Questões morais
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
O que é o pecado, segundo o Espiritismo?
Pecado é todo e qualquer ato que contrarie as leis de Deus (leis naturais).
Paulo de Tarso, na Bíblia, diz que sem Lei não existe pecado. Isso quer dizer
que à medida que o homem toma consciência da Lei de Deus, aumenta sua
responsabilidade em relação aos erros e igualmente o rigor em seu próprio
julgamento. É somente nessa transgressão que se resume o pecado.
Qual a definição, segundo o Espiritismo, de moral e de intelectualidade?
Moral é um conjunto de princípios que rege a vida dos indivíduos em uma
sociedade. São valores adquiridos pelos homens em suas inúmeras experiências
encarnatórias. A moral sadia é aquela que se fundamenta nos princípios da
doutrina de Jesus que é o modelo maior de virtude que já esteve no planeta.
Reconhece-se o adiantamento de um povo quando as leis que regem a sociedade são
justas e as pessoas vivem de forma equilibrada. A intelectualidade é o
crescimento do indivíduo dentro do conhecimento científico, no sentido mais
amplo que se pode dar a esse termo. É o saber conseguido pelo seu esforço
pessoal no campo das ciências humanas. O ser intelectualizado, teoricamente,
teria condições melhores de compreender os mecanismos das leis divinas
(naturais). Entretanto, no nível evolutivo em que se encontram os Espíritos
neste planeta, freqüentemente dá-se o contrário, pois julgam-se doutos e sábios
por si mesmos, nada atribuindo à sabedoria de Deus. Mas haverá um tempo em que
os homens inteligentes também serão sábios (no sentido da moralidade), fazendo
avançar mais rápido a humanidade.
Qual a finalidade da infância no homem?
A infância é um estado especial do Espírito encarnado. Nela, o indivíduo
ainda não possui o livre arbítrio totalmente disponível. É nesta fase que se
pode receber os ensinamentos dos pais, sem refutar. Na infância os sentidos do
Espírito estão mais sujeitos a modificações pelo aprendizado através da
instrução e principalmente do exemplo dos pais. Nos mundos mais evoluídos o
período da infância é menor, pois os seres que ali habitam são mais adiantados,
não necessitando de um período de infância muito extenso. Na adolescência o
Espírito readquire total liberdade de agir, o que comprova a existência de
crianças amáveis, que podem vir a ser adolescentes rebeldes ou vice-versa. Só
iremos saber que tipo de Espíritos são nossos filhos nessa segunda fase da vida.
O homem e a mulher são tratados igualmente perante às Leis Divinas?
Se assim não fosse não haveria justiça. Os Espíritos serão reconhecidos pelo
bem que fizeram, independentemente do sexo, raça ou condição social que tinham
quando encarnados. Reencarnar em ambos os sexos, serve apenas como experiência
para aprendizado do Espírito. Reencarnando como homem, podem aprender a usar a
razão com maior ênfase do que com o coração, desenvolver atividades que utilizem
maior força física etc. Como mulher poderá aprender a usar maior sensibilidade e
a abençoada maternidade. Não se segue daí que o homem não tenha sensibilidade ou
que a mulher não use a razão, claro. Se reencarnarmos nos dois sexos, teremos um
equilíbrio entre as duas forças e formas de aprendizado. A Doutrina Espírita
ensina que os homens e as mulheres são iguais perante Deus, e são dotados dos
mesmos direitos. No entanto, possuem funções específicas na situação
encarnatória em que se situam.
Por que existem tantas injustiças sociais na Terra?
Segundo Allan Kardec, através das instruções dos Espíritos Superiores, a
Terra é um planeta atrasado, de provas e expiações. Portanto, morada de
Espíritos imperfeitos que necessitam de ajustes decorrentes de sua própria
condição espiritual. Não se mandam pessoas sãs aos hospitais e a Terra é um
grande hospital, onde habitam criaturas enfermas da alma para sua depuração
através de suas experiências na matéria. As injustiças sociais são conseqüências
do egoísmo e orgulho do homem atrasado. Com a evolução social e moral da
humanidade, o homem aperfeiçoará suas leis e viverá numa sociedade mais justa e
fraterna.
Por que sentimos antipatias ou simpatias por algumas pessoas que nem
conhecemos?
