O fenômeno da morte
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
O que acontece com o nosso Espírito quando morremos?
Continuamos com nossa individualidade, isto é, teremos os mesmos
conhecimentos, qualidades e defeitos que tivemos em vida. A morte não nos livra
das imperfeições. Seguiremos pensando da mesma forma. Nosso Espírito será
atraído vibratoriamente para regiões astrais com que se afiniza moralmente. Se
formos excessivamente apegados à vida material, ficaremos presos ao mundo
terreno, acreditando que ainda estamos fazendo parte dele. Essa situação
perdurará por certo tempo, até que ocorra naturalmente um descondicionamento
psíquico. A partir desse ponto, o Espírito será conduzido às colônias
espirituais, onde receberá instrução para mais tarde retornar à carne.
Todos os Espíritos podem se comunicar logo após sua morte?
Sim, pelo menos teoricamente, todos os Espíritos podem se comunicar após a
morte do corpo físico. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que o Espírito
sofre uma espécie de perturbação (que nada tem ver com desequilíbrio) que pode
demorar de horas até anos, dependendo do tipo de vida que tenha tido na Terra e
do gênero de sua morte. Os Espíritos que são desprendidos da matéria desde a
vida terrena, tomam consciência de que estão fazendo parte da vida espírita bem
cedo, porém aqueles que viveram preocupados apenas com seu lado material
permanecem no estado de ignorância por longo tempo. Dado o pouco adiantamento
espiritual dos habitantes do planeta, pode-se concluir que as mensagens
mediúnicas creditadas a pessoas famosas que desencarnam precocemente, não
merecem credibilidade.
O que acontece com os recém-nascidos que logo morrem? E por que isto
acontece?
O Espírito de criança morta em tenra idade recomeça outra existência
normalmente. O desencarne de recém-nascidos, freqüentemente, trata-se de prova
para os pais, pois o Espírito não tem consciência do que ocorre. A maioria
dessas mortes, entretanto, é por conta da imperfeição da matéria.
Se uma criança desencarna de acidente na idade de 11 anos, ela é socorrida
pelos Espíritos na mesma hora?
Os desencarnes súbitos, de uma forma geral, são muito traumáticos para o
Espírito. Allan Kardec diz que no processo de desencarne, todos sofrem uma
espécie de "perturbação espiritual", que pode variar de algumas horas a anos,
dependendo da evolução de cada um. Nos desencarnes convencionais geralmente os
Espíritos permanecem sem consciência do que lhe aconteceu por um certo tempo e,
se têm merecimento, são recolhidos às colônias socorristas existentes próximas
da crosta terrena. Ali são devidamente atendidos. Nos casos de desencarne de
crianças, suspeita-se que sejam atendidas de imediato pela Espiritualidade, em
função de estarem num estado psíquico especial, próprio da infância. Não estando
de posse de todas as suas faculdades, não seria lógico admitir que ficassem em
estado de sofrimento por causa dos atos da vida. Claro, a responsabilidade
aumenta na medida em que a maturidade avança, criando condições para o Espírito
ficar em estado de sofrimento por um tempo mais longo, se for necessário. Não há
uma idade definida, que marque o início da fase adulta, assim como não há um
ponto definido que separe o dia da noite. Em determinado período se confundem,
mas acabam se definindo a seguir. De uma maneira geral, pode-se concluir que
todos os Espíritos que desencarnam em fase infantil são imediatamente atendidos
pela Espiritualidade.
Porque pessoas jovens, boas, desencarnam prematuramente, enquanto há
pessoas más que vivem por muitos anos?
Se olharmos as coisas dentro da ótica materialista, certamente não
encontraremos resposta para esta delicada questão. Se, no entanto, partirmos do
princípio que somos seres imortais e que estamos em uma escalada evolutiva em
direção à perfeição, compreenderemos com facilidade que a vida terrena é apenas
parte desse processo. A verdadeira vida é a espiritual e quando encarnados
cumpre-se as etapas necessárias ao aprimoramento do Espírito imortal. As
diferenças existentes entre as pessoas são as várias etapas em que o Espírito se
encontra em termos de evolução. O viver muitos anos, portanto, é muito relativo.
A vida terrena é a escola que a criatura precisa para se aprimorar e o tempo que
deve demorar aqui depende de sua necessidade. Os Espíritos bons, geralmente
necessitam mesmo de menos tempo.
Uma criança, quando desencarna, seu Espírito terá a mesma idade que ela
tinha, quando era encarnada?
Sim, dependendo no entanto de sua maturidade espiritual. O Espírito, quando
desencarna, permanece com os mesmos condicionamentos mentais que tinha na Terra,
até que se conscientize de sua real situação. Permanecerá em estado de criança
ou de adolescente, por um determinado tempo, dependendo de sua evolução, ou
seja, de seu grau de entendimento, até que adquira plena consciência de sua
condição e de suas necessidades. Isso, geralmente acontece com Espíritos que
ainda estão em situação de pouca evolução espiritual. Por isso, nas colônias
socorristas próximas à crosta terrestre, encontram-se Espíritos em condição de
crianças e adolescentes. Deve-se saber, entretanto, que esta situação perdura
apenas por um determinado período.
