Os animais
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
Os animais tem alma? Existem animais no mundo espiritual?
Os animais possuem um princípio inteligente, diferente daquele que anima o
homem. Mas não pensam, nem possuem o livre arbítrio, apenas instinto. Quando
desencarnam, o princípio espiritual que o animou é reaproveitado em outro animal
que vai nascer, quase que imediatamente, não existindo, portanto, animais no
mundo espiritual, como comumente se lê em obras psicografadas.
Espíritos de animais, plantas e outras formas de vida, podem um dia chegar
a condição de Espíritos humanos? No caso da resposta ser negativa, não seria uma
forma de desigualdade Divina? Também gostaria de saber sobre os objetos
materiais. Nunca evoluirão?
Tudo se encadeia na natureza e Deus não seria injusto impondo uma condição
de inferioridade a determinadas formas espirituais. Os Espíritos superiores
ensinam que a Criação se fundamenta em três princípios: Deus, Espírito e
Matéria. A matéria é o meio onde o Espírito encontra condições para atingir a
perfeição através das muitas encarnações. Todos os seres vivos são constituídos
por um princípio espiritual que os animam. Este princípio espiritual um dia será
um ser inteligente, dotado de vida moral e destinado a atingir o estado de
angelitude. Quanto à matéria propriamente dita, ela também está sujeita ao
processo de evolução conforme nos ensina a ciência terrena. Basta ver a situação
física do planeta hoje e compará-lo ao que era há milhões de anos atrás. Mas é
preciso considerar que o elemento material é apenas o instrumento de progresso
do Espírito. Não se pode confundir nenhum desses princípios que são
absolutamente distintos.
Nos livros de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, como também os
livros da médium Ivone A. Pereira "Memórias de um Suicida", falam a respeito de
animais que ajudam no plano espiritual. Onde está na Codificação de Allan Kardec
o ponto ou resposta que diz não existirem animais no plano espiritual?
A resposta à sua pergunta está no Livro dos Médiuns, pergunta 283, sobre
Evocações de animais, onde o Espírito de Verdade afirma textualmente que "no
mundo dos Espíritos não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos
humanos". Questionado por Allan Kardec sobre o fato de certas pessoas terem
evocado animais e recebido respostas, ele responde: "Evoque um rochedo e ele
responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a falar sobre tudo."
Ainda encontrará precioso ensinamento sobre o assunto também no Livro dos
Médiuns, questão 236, onde Erasto discorre sobre a suposta mediunidade dos
animais e nos dá a clareza dos fatos. Busque também no Livro dos Espíritos,
questão 600, onde os Espíritos Superiores deixam claro que o princípio que dá
vida ao animal é utilizado quase que imediatamente para novas experiências na
matéria, não sendo Espírito errante e não se pondo, obviamente, em relação com
outras criaturas. Daí se conclui que as obras que divulgaram essas teorias estão
em patente contradição com a Doutrina codificada por Allan Kardec.
Se os animais quase não existem do outro lado, se não têm alma e sim um
princípio inteligente, se o princípio inteligente é reaproveitado em outro
animal, como eles evoluem? Como se individualizam? Não se reconhecem instintos
individuais?
Jamais se afirmou que o animal não tem alma. Se têm um princípio inteligente
tem algo mais que a matéria e isso é a alma ou o Espírito. O Espírito dos
animais são reaproveitados geralmente na mesma espécie, pois a natureza não dá
saltos. Só depois de muitas encarnações numa mesma espécie o Espírito que anima
o animal muda para uma outra espécie. São focos de inteligência já
individualizados, embora mantenham-se cativos de um Espírito grupo,
caracterizado pela própria espécie no mundo invisível. Os instintos fazem parte
da individualidade, portanto os animais são individualidades também. Em cada
espécie ele assimila determinadas características do futuro ser pensante.
Necessário entender, porém, que o Espírito não precisa passar por todas as
espécies existentes, para chegar à condição de ser humano.
Se o sofrimento com certas doenças significa às vezes problemas
relacionados com vidas passadas, porque então alguns animais passam pelos mesmos
problemas se eles não possuem Espírito?
Os animais possuem um princípio inteligente, portanto possuem Espírito,
porém, numa fase evolutiva anterior à do homem. Quando ficam doentes, não sofrem
no sentido em que normalmente se entende o sofrimento. No homem, o sofrimento
funciona como um depurador de suas imperfeições, estimulando seu desenvolvimento
moral. O animal não tem vida moral e por isso suas dores são apenas físicas.
Claro, todas essas impressões positivas e negativas fazem parte das experiências
que se acumulam para edificar o futuro ser pensante. Certamente não se está
afirmando que o animal (a espécie física) de hoje será o homem de amanhã. Não. O
Espírito que o anima, sim. Viaja nos caminhos da evolução em busca do reino dos
seres que pensam.
Se obras psicografadas como as de André Luiz, entram em contradição com as
obras de Allan Kardec, por exemplo, quanto à existência ou não de animais no
mundo espiritual, que segurança temos da validade dessas obras? Será que toda
essa literatura espírita sobre a vida no mundo espiritual (André Luiz, Luís
Sérgio e outros) é um logro? Não sabemos mais do que no século XIX?