Tudo se fundamenta na lei das afinidades fluídicas. Os pensamentos que
emitimos impregnam o ambiente onde estamos e atrai outros que pensam da mesma
forma, assim como funciona como força de repulsão para quem tem pensamentos
contrários. Nem sempre as antipatias gratuitas são resultados do passado, como
se costuma acreditar. Portanto somos atraídos para os que nos são simpáticos e
nos afastamos de quem não temos afinidades. Chegará um dia em que toda a
humanidade estará reunida em um único campo energético de amor e paz, e aí não
haverá mais sofrimentos, nem dores.
E quanto aos vícios, de cigarro, bebida ou drogas? Porque dizem que esse
vícios são morais? Não seriam vícios físicos?
Todos os vícios e virtudes são inerentes ao Espírito encarnado. É uma
incoerência afirmar que o vício do cigarro, por exemplo, é físico e nada tem a
ver com moral. Se assim fosse teríamos que admitir a supremacia do corpo sobre o
Espírito e não o contrário, como se dá de fato. A razão repudia tal afirmativa.
Os vícios são uma espécie de muleta psicológica das criaturas que nele vivem,
decorrentes de fraquezas em sua estrutura moral. Entregam-se ao vício por alguma
razão e é penoso para elas se desvencilharem dele. São pessoas que necessitam de
auxílio, se assim o quiserem. Além, é claro, de adquirir débitos com a lei de
Deus, por maltratarem seu corpo físico, santuário da evolução do Espírito. Os
vícios, quaisquer que sejam, devem ser combatidos e as pessoas que com eles se
envolvem, auxiliadas e estimuladas a se libertarem deles.
O que acontece quando uma pessoa comete o suicídio?
Os suicidas são criaturas em débito com a lei de Deus, assim como todos os
que a infringem de uma forma ou de outra. Claro que trata-se de grave delito e o
Espírito sofrerá as penas dessa infração. Sofrerá as conseqüências de seus atos,
que depende muito das circunstâncias que envolveram a situação em si. Cada caso
é um caso, pois trata-se de individualidades, e não se deve generalizar como se
todos os suicidas tivessem o mesmo destino, em termos da vida espiritual. As
experiências de um Espírito nesse campo pode ser completamente diferente de
outro. As leis de Deus são justas e sua justiça levará em conta os atenuantes e
agravantes de cada caso. Evidentemente que todos experimentam muito sofrimento
quando entendem a gravidade do ato que praticaram. Muitos permanecem presos a
regiões astrais onde estão outros irmãos com igualdade de pensamento, obedecendo
a lei das afinidades. O tempo que permanecem no sofrimento depende da
consciência e da condição evolutiva do Espírito.
Qual a opinião do Espiritismo sobre o divórcio?
A Doutrina Espírita nos incita à compreensão de nossas responsabilidades
como Espíritos imortais em experiências transitórias na carne, que servem para
nosso crescimento. Nos ensina, por exemplo, que estamos juntos com essa ou
aquela pessoa para acertar determinados débitos, auxiliando-nos mutuamente,
através da convivência baseado no amor e respeito mútuo. O casamento, portanto,
é um sério compromisso que deve ser cuidado com zelo, na tentativa de viabilizar
nessa experiência o que provavelmente não foi possível em experiências passadas.
A freqüência com que os casamentos são desfeitos atualmente é deveras
preocupante. São uniões frágeis por conta da imaturidade espiritual dos homens.
Entretanto, a Doutrina Espírita, embora encaminhe o homem para encontrar seu
equilíbrio dentro de seus lares, não condena o divórcio, pois entende que é uma
lei humana necessária, que trata de separar legalmente o que já estava separado
de fato. Mas, deve-se tentar por todos os meios preservar o casamento, por conta
do conhecimento das leis divinas que é trazida aos homens através do
Espiritismo.
Qual o papel dos pais perante os filhos?
Em o Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XIV, item 9, Santo Agostinho
deixa um verdadeiro tratado sobre as responsabilidades dos pais na educação dos
filhos. São eles os responsáveis pela condução dos filhos ao caminho reto. Deus
coloca em suas mãos a tarefa de fazer deles homens de bem, mas para isso é
necessário que os pais também sejam pessoas conscientes da grave
responsabilidade assumida. A educação verdadeira demanda exemplificação, pois
sem o exemplo a palavra é vã. Quando se recebe um Espírito no seio familiar ele
vem com defeitos e qualidades adquiridos ao longo de sua trajetória como
Espírito imortal. Diz Agostinho que é necessário aplicar-se em estudá-los a fim
de que se possa extirpar os males oriundos do egoísmo e do orgulho. Se isso não
for feito e esse filho vier a se perder moralmente por negligência dos pais,
eles serão responsabilidades pela grave falta perante Deus.
