Presença da Mulher

Orson Peter Carrara

de Mineiros do Tietê, SP

Recente leitura do livro RESSURREIÇÃO E VIDA (Yvonne A. Pereira, por Tolstoi, ed. FEB - pág. 101 - 10.ª edição), colocou-me aos olhos belíssima página referente à decisiva influência da mulher na vida de um homem.

O autor espiritual foi muito feliz em seu texto, que transcrevo parcialmente ao leitor:

"(…) Uma mulher faz falta, e falta desesperadora, na existência de um homem. (…) Seja ela a mãe, a irmã, a esposa, a amante ou a simples criada, há horas na vida de um homem em que a mulher é tão necessária ao seu trato que ele se desorienta e amarga tristeza lhe penetra o coração, desanimando-o, se não a vê servindo-o nas suas mil necessidades cotidianas. Quando contamos apenas vinte ou trinta anos de idade e vivemos ainda ao lado de nossa mãe e irmãs, amparados por seus múltiplos desvelos, não sabemos dar à mulher o seu devido valor. Quando possuímos um lar e temos a esposa como esteio das nossas fraquezas, lenitivo das nossas preocupações e companhia fiel do nosso repouso, também não saberemos reconhecer o tesouro que sua presença representa na existência, onde lutas diárias se multiplicam ao nosso redor.

Possuídos do tradicional egoísmo, que torna o homem feroz, acreditamos que assim mesmo é que deve ser, que merecemos tudo isso porque temos direito a tudo, e que elas, as mulheres não cumprem senão um restrito dever, qualquer que seja a sua condição no lar, aturando as nossas impertinências e ingratidões e nos adorando humildemente (…), não obstante o mau trato que recebe. Sondai, porém, o coração do homem que, por qualquer circunstância, vive só, desacompanhado dessa vigilância enternecida e passiva que sua mãe, sua esposa ou sua amante lhe concedem. Indagai dos sentimentos de um homem enfermo, que não encontra ao seu redor a mão suave e branca que lhe ajeite as cobertas no inverno, que lhe sirva e adoce o chá, como se o fizesse a uma criança, ou lhe alise os cabelos com ternura, tentando adormecê-lo. E, então, compreendereis que ele se sentirá o maior dos desgraçados, embora não o confesse jamais, porque o homem é orgulhoso sempre e não confessa que necessita do auxílio da mulher para sentir feliz."

A idéia de trazer o presente texto, adaptado em artigo, surgiu em virtude de comentário (emocionando-se com a citação) que companheira espírita fez sobre homenagem que prestei à querida esposa em meu primeiro livro CAUSA E CASA ESPÍRITAS, citando-a como companheira de todas as horas, verdadeiro anjo em meu caminho. Ocorre que esta realidade nem sempre é percebida pelos homens, inclusive pelos espíritas. Por extensão da família no lar, observe-se a dedicação e serviços prestados pela mulher no Centro Espírita. A maioria dos trabalhadores e freqüentadores dos Centros Espíritas são mulheres ! E trabalham, juntam-se aos homens para manter as Casas e suas atividades em dinâmica constante de estudo, divulgação e assistência aos necessitados, trazendo com sua ternura o verdadeiro sentido da fraternidade que os homens tanta dificuldade encontram para viver.

Presença marcante, a da mulher, que maridos e dirigentes espíritas precisam considerar e respeitar …

(Jornal Verdade e Luz Nº 167 Dezembro de 1999)