O Livro da Natureza e o Espírito Imortal

Matheus Artioli Firmino

de Ribeirão Preto, SP

Se reconstruíssemos a história da evolução dos seres vivos, notaríamos capital diferença entre a óptica material, corporal, orgânica e a óptica espiritual. Como em qualquer interpretação, não podemos perder de vista que a vida material de qualquer espécie, será sempre reflexo incompleto dos desígnios traçados pelas Leis Naturais ao princípio de inteligência imortal. (1)

Ao contrário do que muitos divulgam, a História Natural material não se constitui numa Escala. Na Terra não se observam as espécies se derivando uma das outras numa seqüência simples e única. “Variados elos da evolução fogem à pesquisa de naturalistas”, ensina André Luiz (2). Além disso, as pistas arqueológicas levam à construção de uma Árvore Evolutiva [1, (questão 44), 3], em que uma espécie gera duas geneticamente diferentes e as características distinguem-se mais e mais no transcurso dos tempos, onde cada um dos “galhos” evolutivos pode gerar outras tantas ramificações, de acordo com as imposições naturais. Esse fato é muito mais lucrativo para a Natureza do que seria com uma cadeia linear. Conhecendo, porém, a Inteligência Suprema por trás das Leis Naturais, a grandeza de Cristo na Terra, e os esforços incansáveis de seus prepostos (1, 4), percebemos os rumos da evolução orgânica sempre delicadamente calculados para uma finalidade útil. É que os Espíritos colaboradores do Mestre gerenciam os fenômenos naturais e, por conseqüência, a formação das novas espécies. Através de mecanismos geológicos e metereológicos, uma mesma espécie divide-se em dois grupos, Isoladas, uma população pode até continuar como estava mas a outra sofrerá diferenciações. Inicialmente agentes mutagênicos, isto é, fatores químicos e físicos que alteram genes e cromossomos, tão conhecidos hoje em dia, são impostos aos grupos; aparecem indivíduos com faculdades distintas, que se transmitem nas leis da reprodução, convivendo com os antigos pais. O passo final é criar uma condição ambiental tal que somente os novos, com seus instintos adequados, sobreviverão. Dessa forma, uma nova espécie se multiplica no teatro da vida orgânica, substituindo a antiga naquela região. (1, q. 44)

Tudo se encaixa quando acrescentamos a idéia de um Princípio Espiritual imortal que se encontra em constante progressão habitando temporariamente essas múltiplas formas de existência. A Natureza deixa de ser mera espectadora ansiosa aguardando ver se a próxima espécie formada ao acaso vingará ou não. Ao contrário, os ministros de Jesus organizam os corpos na Terra para a transmigração desse Princípio Espiritual, carinhosamente recebido pelo ambiente terrestre. Num primeiro momento, desenvolve os instintos, que, na realidade, constituem-se como manifestação direta da Providência e Previdência de Deus através da matéria corporal (1, 5), socorrendo o ser ainda com a inteligência rudimentar, bruta, falha, insegura que apenas lhe possibilita sobrevivência frente aos desafios do ambiente. Assegurada a sobrevida pela ação instintiva, vivencia agora numerosas situações incansavelmente, repetititvas para que se dê a assimilação das experiências que carregará para sempre em seu arcabouço mental. Posteriormente, são ensaiados desenvolvimentos de raciocínios mesmo abstratos, adquirindo valiosos condicionamentos cognitivos, como se observa nos animais domesticados (1, q. 593). Depois de ter aproveitado o máximo que a condição orgânica daquele momento pôde oferecer, esgotando todas as possibilidades ofertadas, o Princípio Inteligente passa para outra espécie apropriada, sempre conduzido pelos mensageiros do Cristo. Essa nova habitação não precisa ser, necessariamente, a formação materialmente seguinte, originada da antiga. É provável que a nova etapa se cumpra num outro ramo evolutivo ou até em outro globo, se isso se fizer mister.

Assim compreende-se que a escala real ocorre nas Esferas Espirituais, pois o retrocesso é inadmissível, e “a Natureza é sempre o livro divino, onde as mãos de Deus escrevem a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem, evolvendo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos” (4)

Distantes desse início, representamos o aproveitamento feito, o trabalho desenvolvido.

Como agora, no campo da razão, administramos esse acervo? Que ideal buscamos como Espíritos imortais? Como usamos os acontecimentos, o momento, para transformar essa existência em ponto de luz, no processo da Vida?

Bibliografia:

(Jornal Verdade e Luz Nº 191 de Dezembro de 2001)