Podemos repreender uma pessoa? A crítica é falta de caridade?
Para respondermos esta questão, basta que olhemos para nossa vida privada.
Se em nosso círculo familiar alguém se encontra em conduta inadequada que possa
prejudicar-lhe ou prejudicar outros, o que fazemos? Deixamos a pessoa mergulhada
no erro para não feri-la com admoestação ou agimos conforme manda o bom-senso,
chamando carinhosamente sua atenção? Seria incompreensível se ficássemos
calados, pois aí estaríamos faltando com a caridade, nos omitindo
vergonhosamente. Assim mesmo devemos agir em nossa vida cotidiana, pois não
podemos ter dois pesos e duas medidas. Podemos sim repreender alguém, se
acharmos conveniente, e isso não configura falta de caridade. Mas para isso
temos que ter autoridade moral sobre a pessoa em falta, pois nada vale condenar
uma falta se ainda a praticamos. O Espírito São Luís, em O Evangelho segundo o
Espiritismo, no capítulo X, item 21, nos diz: "Conforme as circunstâncias,
desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um
homem caia do que muitos serem enganados e se tornarem suas vítimas".
que a Doutrina Espírita fala a respeito do homossexualismo? É um erro ou
um estado de espírito?
A homossexualidade é um desvio de comportamento do Espírito e como tal, deve
ser encarada. Às vezes, manifesta-se como uma prova (que alguns deixam-se
vencer) e em outras, como expiações tenazes. Todos os que vivem neste planeta
ainda atrasado, são portadores de imperfeições. A homossexualidade é uma delas.
O sentido da encarnação é justamente a luta para libertar-se de uma forma ou de
outra. Entretanto os problemas da sexualidade envolvem muitos aspectos por
tratar-se de área nevrálgica do comportamento humano. Como tornou-se problema
comum demais em nosso meio, por conta da liberdade de ação do ser, naturalmente
busca-se explicar o homossexualismo como algo normal, apenas como uma opção
sexual do homem. Daí a reação negativa quando alguém fala que a homossexualidade
não é simples opção e sim um desequilíbrio da sexualidade.
Se essa conduta fosse normal não traria tantas dores, decepções e sofrimentos
para os irmãos que vivem dessa forma. E o sofrimentos não são conseqüências
apenas do preconceito de que são alvo os homossexuais, mas advém principalmente
dos danos psíquicos ocasionados pelas relações conflituosas e em desequilíbrio,
salvo raras exceções.
Como é algo de difícil controle e geralmente são pessoas que sentem imenso
prazer na prática, é muito mais fácil aceitar o círculo de idéias de que é
normal, de que trata-se apenas de uma opção sexual, do que aquelas que o
endereçam ao reformulamento de conceitos e ao esforço em modificar-se.
Infelizmente, as idéias ditas "modernas" ganham força e os irmãos que
necessitariam de uma ajuda grande no sentido do amparo, do amor e da compreensão
do problema, são lançados na vida e estimulados a viver cada vez mais
intensamente os desvios da sexualidade, trazendo sem dúvida problemas cármicos
para futuras encarnações.
Como viver a homossexualidade em conformidade com a Doutrina Espírita? Se
a pessoa quer viver essa experiência, não estará exercitando o seu livre
arbítrio?
Sim, estará exercitando seu livre arbítrio, bem como quando ama ou odeia,
quando estuda ou permanece ignorante, quando trabalha ou prefere a inércia etc.
Todos somos imperfeitos e necessitamos de auxílio nos muitos aspectos da vida. O
homossexual também o é. Tem um problema e pode tentar resolvê-lo ou fazer de
conta que não o tem. Estará exercitando seu livre arbítrio da mesma forma. A
mitificação do problema só serve para exacerbá-lo ainda mais, colocando essas
pessoas como vítimas e não como criaturas que podem ser auxiliadas, se assim o
desejarem. Claro que, se sentem-se felizes e querem vivenciar suas experiências
de prazer carnal, deve-se respeitar isso. Porém, quem compreende os objetivos
essenciais da existência do Espírito imortal, jamais poderá afirmar que esse é
um comportamento normal ou que tal procedimento não trará conseqüências para a
vida futura do Espírito.
Jesus viveu entre adúlteros, cobradores de impostos e homens de má índole, não
como um deles, mas para tirá-los da vida de erros em que se locupletavam por
ignorância. Dizia "sede perfeitos" e não "continueis imperfeitos". No episódio
da mulher adúltera, após todos terem ido embora, disse: "vá e não peques mais".
