Trabalho e Repouso

Leda de Almeida Rezende Ebner

de Ribeirão Preto, SP

Conta-se que um carteiro passando diante de uma casa, em uma cidade pequena, viu o professor aguando seu jardim e disse-lhe:

— Trabalhando, professor?

— Não, estou descansando.

Mais tarde, ao retornar, viu o professor sentando no jardim, lendo um livro.

— Descansando, professor?

— Não, estou trabalhando.

Este exemplo nos mostra conceitos diferentes de trabalho e repouso, evidenciando, todavia, a similitude de ambos.

Trabalho é toda e qualquer atividade física, material, intelectual e espiritual. É uma necessidade individual, social, econômica e moral que leva o homem a desenvolver-se e a desenvolver a sociedade em direção ao aperfeiçoamento.

Somos Espíritos imortais vivendo, provisoriamente, em corpos materiais.

O corpo se cansa das atividades e precisa de repouso. O Espírito está em contínua atividade, não interrompida nem mesmo durante o sono, quando, então, goza de maior liberdade, podendo ir aonde quiser e fazer o que quiser.

Como entender o repouso?

Segundo o dicionário, repouso é "ausência, cessação de trabalho, de movimento, sossego, tranqüilidade, paz, descanso."

Herculano Pires, no livro "Curso Dinâmico de Espiritismo", cap. XVII, item 2, escreveu: "(...) repouso é uma forma de diversificação do trabalho para recuperações e reajustes nos organismos materiais e nas estruturas psicomentais do homem."

Então, repouso não é ausência de trabalho, de movimento, nem sinônimo de sossego, tranqüilidade, de paz e nem ociosidade, pois, mesmo no descanso, na falta de trabalho, na preguiça, na vadiagem, o Espírito continua em atividade, pensando, elaborando idéias, exercendo atividades espirituais, de acordo com seus ideais, sua maneira de ser.

O repouso, entendido como mudança de atividade e não ociosidade, se constitui, como o trabalho, num meio de elevação, de crescimento; além de renovar as energias do corpo físico, oferece condições para o alimento do Espírito que sente, pensa e age.

O repouso é ou deveria ser tão útil quanto o trabalho para que seus frutos resultem em benefício do homem e da sociedade.

Assim, o repouso, como necessidade após o trabalho, deve constituir-se de atividades agradáveis, prazerosas, e úteis, porque sendo uma lei natural, é também lei moral, visto referir-se ao homem, à sua vivência, ao seu relacionamento com Deus, consigo próprio e com seus semelhantes e com os outros seres da criação.

Somente assim entendido, ele concorre para o bem-estar do homem, para o seu desenvolvimento intelectual e moral, direcionando-o para o bem, para o belo, para o prazer sadio, para o útil, concorrendo também no organismo coletivo e funções sociais diversas.

Concluindo, na valorização do trabalho e do repouso como atividades úteis, o homem encontra a verdadeira paz, a verdadeira tranqüilidade.

(Jornal Verdade e Luz Nº 165 Outubro de 1999)