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Allan Kardec

Allan Kardec

Hipolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, no dia 3 de outubro de
1804, desencarnando a 31 de março de 1869, em Paris, com pouco mais de 64 anos
de idade.

Quando da Codificação da Doutrina Espírita, a fim de traçar uma linha
divisória, entre o seu trabalho no campo da Pedagogia, e objetivando emprestar
um maior cunho de impessoalidade à sua obra no campo do Espiritismo, resolveu
usar um pseudônimo, pois, tendo a tarefa o cunho da Intervenção do Mundo Maior,
era mister que aparecesse com denominação diversa. E eis que, em uma das sessões
de estudos, um Espírito, que se comunicava constantemente, anunciou que a sua
afinidade com Rivail vinha de longa data, desde quando, em existências
precedentes viveram juntos na Gália, entre os Druídas, tendo Rivail, então, o
nome de Allan Kardec. Daí optar o eminente Codificador do Espiritismo por esse
pseudônimo, que o popularizou universalmente.

Filho de pais católicos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas não
abraçou nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se na posição de
livre-pensador e homem de análise.

Pedagogo, homem de gabinete, estudioso das ciências aplicadas, possuía grande
poder de raciocínio e indisfarçável pendor por todas as causas atinentes ao bem
coletivo. A sua paixão pelos métodos do ensino, em consonância com a escola de
Pestalozzi, de quem foi discípulo, granjeou-lhe, logo, brilhante renome na
Europa, onde se tornou conceituado como autoridade incontrastável sobre
problemas educacionais.

Situado nessa posição em face de uma vida intelectual absorvente, foi um
homem de ponderação, de caráter Ilibado e de saber profundo, despertado para o
exame das manifestações que então se produziam através das mesas-falantes,
ou mesas girantes. Nesse tempo — 1855, estava o mundo voltado, na sua
curiosidade, para os inúmeros fatos psíquicos que se registravam por toda a
parte.

Estava inquestionavelmente reservada a esse notável pensador a tarefa de
organizar, através de uma Codificação completa e perfeita, a nova concepção
religiosa da alma e desvendar o verdadeiro sentido dos ensinamentos de Jesus
Cristo, porque Kardec nada mais foi, na realidade, do que um mandatário da
vontade divina, com autoridade para catalogar, pacientemente, as lições
recebidas dos Espíritos e, com elas, compendiar essa obra majestosa que tem o
amplo aspecto de ser simultaneamente científica, filosófica e religiosa.

As suas principais obras sobre o Espiritismo são: O Livro dos Espíritos,
parte filosófica dos seus trabalhos, cuja primeira edição surgiu a 18 de
abril de 1857; O Livro dos Médiuns, parte experimental e científica,
publicada em janeiro de 1861; O Evangelho Segundo o Espiritismo, editado
em 20 de agosto de 1864; O Céu e o Inferno, em 01 de
outubro de 1865; A Gênese, em janeiro de 1868, A Revista Espírita
(La Revue Spirite), jornal de estudos psicológicos, publicação mensal Iniciada
em 01 de Janeiro de 1858. Após a sua desencarnação foi publicado Obras
Póstumas.

Fundou em Paris, a 01 de abril de 1858, a primeira sociedade espírita
regularmente constituída, sob o nome de Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas,
cujo fim exclusivo era o estudo de tudo quanto pudesse contribuir
para o progresso da nova doutrina.

Allan Kardec é invulnerável à acusação de haver escrito sob a influência de
idéias preconcebidas ou de espírito de sistema. Homem de caráter frio e severo,
observava os fatos e das observações deduziu as leis que os regem; foi o
primeiro que, sobre esses fatos, estabeleceu teoria e constituiu um corpo de
doutrina, regular e metódico. Demonstrou que os fatos chamados sobrenaturais são
sujeitos a leis, como tudo no Universo; subordinou-os à ordem dos fenômenos da
Natureza e fez ruir o último reduto do maravilhoso, que constituía um dos
sustentáculos da superstição.

Das manifestações inteligentes, sob as mais variadas modalidades, à
interpretação dos Evangelhos, os Espíritos que entraram em contato com Kardec e
lhe indicaram o caminho a trilhar sempre se apoiaram nas palavras de Jesus
Cristo, e deram disso os mais comovedores exemplos, estabelecendo todo um corpo
de moral, inspirada nas verdades cristãs. Aliás, o próprio Kardec jamais
escondeu o caráter impessoal de seus trabalhos, atribuindo todo o mérito que
neles se deparasse aos Espíritos do Senhor, que eram os seus principais autores.
Como os antigos profetas, ele não se atribuía a qualidade de criador de coisa
alguma, pois tudo lhe era transmitido pelas vozes do Céu, através das
mediunidades postas a serviço dos seus estudos e designadas para tarefa tão
transcendental.

Já era marcante a personalidade de Kardec, antes da codificação do
Espiritismo.

Sua família se distinguiu na magistratura e no foro; ele, porém, não seguiu a
carreira dos seus, sentindo-se, desde muito jovem, atraído pelos estudos da
ciência e da filosofia.

Matriculado na Escola de Pestalozzi, em Yverdum (Suíça), tornou-se um dos
mais distintos discípulos daquele eminente professor e um dos mais zelosos
propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu na
reforma do ensino na Alemanha e na França.

Dotado de incrível inteligência e atraído para o ensIno por vocação e
aptidões especiais, desde os quatorze anos ensinava a seus condiscípulos mais
atrasados o que ia aprendendo.

Foi nesses exercícios que se lhe desenvolveram as Idéias, que mais tarde
deveriam elevá-lo à classe dos educadores. Conhecendo bastante o Catolicismo e o
Protestantismo, preocupava-se, no entanto, com uma reforma religiosa, para a
qual pesquisava. Essa preocupação durou muitos anos, no decurso dos quais
procurava alcançar o meio de unificar as crenças, sem, no entanto, descobrir o
elemento indispensável para a solução desse magno problema. Codificando o
Espiritismo, mais tarde Imprimiu aos seus trabalhos uma direção toda especial.

Concluídos os estudos, voltou para a França e, possuindo profundo
conhecimento da língua alemã, traduziu para esse idioma diferentes obras de
educação e moral, entre as quais, o que é característico, as de Fénelon, as
quais o haviam seduzido de forma bastante acentuada.

Era membro de muitas sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de
Arras, que, em seu concurso de 1831, lhe outorgou uma notável memória sobre a
seguinte questão:

“Qual o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades de época?”

De 1835 a 1840, Instalou em sua casa, rua de Sévres, cursos de física,
química, anatomia comparada, astronomia etc. Para os alunos que não tinham
recursos as aulas eram gratuitas, empreendimento digno de elogios em todos os
tempos, mas principalmente numa época em que bem poucas inteligências se
arriscavam por esse caminho.

Escreveu numerosas obras de educação, que desfrutaram de grande aceitação.
Portanto, antes que o Espiritismo lhe tivesse popularizado o pseudônimo de Allan
Kardec, tinha ele, como se vê, sabido ilustrar-se por trabalhos de natureza
muito diferentes e que tinham por fim esclarecer a massa popular e prendê-la
ainda mais ao sentimento da família e ao amor da pátria.

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