Obsessão - O Passe - A Doutrinação
José Herculano Pires
IV — Santos, diabos e clérigos
Nas manifestações mediúnicas da Era Apostólica, no chamado culto pneumático
dos apóstolos e seus discípulos, era freqüente a manifestação de espíritos
diabólicos, com pesadas injúrias a Jesus e a Deus, como contam os historiadores
do Cristianismo Primitivo. O Apóstolo Paulo trata desse culto na I Epístola aos
Coríntios, no tópico referente aos Dons Espirituais. O nome de culto pneumático
deriva da palavra grega pneu, que significa sopro, espírito. Nas sessões
espíritos atuais surgem as manifestações de Santos, Diabos e Padres geralmente
condenando as práticas espíritas. Os Doutrinadores precisam de habilidade para
distinguir os brincalhões e os mistificadores, das entidades ainda realmente
apegadas às funções religiosas que exerceram em sua vida terrena. Os supostos
santos usam uma linguagem melíflua, carregada de falsa bondade, com que
pretendem iludir os participantes ingênuos das sessões. O doutrinador precisa
lembrar-se que, se eles fossem realmente santos, não viriam combater as sessões
mediúnicas e os ensinos mediúnicos de Jesus. Não devem perder muito tempo com
eles. Basta mostrar-lhes que estão em mau caminho e que nada conseguirão com
suas manhas. Os Diabos aparecem sempre de maneira grotesca, procurando fazer
estardalhaço, ameaçando e roncando como bichos. Com paciência e calma, mas sem
lhes dar trelas, o doutrinador os afastará logo. Os espíritos de padres e
freiras, frades e outros clérigos são mais insistentes, querendo discutir sobre
interpretações evangélicas. O melhor que se pode fazer é convidá-los a orar a
Jesus. Embora manhosos, são espíritos necessitados de ajuda e esclarecimento.
Com sinceridade e amor são facilmente doutrináveis. Mais raras são as
manifestações de pastores protestantes e de rabinos judeus, mas também ocorrem.
Manifestam-se sempre demasiadamente apegados a letras dos textos bíblicos e
evangélicos. Inútil entrar em discussão com eles. Tratados com amor e
sinceridade acabam retirando-se e já entregues a antigos companheiros de
profissão, já esclarecidos, que geralmente os trouxeram a sessão mediúnica para
aproveitar as facilidades do ambiente. A doutrinação tem o duplo poder da
verdade e do amor, a que eles não podem resistir por muito tempo. Alguns
costumam voltar com insistência em várias sessões. Devem ser sempre recebidos
com espírito fraterno e com a intenção pura de auxiliá-los. Sabemos, que nos
planos inferiores da Espiritualidade, os espíritos encontram situações
favoráveis a continuidade de suas atividades terrenas. A natureza não dá saltos.
O espírito que deixou o corpo sente-se em seu corpo espiritual e em relação com
espíritos de sua mesma condição. Integram-se num meio adequado as suas idéias e
continuam a experiência terrena em condições muito semelhantes a da Terra. O
doutrinador precisa compreender bem esse problema, lendo e estudando as obras de
Kardec, onde os Espíritos Superiores colocaram esses problemas de maneira
bastante clara. Nossa função nas sessões é ajudar essas criaturas a se
libertarem do passado, integrando-se na realidade espiritual que não atingiram
na vida terrena, enleados nos enganos e nas ilusões de falsas doutrinas.
Outros tipos de manifestações, como as de espíritos de negros velhos e de
índios ligados a suas religiões primitivas, não raro perturbam os doutrinadores
sem experiência. Não são mistificadores, mas entidades que continuam apegadas a
forma física e a idéia que tiveram na Terra. Os mistificadores logo se revelam
como ensina Kardec, deixando aparecer a ponta da orelha por baixo do chapéu ou
da cabeleira. Não é justo nem cristão expulsá-los ou ofendê-los de qualquer
maneira. Paciência e amor são sempre os ingredientes de uma doutrinação
eficiente. Quando se mostram demasiados renitentes, perturbando os trabalhos o
melhor é chamar o médium a si mesmo, fazendo-o desligar-se do espírito
perturbador. Geralmente ele voltará em outras sessões, mas então já tocados pelo
efeito da doutrinação e desiludidos de sua pretensão de dominar o ambiente. O
episódio serve também para reforçar a confiança do médium em si mesmo,
demostrando-lhe que pode cortar por sua vontade as comunicações perturbadoras.
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