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Possuir e Não Ser Possuído

Possuir e Não Ser Possuído

Meu grupo de amigos se reuniu novamente, porém, quase todos traziam a mente
preocupada com os problemas do dia a dia. Um deles dizia:

– Não sei onde falhei. Procurei educar meu filho, quis fazer dele um
esportista, dei-lhe a melhor escola, mostrei-lhe as profissões mais rendosa e
ele faz de tudo para me aborrecer. Age contrariamente aos meus desejos.

Outro, com a fisionomia não menos carregada, dizia:

– Comprei muitas ações de uma empresa, e elas estão se desvalorizando a cada
dia.

Um terceiro reclamou:

– Meu bairro era tranqüilo. Agora mudou-se para lá alguns indivíduos
suspeitos e eu vou comprar fechaduras melhores e um sistema de alarme.

Um outro queixou-se dos seus empregados, dizendo que eles exigiam demais,
esquecidos que a empresa era dele.

Meu amigo idoso ouvia tudo sorrindo compreensivamente. Um dos presentes
perguntou o que ele achava de tudo aquilo, e ele citou Gibran Kalil Gibran,
dizendo: Dizei-me povo de Orphalese, o que tendes nesses domicílios? E o que
guardais atrás destas portas trancadas? Vós possuís a paz, o quieto impulso que
revela o vosso poder? Vos possuís a beleza que guia o coração para longe de
coisas talhadas em madeira e pedra para a montanha sagrada? Ou simplesmente
tendes conforto e a cobiça pelo conforto, esta coisa furtiva que entra na casa
como convidado, depois fica hóspede e mais tarde se torna dono?

Um dos amigos, disse:

– não entendi.

E o ancião completou citando Jesus: Marta, Marta, você corre atrás de muitas
coisas e uma só é necessária.

Continuamos olhando para ele, e ouvimos:

– Não sejam possuídos e sim possuidores. Não serão grades ou trancas,
autoridade, mando, posses, que os protegerão, mas o amor.

Saí dali pensando em reagir, sim, contra o mal, porém com amor no coração.