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Júlia Pêgo de Amorim

Júlia Pêgo de Amorim

 

Casou-se em 1899, com o Dr. Aurélio D’Amorim, oficial do Exército, e foram
residir no Alto da Boa Vista. Notando a ausência de Escolas naquela localidade,
D. Júlia empenhou-se junto à Prefeitura Municipal, para que ali se fundasse uma,
cedendo uma de suas salas para que funcionasse a primeira Escola do Alto da Boa
Vista, mais tarde substituída pela Escola “Menezes Vieira”, ainda hoje existente
no populoso bairro, da qual foi a primeira Diretora.

De família espírita, D. Júlia Pêgo de Amorim fez-se abnegada trabalhadora da
Doutrina. Sua tia D. Engrácia Ferreira, pioneira do alfabeto Braille para cegos,
desencarnou a 21 de abril de 1937. Menos de um mês depois, a 6 de maio,
comunicava-se através de Chico Xavier, dando uma mensagem dirigida a D. Júlia,
solicitando a continuação de sua obra. Onze dias depois, Chico recebe a segunda
mensagem, agora na própria grafia do braille, que foi publicada em “Reformador”
de junho de 1938; diz uma nota de rodapé da revista que o médium, por não
conhecer o alfabeto braille, levou duas horas para receber essa comunicação
psicográfica. Reproduzimos fotograficamente essa mensagem, que, em nosso
abecedário, é assim transcrita: “Minha boa Julinha, a Paz de Deus, nosso Pai,
seja em teu generoso coração, sempre tão cheio de fé. Trabalhemos pelos cegos,
minha filha, pensando que a cegueira do espírito é bem mais triste que a dos
olhos. Hei de ajudar-te com o favor de Deus. A tia – Engrácia.”

No dia 16 de novembro de 1938, transmite a 3ª mensagem, sugerindo que ela
transpusesse para o Braille determinado Dicionário de Português, obra que havia
deixada inacabada. D. Júlia atendendo a solicitação da querida amiga espiritual,
aprendeu sozinha o alfabeto Braille, copiando letra por letra; para
certificar-se, pediu a um cego que lesse o que havia escrito, cujo resultado
encheu-lhe de alegrias e a partir daí, transformou-se numa verdadeira
missionária do Braille.

Reuniu em sua casa várias senhoras interessadas nessa obra de altruísmo, na
prática do ensino Braille. Em 1939, iniciou a transcrição do Dicionário da
Língua Portuguesa, da autoria de Hildebrando Lima e Gustavo Barroso, cujo
trabalho durou cerca de quatro anos, dando ao todo 64 volumes. Em 1945, Chico
Xavier recebe a 5ª mensagem do Espírito Engrácia Ferreira, agradecendo a
sobrinha o atendimento e o valioso trabalho em prol dos cegos.
D. Júlia iniciou um curso gratuito do Braille no centro da cidade, visando maior
número de colaboradores. Transcreveu para esse alfabeto inúmeras obras espíritas
e não espíritas, entre as quais: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “Agenda
Cristã”, “Cartas do Evangelho”, “Voltei”, “Pequenas Mensagens” e muitos outros,
todos doados à Sociedade Pró-Livro Espírita em Braille” (SPLEB).

A sua desencarnação ocorreu no Rio de Janeiro, em 29 de novembro de 1974, aos
95 anos de idade, dos quais 37 dedicados à Doutrina Espírita e ao Braille.
Deixou exemplos dignificantes, de quanto vale entender o Evangelho de Jesus e
sua Doutrina, que enseja a fé raciocinada, capaz de separar a letra que mata, do
espírito que vivifica.

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