Embora não tenha condenado a mulher, estimulou-a a deixar a vida de enganos.
Poderia ter dito para continuar com a mesma vida para não ferir a
suscetibilidade da mulher, "aceitando-a" entre os seus, mesmo com seus problemas
morais. Mas agiu conforme a lógica de sua doutrina.
No âmbito da Doutrina Espírita quais são as conseqüências para a sanidade
de quem tem responsabilidade direta pela desencarnação de outras pessoas?
Depende do caso. Tirar a vida de alguém é sempre uma infração à Lei de Deus.
Mas em todas as atitudes está sempre presente a intenção. E a intenção agrava ou
atenua a falta. Claro que envolve muitas nuanças que não podem ser avaliadas com
tanta simplicidade, mas quase sempre se o móvel da ação foi futilidades e
irresponsabilidades, a falta é muito maior sobretudo se o agente causal é dotado
de conhecimento dos princípios do Evangelho. A sanidade está na razão direta da
maturidade do Espírito. As conseqüências estão atreladas à lei de causa e efeito
que tomará providências para que futuramente o mal seja corrigido.
Além dos transtornos inerentes a desarmonia de consciência, haverá outras
afetações por influências de fatores externos, por exemplo: a possibilidade do
indivíduo passar a ser obsidiado por sua vítima?
Sim, isso é possível e por este motivo é aconselhável que se dê amparo
espiritual à pessoa que cometeu o delito, inclusive para que ela tenha a
consciência da necessidade em mudar de atitudes. Assim poderá dificultar a ação
do inimigo invisível, se porventura sua vítima resolver vingar-se. Jesus, em sua
sabedoria, instava o homem a "reconciliar-se sem demora com o inimigo, enquanto
com ele a caminho", entendendo todas as conseqüências do ódio e da mágoa de um
indivíduo a outro, tanto no campo da matéria, quanto no mundo espiritual.
O que uma pessoa que matou a outra pode fazer para diminuir a aflição de
sua consciência em virtude dessa atitude, absolutamente grave, porém inexorável
quanto a possibilidade de receber reparação direta, pois não há mais vida?
A aflição da consciência pelo ato já dá mostras de que o ser entrou no
processo de arrependimento, imprescindível para o restabelecimento do equilíbrio
da alma do devedor. No mais, é trabalhar pela sua melhoria moral, única maneira
de enfrentar as adversidades da qual foi artífice por conta da ignorância das
Leis Divinas. Não há outro caminho. E para isso necessita da ação moralizadora
do Evangelho de Jesus e o amparo caridoso dos entes queridos.
São válidas as iniciativas, daqueles que tem responsabilidade pela morte
física de uma outra pessa, dedicar orações à sua vítima e ao exercício de
reparações, trabalhando para que outras pessoas não tenham o curso de suas vidas
interrompidas por monstruosidades semelhantes as por ele práticas?
Todas as iniciativas para minimizar erros e amparar os que sofredores são
muito válidas. Nesse campo, as preces feitas com sinceridade de coração são
verdadeiros bálsamos a amparar a alma do desencarnado. Quanto ao mais, todas as
atitudes no campo do Bem e principalmente naquele em que se cometeu o delito,
são extremamente válida, para minimizarem efeitos, tendo em vida o futuro do
Espírito imortal.
O que os familiares podem fazer para ajudar a um filho que tem uma
responsabilidade tão grave e hedionda, por haver transgredido as Leis Divinas
tirando a vida de uma pessoa?
Sobretudo amar com benevolência e caridade, lembrando sempre que talvez
muitos dos que o estão amparando já palmilharam esses dolorosos caminhos da
ignorância. Em todas as situações de erros graves dessa natureza, os pais
deverão assistir sem reservas, estimulando sempre as mudanças internas do filho
amado, não se deixando dominar pelo desânimo e descrédito nas melhorias
espirituais daquela alma difícil. Em tudo a Sabedoria Divina está presente e
coloca-nos sempre onde é preciso estar.
O Aborto é crime perante Deus?
Toda ação que contrarie as leis naturais de Deus são consideradas infrações.
