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José Petitinga

José Petitinga

 

Cabe a José Florentino de Sena, mais conhecido por José Petitinga, a glória
de fazer Espiritismo organizado no Estado da Bahia, tornando- se um dos
espíritas de maior projeção naquele Estado.

Consta que freqüentara e abandonara, em sua mocidade, por falta de recursos
econômicos, um curso acadêmico. Era, no entanto, um homem dotado de sólida
cultura geral, sendo notáveis suas lides jornalísticas, literárias e espíritas.
Na qualidade de poeta, jornalista, contabilista e lingüista, era sobejamente
estimado em sua época; como sertanista sabia recolher da Natureza virgem os
grandes ensinamentos da vida. Grande conhecedor da nossa flora medicinal, jamais
regateava a sua terapêutica de emergência a quantos dele se socorriam nas muitas
viagens que fazia ao longo do Rio São Francisco.

Era zeloso cultor do vernáculo, ao ponto de merecer de César Zoma —
político, latinista e orador baiano, a seguinte afirmação: “Não Bahia, em
conhecimentos de latim, eu, e de português, o Petitinga”.

Com 21 anos de idade leu “O Livro dos Espíritos”, e ulteriores estudos e
perquirições levaram- no a fundar, na cidade de Juazeiro, o “Grupo Espírita
Caridade”, onde foram recebidas, através do conceituado médium Floris de Campos
Neto, belas e incentivadoras mensagens da entidade espiritual que assinava “Ignotus”.

Indo, em 1912, para a cidade do Salvador, Petitinga reviveu em sua
residência, o “Grupo Espírita Caridade”, aí reunindo companheiros realmente
dedicados à Doutrina dos Espíritos e isentos do personalismo desagregador.
Convidado, logo após, a participar do “Centro Espírita Religião e Ciência”, que
passava por uma fase de declínio, ele tudo fez para restaurá-lo. Mesmo com os
poderes extraordinários que a Assembléia Geral lhe outorgou, tudo foi em vão.

Notando que a decadência daquela sociedade se devia em parte à falta de
unidade doutrinária, à ausência de uma direção geral, Petitinga pensou, então,
em fundar uma sociedade orientadora do movimento espírita no Estado, o que
conseguiu materializar no dia 25 de dezembro de 1915, quando, em histórica
reunião realizada na sede do “Grupo Espírita Fé, Esperança e Caridade”, instalou
a UNIÃO ESPÍRITA BAIANA, hoje transformada em Federação Espírita do Estado da
Bahia.

No início a União Espírita Baiana não tinha sede em lugar definido,
transferindo- se várias vezes de local, até que nasceu, cresceu e vingou a idéia
da aquisição de sede própria, tão necessária à tranqüilidade dos dirigentes
daquele movimento divulgador do Espiritismo. Em 4 de julho de 1920, a Diretoria
recebia plenos poderes para trabalhar naquela direção e, em 3 de outubro do
mesmo ano, foi solenemente inaugurada a sede própria situada no histórico
Terreiro de S. Francisco (hoje Praça Padre Anchieta n.o. 8), onde funciona até o
presente.

José Petitinga nasceu na fazenda denominada “Sítio da Pedra”, margem direita
do Rio Paraguaçu, termo de Monte Cruzeiro, Comarca de Amargosa, no Estado da
Bahia, e desencarnou na cidade de Salvador. Era filho de Manoel Antônio de Sena
e Maria Florentina de Sena.

Jornalista com brilhante atuação em diversas publicações da época, poeta
elogiado por Sílvio Romero, Múcio Teixeira, Teotônio Freire e outros literatos
de renome, orador fluente e ilustrado, José Petitinga se constituiu de direito e
de fato, o centro de convergência do movimento espírita naquele Estado, que teve
as primícias da propaganda doutrinária em nosso país. Sua figura, misto de
humildade e austeridade, tornou- se popular naquela velha capital, infundindo
respeito e consideração até aos próprios adversários da Doutrina Espírita.

São de sua autoria os livros de poesias “Harpejos Vespertinos”,
“Madressilvas” e “Tonadilhas”, obras essas que mereceram grandes elogios de
vários jornais importantes da época, inclusive do “Jornal do Comércio”, do Rio
de Janeiro. O nome Petitinga foi usado como pseudônimo, nos primeiros artigos
que escreveu, para fugir à censura paterna e de seus patrões, que não admitiam
que um rapazola se metesse em lutas políticas, desafiando com sua preclara
inteligência tradicionais políticos da época. Colaborou assiduamente em vários
jornais e publicações de Nazaré, Amargosa, Juazeiro, Salvador e outras cidades.

Em face da popularidade do pseudônimo, pelo qual passou a ser conhecido em
todo o mundo, resolveu adotá-lo como sobrenome, em substituição ao “Florentino
de Sena”, fazendo, para tanto, declaração pública através de Cartório.

José Petitinga, exemplo fiel de perseverança e trabalho, presidiu a União
Espírita Baiana até a data da sua desencarnação, dando tudo de si — material e
espiritualmente — para o engrandecimento daquela tradicional instituição e para
a difusão do Espiritismo naquele grande Estado brasileiro.

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