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A Arte de Falar na TV

A Arte de Falar na TV

Em termos gerais, autoridades e políticos não podem deixar de levar em
consideração suas aparições nos Telejornais – o poder desses programas obriga-os
a terem uma preocupação a mais, e constante, nas suas atitudes do dia-a-dia.

Em termos gerais, também, autoridades e políticos estão despreparados para
aproveitar o potencial de credibilidade que uma participação (entrevista
coletiva, fala, presença, etc.) em um Telejornal pode conferir.

Uma presença marcante dentro de uma espaço (matéria) nos Telejornais pode se
traduzir em pontos positivos, índices de aceitação e (porque não?) em mudança de
opinião do telespectador. Por outro lado, a presença evasiva e inconsistente
pode prejudicar mais do que a ausência no espaço dos Telejornais. É, como se
diz: “faca de dois gumes” e mais até, porque a Televisão trabalha como som e
imagem simultaneamente e, sem dúvida, faz deles o seu grande trunfo.

A câmera e o microfone despertam, quase sempre, uma certa insegurança no
entrevistado, na medida em que ele, entrevistado, terá o rosto e a voz gravados
na fita de vídeo que irá no ar. além disso, câmera e microfone revelam com uma
nitidez incomparável o desempenho do entrevistado e o desenvolvimento do
raciocínio no momento de explicar um fato ou tomar uma posição. Todos sabemos
que as pessoas, em geral, se preocupam com suas aparições em público, e isto
fica muito mais evidente no caso da Televisão.

Os nossos Telejornais têm por regra da espaço limitado às falas dos
entrevistados. Diz-se que, nos telejornais americanos se um entrevistado não
consegue dar seu recado em 15 segundos, ele vai ser, inevitavelmente, “cortado”
da matéria ou terá sua resposta “editada”, para ficar dentro do limite. Nos
nossos Telejornais, esses espaço é um pouco maior – entre 20 a 40 segundos. em
casos excepcionais pode ficar acima desse limite. de qualquer forma, uma fala
para TV requer uma duração ideal, onde o entrevistado deve esgotar o seu
assunto, com começo, meio e fim.

O que se nota, constantemente, é que nem sempre isso acontece e, na maioria
das vezes, o próprio entrevistado se esquece disso. Não é um detalhe: é um
fundamento básico para que a sua fala seja aceita e principalmente, assimilada
pelo telespectador. Com certeza, fazer-se entender deve ser o principal objetivo
de quem falar para a TV!

Falar na televisão – e se fazer entender – não é um bicho de sete cabeças.
Mas é, muitas vezes, cruel e fatal. A força, a emoção, o conteúdo, a hesitação,
o nervosismo, a verdade e a mentira se ampliam e repercutem de forma dinâmica e
excepcional.

Não existe uma fórmula mágica para se encontrar a forma de dizer o que se tem
para falar. O que existe – e pode ser relacionado – são algumas determinações de
como dizer, numa tentativa de readaptar os conceitos preconcebidos de cada um.
Assim, vejamos:

O que não é bom:

  • falar difícil, rebuscado (“moradores sob a égide dos traficantes”).
  • começar a entrevista com evasivas (hesitar).
  • não concluir o raciocínio.
  • falar sem definições.
  • usar termos técnicos (“meso e microdrenagem”).
  • usar termos específicos do meio de trabalho (“o crime tem sempre um
    móvel”).
  • ser redundante – repetir a mesma idéia de forma diferente.
  • falas longas, com muitos exemplos e “vírgulas”.
  • cometer erros gramaticais.
  • usar gírias e/ou palavras estrangeiras.
  • usar frases de efeito (chavões).
  • ser demagogo (tentar “enrolar” o telespectador).
  • ler algum papel-lembrete enquanto fala.
  • falar de forma irreverente.
  • falar de forma autoritária (“prendo e arrebento”).
  • abaixar o olhar enquanto fala.
  • deixar o olhar perdido.
  • “falar sem parar”, emendando frases e assuntos.
  • usar palavras de sentido duplo (“havia infiltrações na Polícia”).
  • inflamar-se, exagerar nos gestos e nas expressões do rosto.
  • perder-se em considerações – iniciais e finais – além do tema principal.

O que é bom:

  • usar palavras simples, readaptar o vocabulário.
  • usar a linguagem coloquial, de conversa.
  • falar com clareza e objetividade.
  • ser conciso e sintético.
  • usar a forma direta.
  • ser acessível.
  • concluir o pensamento.
  • aproveitar a entrevista para se tornar próximo do telespectador.
  • falar no que acredita para passar credibilidade e confiança.
  • ter conhecimento do que está falando.
  • falas curtas e abrangentes (esgotar o tema em pouco tempo).
  • olhar para a câmera (e não para o microfone) para a qual está falando –
    eventualmente olhar para o repórter. Se tiver mais do que uma câmera, procurar
    olhar um pouco para cada uma – pois cada uma representa um telespectador
    diferente.
  • falar todas as palavras com todas as letras (não comer palavras e
    principalmente final da frase).
  • terminar a fala e permanecer olhando para a câmera por alguns poucos
    segundos a mais.
  • usar termos preciso (exatos) para definir alguma coisa.
  • criar interesse no que está falando.
  • ser prudente (não falar além do que deve).
  • manter a postura.
  • justificar o ponto principal mas não se alongar em argumentações.
  • estar atento à pergunta do repórter.
  • se posicionar com clareza, quando tiver que fazê-lo.
  • usar comparações que possam ajudar a esclarecer (evitar confundir o
    telespectador).
  • transmitir informações consistentes.
  • criar empatia com o público.
  • ser contundente, quando necessário.
  • demonstrar com o olhar o que está sentindo.
  • falar com firmeza.
  • usar um tom de voz adequado (não falar para dentro, baixinho, como se
    estivesse resmungando).
  • procurar se sentir à vontade diante da câmera e do microfone.

Vale ressaltar que o hábito tornará o entrevistado mais familiarizado com a
Televisão. E, vale lembrar que tudo que vai ao ar na TV é efêmero, é esquecido
muito rapidamente por quem assiste – até por causa das próprias características
de imediatismo e contemporaneidade do veículo. Mas, a presença no espaço dos
Telejornais pode ter rendimento máximo quanto mais se assimilar os meios e os
métodos. A presença no espaço dos Telejornais pode ser infinita, enquanto
dure…

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