Não afirmou-se que as obras desses autores é logro. Mas existem algumas
contradições com os ensinos dos Espíritos superiores. Por isso deve-se estudar e
estudar muito. É a única forma de sabermos distinguir a verdade da impostura. A
psicografia de Chico Xavier é de grande credibilidade, mas não incontestável,
pois ele não é perfeito. Não devemos acreditar cegamente no que os Espíritos
dizem sem um exame racional. É isso o que nos ensina Allan Kardec. Isso, no
entanto, não invalida sua obra nem de outros médiuns idôneos. A gente só precisa
saber o que é certo, para aproveitar o que é útil. Como diz Paulo de Tarso:
analisa tudo, retenha o que é bom. Os Espíritos que se aborrecem quando são
questionados são de natureza atrasada, segundo o ensinamento do Espírito de
Verdade. Se tivermos que rever algum ponto onde se tenha dado uma interpretação
errônea das idéias da Codificação o faremos sem o menor constrangimento, desde
que seja para o restabelecimento da verdade que emana dos ensinamentos dos
Espíritos superiores.
Nota: Veja a mensagem dos
Espíritos sobre o assunto, recebida no Grupo Espírita Bezerra de Menezes e
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec.
O sacrifício de animais para acabar com o sofrimento de uma doença
incurável ou para controle populacional é certo? Como o Espiritismo vê esta
questão?
O sacrifício de animais é visto com naturalidade pela Doutrina Espírita,
tendo em vista a natureza evolutiva do nosso planeta que abriga seres que ainda
necessitam sacrificar animais para satisfazer suas necessidades básicas de
nutrição, por exemplo. Tendo o sacrifício dos animais um fim útil, não sendo
para satisfazer desejos insanos (como, por exemplo, as brigas de galo, os clubes
de caça etc.), não pode se configurar em delito. Certamente que o julgamento da
necessidade ou não do ato deve ser baseado nas leis vigentes estabelecidas, caso
contrário o mundo entraria em colapso por desequilíbrio do ecossistema.
Como podemos considerar a eutanásia nos animais? Sendo atribuído aos
animais um princípio espiritual, que após a sua morte são utilizados quase que
imediatamente, e não uma alma propriamente dita. Seria permitida então a
eutanásia, em animais, em casos terminais?
A eutanásia nos animais não pode ser analisada da mesma forma como nos
homens. O sacrifício de animais é visto com naturalidade pela Doutrina Espírita,
tendo em vista a natureza evolutiva do nosso planeta que abriga seres que ainda
necessitam sacrificar animais para satisfazer suas necessidades básicas de
nutrição, por exemplo. Tendo o sacrifício dos animais um fim útil, não sendo
para satisfazer desejos insanos (como, por exemplo, as brigas de galo, os clubes
de caça etc.), não pode se configurar em delito. Certamente que o julgamento da
necessidade ou não do ato deve ser baseado nas leis vigentes estabelecidas, caso
contrário o mundo entraria em colapso por desequilíbrio do ecossistema. A
eutanásia segue o mesmo raciocínio, pois o sacrifício geralmente é para livrar o
animal de um grande sofrimento.
Quando ficam doentes, os animais não sofrem no sentido em que normalmente se
entende o sofrimento. No homem, o sofrimento funciona como um depurador de suas
imperfeições, estimulando seu desenvolvimento moral. O animal não tem vida moral
e por isso suas dores são apenas físicas. Claro, todas essas impressões
positivas e negativas fazem parte das experiências que se acumulam para edificar
o futuro ser pensante. Portanto, o sacrifício dos animais em fase terminal de
doença não constitui uma infração à lei. Mas se esse ato, trouxer dor e remorso
para quem o faz ou o autoriza, melhor não praticar e esperar a morte
naturalmente.
Após a morte dos animais a alma irá habitar que plano? A morada dos
Espíritos? Eles continuarão a ser os mesmos? A alma dos animais voltará ao todo?
Seu dono quando desencarnar poderá vê-lo?
A vida dos animais não tem a mesma relevância que a vida dos homens. Eles
não têm a compreensão das leis, portanto não estão sujeitos a ela com a mesma
intensidade e responsabilidade dos homens. Quando morrem vão para os planos
espirituais também, mas não para aprender, como fazem os homens, mas para uma
breve parada, digamos assim, aguardando que seu princípio espiritual seja quase
que imediatamente aproveitado em outros corpos de animais. O instinto de afeto
que desenvolvem com seus donos é explicado pelo amor que recebem deles (dos
donos) que faz com que neles se desenvolva um instinto, mas que não é um
sentimento desenvolvido como nos homens. Basta ver que quando se separam de seus
donos rapidamente esquecem seus "afetos" e se acostumam com outro. Se olharem
novamente os antigos donos poderão ser estimulados neurologicamente e lembrar da
antiga vida, mas isso nada tem a ver com laços verdadeiros de afeto existente
entre os homens. As pessoas que se ligam exageradamente a animais geralmente tem
grande dificuldade nas relações interpessoais. Os animais não se encontram na
vida espiritual com seus donos, principalmente porque não se demoram por lá. O
local onde estão é no plano espiritual mais próximo da Terra, nas colônias
transitórias. Nos planos superiores da vida não se vê animais.
Por que se verifica entre os animais domésticos, uma variada diferença de
sorte? Uns vivem na opulência e outros vagam pelas ruas em estado de miséria. Há
algum tipo de débito reencarnatório?
Os animais se encontram numa fase primitiva da evolução. Possuem rudimentos
da inteligência, mas não pensam. Como não possuem consciência de si mesmos, não
estão sujeitos ao processo expiatório. A situação de abandono em que vivem
alguns animais domésticos é reflexo da inferioridade moral das espécie humana.
Dentre outras coisas, seria mais justo que o homem cuidasse melhor deles. Se
observarmos os animais na natureza, longe dos lugares onde vivem os humanos,
veremos que todos são tratados por Deus da mesma forma. Cada um deles vive a
experiência orgânica de que necessita naquele estágio, tendo em vista caminharem
para um grau mais elevado na hierarquia do Espírito. Recomendamos o estudo das
questões 592 e 610 de O Livro dos Espíritos.
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