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As Quatro Nobres Verdades – Parte 3

As Quatro Nobres Verdades – Parte 3

Pelo próprio escopo do artigo, é natural que se fique devendo aos leitores um
panorama mais amplo das biografias dos grandes vultos da Doutrina Espírita.
Incontáveis seriam os nomes que deveriam figurar em uma história detalhada,
começando pela própria esposa de Kardec, Amélie Gabrielle Boudet, educadora como
ele e sua colaboradora de todas as horas:

Léon Denis, Cammille Flammarion, Gabriel Dellane, Eusapia Palladino, Amalia
Domingo Soler, Miguel Vives y Vives, Cosme Mariño, Euripides Barsanaulfo,
Batuíra, Bittencourt Sampaio, Analia Franco, Caibar Schutel, Teles de Menezes,
Ivone A. Pereira, Francisco Valdomiro Lorenz, Vinicius, Herculano Pires, José
Gonçalves Pereira….

Notas Explicativas

1 – Em geral pode se considerar que este período histórico
começa com a primeira guerra mundial em 1914, se estende entre guerras com o
estabelecimento do comunismo, do fascismo e do nazismo, prossegue com a guerra
civil espanhola de 1936, a grande guerra de 1945, as guerras na Ásia e a guerra
fria até o fim dos anos 80. Pode-se dizer que entre a primeira guerra mundial e
o fim da união soviética na década de 90 o mundo viveu um período contínuo de
tensão, com o conseqüente apego ao imediatismo materialista, mesmo porque grande
parte da Europa ficou, por longo tempo, sob regimes ditatoriais e violentos.

2 – É interessante notar que a diferenciação entre “Modern
Spiritualism” – Espiritualismo Moderno – é bastante sutil e na maior parte das
vezes sem muita importância. Na realidade o que ocorreu foi uma lentidão na
difusão das obras de Kardec nos meios espiritualistas de língua inglesa. Essa
demora foi em parte provocada pela rejeição que americanos e ingleses tinham
quanto a idéia da reencarnação, em parte pela diferente visão quanto ao papel
das comunicações dadas pelos espíritos. Enquanto Kardec – e os Espíritas –
consideram as comunicações como meio de estudo, objeto de análises críticas e
sujeitas ao critério da concordância, os espiritualistas de língua inglesa as
viam como revelações de um plano superior e os espíritos que as transmitiam,
acima de suspeita por serem guias iluminados. Não só pioneiros do Espiritismo,
como Léon Denis continuaram utilizando o termo “Espiritualismo Moderno”, junto
com “Espiritismo”, como em tempos recentes Júlio Abreu Filho traduziu a obra de
Connan Doyle – History of Modern Spiritualism – para o português com o titúlo de
“História do Espiritismo” (Editora Pensamento). O resultado desta opção de
tradução é que o leitor espírita se surpreenderá ao notar, em uma história do
“Espiritismo” o pequeno espaço reservado ao trabalho de Kardec e o
posicionamento do autor contrário a reencarnação, principalmente se não prestar
atenção no prefácio, onde Herculano Pires alerta sobre a questão.

A propósito, o motivo que levou Kardec a criar uma nova palavra – Espiritismo
– foi para evitar mal-entendidos. A designação “Moderno Espiritualismo” não é
muito precisa, uma vez que espiritualista é todo aquele que crê em algo além da
matéria e não necessariamente em espíritos e na sua possibilidade de comunicação
conosco.

(Publicado no Boletim GEAE Número 430 de 19 de fevereiro de 2002)

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