Quando uma pessoa morre de morte acidental, por exemplo por afogamento, e
ainda é muito jovem (18 anos) como fica o seu Espírito?
Todas as pessoas, ao desencarnarem, passam por um período mais ou menos
longo de perturbação espiritual, podendo durar de algumas horas a anos,
dependendo de seu grau evolutivo. Quando o Espírito é muito jovem, e certamente
experimenta uma vida de muita atividade, pode permanecer sem entender sua
situação por um tempo, como pode ser logo socorrido pelos Espíritos amigos que
trabalham nessa área. Isso vai depender do seu merecimento. Se permanecer
revoltado por ter retornado cedo, criará para si um ambiente vibratório ruim,
que o levará a experimentar grandes dores morais nas zonas de sofrimento.
Os Espíritos ao desencarnarem conservariam intacta suas auras externas ?
Seriam ainda emanações de seu perispírito?
Aura é um termo utilizado no meio espírita, originada do esoterismo, e se
refere à atmosfera fluídica criada em torno da pessoa pelas emanações
energéticas do seu corpo espiritual. Allan Kardec não deu atenção a isso na
Codificação, por se tratar de assunto de pouca importância para a compreensão da
ciência dos fluidos. A "aura" nada mais é do que um efeito, causado pela
irradiação íntima do Espírito. Não, a "aura" não é uma emanação do perispírito
que, por si mesmo, nada é, a não ser uma massa fluídica estruturada pelo
Espírito com sua projeção interior, para se manifestar no mundo exterior.
Quando desencarnamos, sendo levados para as colônias socorristas, teria
como nossos entes queridos ficarem sabendo em qual delas nos encontramos?
Se forem entes desencarnados, isso dependerá da afinidade espiritual
existente entre o nosso Espírito e os deles. Também se deverá levar em conta a
condição evolutiva de cada um. Se são pessoas muito diferentes em moralidade,
certamente irão para lugares distintos. Os mais atrasados podem desconhecer onde
estão os mais adiantados. Os que nos precederam, dependendo de suas condições
espirituais, poderão nos amparar no momento do desencarne e, evidentemente,
saber para onde vamos.
Se a informação refere-se aos entes que ficaram no mundo material, eles poderão
saber as condições do Espírito desencarnado, ou o lugar onde se encontra,
evocando-o numa sessão prática de Espiritismo feita por grupos sérios.
O que acontece ao nosso anjo da guarda quando desencarnamos?
O anjo de guarda é um Espírito protetor de uma ordem elevada que Deus, por
sua imensa bondade, coloca ao nosso lado, para nos proteger, nos aconselhar e
nos sustentar nas lutas da vida. Cumprem uma missão que pode ser prazerosa para
uns e penosa para outros, quando seus protegidos não os ouvem seus conselhos.
Quando desencarnamos, ele também nos ampara e freqüentemente o reconhecemos,
pois, na verdade, o conhecemos antes de mergulhar na carne. Claro que tudo
depende da condição evolutiva da pessoa em questão. O anjo da guarda poderá
também nos guiar em outras experiências, por muitos e muitos tempos.
Todos os Espíritos sem exceção, mesmo os sofredores, podem conhecer a
intimidade dos nossos pensamentos?
Para os Espíritos nada há que seja escondido. O pensamento é a forma de
comunicação no plano invisível. Quando se emite um pensamento, ele impregna o
ambiente e logicamente os que estão na dimensão espiritual o captam com
facilidade. Quanto a conhecer na intimidade o que vai na alma de cada um,
depende do estado mais ou menos lúcido do desencarnado em questão e ainda de
suas condições morais. Como regra geral, pode-se afirmar que uma natureza má
simpatiza com uma natureza má que lhe conhece a intimidade. Assim também é com
os bons Espíritos. Os Espíritos sofredores podem estar passando por um período
de perturbação (mais ou menos longo, conforme o caso) e não se encontrarem em
condições de sondar a intimidade daqueles com quem tinham relações. Porém, não
deixam de sofrer as influências vibratórias das coisas boas ou ruins que forem
feitas por essas pessoas.
É possível, mesmo a pessoas menos esclarecidas, a comunicação com entes
desencarnados a que foram intimamente ligados na Terra, e dos quais sentem
muitas saudades?
Sim é possível, pois o intercâmbio entre os dois mundos é muito fácil e
comum. Mas deve-se ter muito cuidado com as comunicações ditas de parentes
desencarnados, pois como se sabe, embora a mediunidade seja um fator ligado à
potencialidade orgânica, o uso que se faz dela depende da moral do médium.
Muitas vezes não há como identificar se aquela comunicação é autêntica,
principalmente se é dada por médiuns sem preparo para a tarefa. Freqüentemente
ligam-se a esses, Espíritos enganadores que se comprazem em brincar com a dor
alheia, ou então que querem estimular o ego do médium, emprestando a este uma
importância que não tem.
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