Neste caso o erro consiste em interromper o reencarne de um Espírito,
tirando-lhe, portanto, a oportunidade de crescimento. Segundo o Espírito de
Verdade, somente é permitido o aborto em caso de risco de vida para a mãe. As
histórias existentes de que os abortados transformam-se em tenazes obsessores de
quem o abortou deve ser observada com desconfiança, pois não é isso o que nos
instrui o Livro dos Espíritos. O exagero com que certos livros e mensagens
encaram o problema, tratando quem pratica o aborto como assassinos, traz graves
conseqüências para essas criaturas que se vêem atormentadas com a possibilidade
de sofrerem penas cruéis nesta ou em outras vidas. Não há erros irreparáveis. O
aborto é falta grave como qualquer uma outra que desrespeite a lei do amor ao
seu semelhante. Sua gravidade será diretamente proporcional ao grau de instrução
espiritual dos envolvidos e das circunstâncias que cercaram o fato.
O que acontecerá a uma mulher que provocou o aborto? E os médicos que
fizeram o aborto?
Como praticou um ato contrário às leis de Deus, ela irá sofrer em sua
consciência a dor moral pelo ato praticado. Como qualquer erro grave cometido
pelo Espírito, submeter-se-á a expiações necessárias ao seu reajuste diante da
vida imortal. O que acontecerá com ela vai depender de suas necessidades
evolutivas e da misericórdia do Alto. Tanto quem se submete ao ato, como o
médico que o pratica estão igualmente implicados na infração e não se pode
esquecer que a responsabilidade de quem sabe é sempre muito maior, pois, "a quem
muito foi dado, muito será pedido".
Interromper uma gestação, quando sabe-se que a criança nascerá sem
cérebro, é pecado?
Pecado, significa o ato de transgredir as leis naturais. A interrupção de
uma gestação é transgressão à Lei de Deus, em qualquer situação, salvo em casos
de risco de vida da mãe. No caso de fetos malformados, não se pode avaliar
espiritualmente qual a necessidade que tem as pessoas envolvidas de passarem por
esta prova. Certamente que tudo tem um fim útil e os mecanismos da vida são
ainda muito desconhecidos para nós, Espíritos que habitamos planetas de provas e
expiações. Os meios de reajuste do Espírito é determinado pela lei de causa e
efeito, sendo portanto, certas situações justas e necessárias ao reequilíbrio do
ser, mesmo que nos pareça incompreensível.
Por que o Espiritismo aceita que se interrompa a gravidez se essa oferecer
risco de vida à genitora? A vida desta teria mais valor que a do feto?
Não se trata de valor ou não, mas de coerência. Nos casos em que a vida da
mãe está em perigo e se tiver que fazer uma escolha é mais racional sacrificar a
vida do ser que ainda não nasceu e pode ter outra oportunidade do que aquele que
já está em sua experiência de vida terrena, com responsabilidades assumidas. Em
tudo deve prevalecer o bom senso.
O que o Grupo Espírita "Bezerra de Menezes" acha da atual legislação, no
que diz respeito à este tema (aborto)?
O Grupo Espírita Bezerra de Menezes é contra o aborto em qualquer
circunstância, exceto para os casos que a gestação coloque em risco a vida da
mãe. Porém, não trata o aborto como um crime hediondo, nem assassinato, como
fazem alguns autores de livros espíritas. Acredita que a gravidade de cada caso
será de acordo com as circunstâncias que os envolveram. Uma jovem, por exemplo,
poderá se submeter a um aborto pela pressão de familiares incompreensivos, de um
namorado ou noivo ignorante. Há casos em que maridos obrigam esposas a
cometê-los. Claro, ambos serão responsabilizados pelo ato insano, porém, Deus os
julgará conforme a intenção íntima de cada um. A gravidade da responsabilidade
pela realização do aborto é diretamente proporcional ao esclarecimento que os
envolvidos possuírem a respeito das Leis de Deus, segundo nos ensina o
Espiritismo.
É fato noticiado pelos jornais a gravidez de uma garota de 10 anos
violentada pelo vizinho. Seria acertada a opção do aborto no caso em questão?
O caso em questão é um tanto dramático e envolve fatores referentes à
situação moral da sociedade e necessidade de alguns Espíritos sofrerem resgates
de situações delituosas ocorridas no passado. O Espiritismo elucida até essas
graves questões morais, fazendo ver em tudo o cumprimento da Lei de Deus e de
sua justiça. Claro que ninguém veio à Terra para ser estuprado, mas as
contingências da vida e sua necessidade evolutiva, às vezes levam o indivíduo a
viver situações difíceis, que levarão à redenção de seu Espírito, embora pareça
ao homem algo incompreensível, por causa da sua estreita visão da vida. O aborto
só é justificado quando a gravidez põe em risco a vida da mãe, o que não é este
caso, segundo consulta feita a profissionais da área. Entretanto, se os pais da
gestante optaram por essa alternativa por julgarem estar evitando o que acham um
mal maior, estão exercendo o seu livre arbítrio, e mesmo que o caso tenha
atenuantes, devido a ignorância dos envolvidos no que diz respeito às leis
naturais, cada um receberá segundo suas responsabilidades na decisão de realizar
o ato. Quanto maior o esclarecimento, maior a cobrança. O que leva a concluir
que a pobre criança/gestante, na verdade, terá menor responsabilidade.
