Questões de bom senso e razão

Agostinho Andreoletti

de São Paulo, SP

Há, entre os espíritas que atuam nas casas espíritas, no movimento de unificação e nas federações, bem como entre os dirigentes e expositores, o hábito de escreverem artigos para boletins, jornais, revistas, como hoje está na moda. Criamos coragem de até escrever livros e achamos que é um direito que todos nós temos. Por que não? Se o que escrevemos ou falamos estiver assentado nas bases das obras da codificação, ótimo! Não podemos é falar em nome do Espiritismo colocando nossos pontos de vista pessoais e nem os “ranços” de outras religiões, provenientes de nossas heranças e/ou experiências.

Hoje, é muito comum oradores espíritas com formação acadêmica, sem um estudo metódico das obras básicas da codificação. Deveriam centralizar suas conquistas em virtudes, combatendo o orgulho e o egoísmo pois, como nos diz no “O Livro dos Espíritos”, na questão 23, “é o espírito o princípio inteligente do Universo”. Mais adiante na questão 26, pergunta “Podemos conceber o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito? Sim. Pode-se, fora de dúvida, pelo pensamento”.

Ora, amigos, somos nós, os espíritos, que pensamos e agimos sobre a matéria e que temos o bom senso e a razão, ao despojarmo-nos da matéria, carregaremos conosco as virtudes que conquistamos. Assim também é com as impurezas como o orgulho e o egoísmo, pois, se estas qualidades estivessem nos órgãos, como o cérebro e o coração, havendo um transplante desses, obviamente o doador transferiria as suas conquistas e seus defeitos para o receptor e, desencarnando, as conquistas ou imperfeições ficariam no túmulo ou virariam cinzas no crematório. Nossas qualidades e deficiências pertencem ao nosso espírito, e não ao corpo. Pense nisso!

(Jornal Verdade e Luz Nº 192 Janeiro de 2002)