O que são nossas paixões

Iracema Linhares Giorgini

de Ribeirão Preto, SP

“A paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento e esse exagero se torna mau quando tem por conseqüência algum mal”.

Por que isso acontece?

É uma reminiscência da natureza animal que ainda predomina no homem.

Agir sob o império e domínio de um estado passional é agir cega e descontroladamente o que conduz a tormentos inimagináveis, escravizando, dilacerando os sentimentos mais nobres,

Nesse aspecto veremos:

Vivem enfim, em função do objeto da sua paixão, sofrendo horrivelmente, caso perceba algum empecilho que atrapalhe, interfira nas buscas desenfreadas. É um estado mórbido, onde a satisfação, a plenitude, o estar bem nunca é alcançado.

Paixão não se satisfaz - quer, exige, necessita - usa de todos os meios e nunca se plenifica, se sente alimentada.

Desejos sensuais, gozos de sensações exaltados, posse, poder, prestígio constituem-se de modo geral como as mais comuns, que prendendo o ser, ata-o aos aspectos materiais da vida.

No momento atual apresenta como o grande desafio, inimigo mesmo desse homem que se embrutece, nada se permitindo ver, perceber, além do círculo fechado em que a sua paixão o retém.

E no entanto, que paradoxo! O princípio da paixão é natural, necessário, uma vez que usado na sua real função e objetivo, conduz o homem, a humanidade a grandes realizações. Incentiva, dá colorido, luz, vibração, estímulo para prosseguir.

Funcionam aí como alavancas que decuplicam as forças desse homem que cumpre assim, nesse crescer, os desígnios da Providência.

Nesse aspecto, necessário despertar também aí para dirigi-las pela razão, na vontade disciplinada, nos objetivos elevados. Transformar-se-á então em força motriz que colore a vida em elevação e beleza.

Nos dois casos é ela comparada a cavalo que marcha por estrada ladeada por barrancos e precipícios.

O animal trotará bem, se contido pelo freio, guiado pelas rédeas de cavaleiro firme e experiente, percebe-se dirigido. Se porém, não achar essa condição, como os freios nos dentes, desabalará em corrida, deixará a estrada e, sem dúvida, sobrevirá o desastre, a fuga dos objetivos, cansada pela incapacidade de direção e governo daquele que monta.

Se as coerências da razão não indicarem limites, objetivos justos, maiores, ideais, crescimento, superação, teremos o Homem fraco, que dominado perde os próprios limites, na indignidade das ações que passa a realizar e viver, prejudicando tantos quantos com quem convive. agregando em si, os desequilíbrios que semeia.

Bibliografia:

(Jornal Verdade e Luz Nº 192 Janeiro de 2002)