, e você nem se quer irá lembrar delas, com a moda acontece a mesma coisa, e isso pode ser estendido ao que vem acontecendo em vários outros âmbitos, como por exemplo a escolha de uma profissão onde o jovem tem que adequar suas vocações às necessidades do Mercado de Trabalho. Só que a cada dia que passa essa necessidade muda; o mundo gira constantemente; os valores se desfazem, a ciência avança parecendo não ter limites. E nós “Jovens Espíritas” como estamos?

Claro que esta pergunta não se estende apenas aos jovens, mas sim a toda a família que carece de bases sólidas para caminhar em harmonia.

Será que estamos buscando realmente viver em harmonia com o próximo?

É certo que nós como todos os outros humanos temos obrigação de acompanhar o desenvolvimento do nosso planeta nessa fase de transição! Mas isso não significa que tenhamos de ser iguais aos outros; se tivermos que competir para sobreviver, que possamos competir com dignidade e justiça, se tivermos de fazer uma escolha importante, que possamos escolher o que é melhor para nós, mas que pode ser melhor para as pessoas à nossa volta também; se tivermos que nos embalar em ritmos novos, que possamos escolher o que há de melhor e não o mais promiscuo.

Enfim, devemos buscar no aprendizado espírita, em suas bases, em Kardec, toda a sabedoria dos Espíritos Superiores e aplicarmos seus ensinamentos em nossa vida cotidiana, sempre procurando levar Jesus como exemplo de Vida e Moral.

E nunca esquecer que o mais coerente na vida é filtrar tudo o que nos chega, e explorar o que há de melhor em nós mesmos, e nunca deixar tudo isso guardado em uma gaveta, mas sim aplicar isso no nosso dia a dia, e em nossas vidas.

(Jornal Verdade e Luz Nº 188 de Setembro de 2001)