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Nossos Reais Inimigos

Sergito de Souza Cavalcanti

XVI

Seja sempre indulgente, releve, perdoe e esqueça todo o mal que lhe fizeram.

Evite julgar seu próximo. Talvez ele não tenha o entendimento e a compreensão que você já possui. Ao invés de julgá-lo, seja rigoroso no julgamento de seus próprios atos e deixe a Deus o encargo de julgar seu semelhante. Não se esqueça que tem necessidade da indulgência, porque também erra e não é perfeito.

A lei de Deus, que é de amor, nos impõe o dever de não só perdoar, mas, acima de tudo, de auxiliar nossos inimigos, através da oração, de pensamentos fraternos e de atos que nos ajudem a encontrar a felicidade. Retribuir o mal com o bem nos traz saúde, paz e felicidade. O pensamento malévolo cria uma corrente fluídica que nos impressiona penosamente e nos faz sofrer; o benévolo, ao contrário, nos envolve num agradável bem-estar.

Quando Jesus nos aconselhou a amar até mesmo aos inimigos, não quis dizer que devemos ter pelo inimigo a ternura que se tem para com um irmão ou amigo. Amar aos inimigos é não lhes guardar ódio ou rancor ou desejo de vingança. É orar por eles e estar sempre pronto à reconciliação.

Embora seja difícil, amar aos nossos inimigos, devemos nos esforçar para fazê-lo. Se estamos empenhados em nossa melhora, em nossa reforma íntima, temos que entender o inimigo, não como um malfeitor, pois através dele, estaremos testando paciência, resignação e capacidade de perdoar.

São os inimigos que nos chamam a atenção sobre a montanha de erros e dificuldades dos quais somos possuidores. Ao exaltarem nossas faltas, estão pois, sem que percebam, nos fazendo bem, pois dessa maneira estão propiciando nossa melhora. Ao invés de inimigos são benfeitores. O amor aos inimigos representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o orgulho e o egoísmo.

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