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A Educação em “O Livro dos Espíritos”

A Educação em “O Livro dos Espíritos”

Para tanto é preciso abordarmos o que se ensina ao Espírito reencarnado,
principalmente no período da infância, e essa abordagem, calcada ainda em várias
questões da obra básica, mostrará que o Espiritismo é doutrina construtivista do
ser.

5. O que se ensina ao educando

Como dissemos, a filosofia espírita da educação preocupa-se com o “como se
ensina e o que se ensina”, conforme a resposta dos Espíritos Superiores à
questão 966:

A criança compreende da mesma maneira que o adulto? Aliás, isso depende
também do que se tenha ensinado: é nesse ponto que há necessidade de uma
reforma.

A pergunta da espiritualidade tem sobejas razões: a criança – espírito
reencarnado – não compreende da mesma maneira do adulto, o que está provado
pelas pesquisas da epistemologia genética, da psicologia da educação, do
construtivismo.Não se trata de formulação filosófica, de especulação pedagógica,
mas de fato comprovado.

Lembremos que em 1857 não tínhamos as formulações psicológicas de Herbart,
nem a epistemologia de Jean Piaget, nem os estudos de Montessori, de Freinet e
outros, O Espiritismo já formulava uma questão que somente ficou clara para o
homem na segunda metade do século vinte.

E se a criança não compreende da mesma maneira que o adulto, o ensino que se
pratica na família e na escola deve ser modificado, pois é um ensino preso a
“achismos”, a “academicismos”, distante da realidade de vida da criança e ainda
recheado de fantasia.

Esses são os motivos de vermos gerações se sucederem carregando o estigma do
medo, do preconceito, do egoísmo, dos falsos valores, do materialismo.

Complementando o assunto, encontramos na questão 0974-A:

Se ensinais coisas que a razão rejeitará mais tarde, produzireis uma
impressão que não será durável nem saluta
r”

Através das produções cinematográficas, televisivas, games, histórias em
quadrinhos, literatura ficcional, mantemos um ensino completamente fora do
bom-senso, da lógica, misturando fantasias com criações bizarras, criando mundos
imaginários sem conotação com a realidade, fazendo com que os heróis usem as
mesmas armas dos bandidos, como se a paz pudesse ser conquistada através do uso
da violência. E também, nas escolas e na família, ensinamos catedraticamente,
sem o exercício do diálogo, do trabalho construtivo, teimando em utilizar
exercícios prontos, fórmulas fechadas e discursos repetitivos.

Com o domínio de si mesmo, a criança, agora adolescente ou jovem, tenderá a
rejeitar, talvez carregando frustrações, esse ensino equivocado.

O ensino deve transmitir a verdade da alma imortal, as razões da fé em Deus;
trabalhar os valores morais e incentivar a conquista de virtudes. Deve voltar-se
à formação do homem de bem com o homem no mundo, discutindo sua vida social, a
questão das relações, a finalidade da existência. Deve trabalhar a
sensibilização dos sentimentos; encorajar o educando à auto-educação e,
finalmente, ensinar as ciências e a cultura de forma prática, para utilização no
dia-a-dia.

E qual o resultado desse ensino?

A resposta está na questão 1019 de “O Livro dos Espíritos”:

O bem reinará na Terra quando entre os Espíritos que a vem habitar os
bons superarem os maus. Então eles farão reinar o amor e a justiça, que são a
fonte do bem e da felicidade. É pelo progresso moral e pela prática das leis de
Deus que o homem atrairá para a Terra os bons Espíritos e afastará os maus. Mas
os maus só a deixarão quando o homem tenha banido daqui o orgulho e o egoísmo
.”

Esse é o resultado do ensino espírita, da educação formulada segundo a
filosofia espírita.

A proposta de uma pedagogia integral, considerando o educando um espírito
reencarnado, trabalhando suas potencialidade intelectuais e emocionais,
caracteriza a educação espírita, e que está toda em “O Livro dos Espíritos”,
obra fundamental, base do Espiritismo.

O homem de bem construirá o reino de Deus na Terra, ou seja, viverá dentro
dos princípios do amor e da justiça, considerando para todos direitos e deveres
iguais. Para isso, há que progredir moralmente e esforçar-se para praticar o
bem. Que melhor pedagogia do que esta?

É “O Livro dos Espíritos” uma verdadeira obra educacional, e
destacamos neste estudo apenas as perguntas e respostas mais diretamente
voltadas à educação, sem considerarmos várias questões que tratam das
conseqüências da aplicação do Espiritismo como doutrina de educação.

Se podemos fazer um pedido a pais, evangelizadores, professores é este:
estudem “O Livro dos Espíritos”!

6. Bibliografia

• O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. Ed. FEESP, 1972.

• Pedagogia Espírita, José Herculano Pires, Ed. EDICEL, 1a.edição

• Inteligência Emocional, Daniel Goleman, Ed. Nova Fronteira, 37a.
edição.

VISÃO ESPÍRITA DA EDUCAÇÃO – Marcus Alberto De Mario

(
http://www.contacto.com.br/oespirita/pagnov99.htm
)

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