Um ser humano clonado teria Espírito?
Todo ser vivo é portador do princípio espiritual e o homem, que é a mais
alta expressão da Divindade, é Espírito imortal criado por Ele para manifestar
Seu poder no Universo. Portanto, se um dia for dado ao homem clonar homens
(coisa pouco provável), é claro o clonado teria Espírito. Entretanto seriam
individualidades diferentes.
Seria pecado o homem praticar a bissexualidade se lhe dá prazer e
não lhe prejudica o corpo, e lhe supre a carência?
A pergunta é um tanto complexa para se dar uma resposta objetiva, pois diz
respeito a um problema que envolve uma série de questões. Mas, diremos que se
olharmos apenas sob o ponto de vista da vida presente, talvez não tivesse
nenhuma conseqüência, a não ser os riscos de contaminação, caso não tenha
cuidado com parcerias (risco de doenças sexualmente transmissíveis).
Entretanto, somos seres espirituais também. Temos uma vida futura e uma grande
responsabilidade quando encarnamos. Existem as leis divinas (naturais) que são
inexoráveis, quer acreditemos ou não. E nelas está a lei e causa e efeito. Num
relacionamento bissexual não há compromissos com nada a não ser com os prazeres.
E não viemos ao mundo para viver apenas os prazeres, mas para buscar o
equilíbrio entre corpo e alma. Procuremos meditar sobre nossas vidas e
encontraremos as respostas dentro de nós mesmos. Todas as carências são doenças
da alma e se buscarmos resolvê-las com as coisas materiais ou com os prazeres da
carne, poderemos entrar em um caminho de grandes insatisfações pessoais. O
pecado está em se praticar o erro, quando já se tem condições de discernir a
verdade do engano. Estamos em época de luzes, de conhecimento. Não se pode mais
pretextar ignorância das coisas do Espírito imortal.
Não é um aborto a rejeição dos embriões congelados pela família? A
destruição deles também não constitui um aborto?
Não, isso não constitui aborto, a não ser quando é realizado depois da
implantação no útero, como vem fazendo a medicina moderna. O embrião congelado é
apenas um corpo, sem Espírito ainda.
De quem é a responsabilidade "espiritual" (perante Deus) desses tipos de
procedimentos que permitem descartar embriões como se fossem um lixo qualquer? E
mais, como ficam esses Espíritos que não chegam a reencarnar?
Como dissemos, esses embriões ainda não estão destinados a um Espírito e só
o serão quando vão ser submetidos ao implante no útero da mãe. A lei de Deus é
justa e jamais poderia confinar um Espírito em um embrião congelado esperando a
implantação. De todo modo, esses procedimentos são resultados do avanço do homem
e quando são feitos sem a ética cristã certamente têm conseqüências
desagradáveis para a humanidade. Mas o homem avança só até onde Deus permite.
Qual deve ser nossa atitude diante de trabalhadores e dirigentes que fumam
ou bebem?
Eis aí uma delicada questão. No Movimento Espírita, em todos estes anos, se
folgou tanto com o mal, que até um ditado hipócrita foi criado. Dizem que é
melhor a pessoa fumar ou beber sendo espírita do que não sê-lo. Os espíritas de
fachada se escondem atrás deste tipo de filosofia de botequim para justificar
seus vícios. Se for admitida uma mentalidade desta natureza, porque não se
aceita também o adultério, a separação entre casais, a desonestidade, assassínio
etc? E, por conseqüência, a religião de aparências. Todos somos portadores de
vícios e imperfeições morais. Nos diálogos que desenvolvemos na intimidade do
centro, este assunto deve ser discutido de forma sincera entre os trabalhadores.
Para quem é espírita, vencer o hábito de fumar ou o costume de beber é um coisa
relativamente fácil. Quem não tiver força moral para vencer isso, deve abster-se
do posto diretivo no núcleo de trabalhos e afastar-se das relações com o
invisível. Se não se pode com um cigarro, que se fará com a agressão de um
Espírito mau?
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