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Os ataques sofridos pelo Espiritismo

É inegável a existência de uma sistemática campanha de combate e descrédito
com relação ao Espiritismo. Esta cruzada contra a Doutrina Espírita é pública e
notória. Somente os grandes órgãos representativos do movimento espírita parecem
ignorar a questão.

A título de fraternidade e de ética as federativas omitem-se, calam-se, fazem
ouvidos de mercador, não adotando qualquer providência para coibir a empreitada
difamatória, nem para esclarecimento público.

Urge que as entidades representativas da comunidade espírita façam publicar
em jornais e revistas da chamada grande Imprensa, matéria rebatendo tais
ataques. Compareçam à TV para os devidos esclarecimentos, enviem representantes
credenciados e altamente capacitados, como os há em grande número no meio
espírita, para participar de programas e debates, assim evitando que pessoas sem
qualificação e sem nenhum conhecimento da Doutrina, em verdade pseudo-espíritas,
apresentem-se para servirem de “cobaias” de sacerdotes e adversários outros, que
disso se aproveitam para ridicularizar e enxovalhar o Espiritismo. A idéia que
atualmente se tem do Espiritismo e dos espíritas é exatamente a que transparece
dessas lamentáveis apresentações.

Os evangélicos pentecostais da Igreja Universal do Reino de Deus declararam
guerra aberta ao Espiritismo e já foram longe demais nesta batalha. Já não mais
estão se limitando à difamação de porta em porta, quando proclamam que espíritas
e umbandistas são agentes do demônio; chegaram ao extremo de depredar o Centro
Espírita “Cristo Consolador”, no Rio de Janeiro. O Espiritismo vem sendo
deturpado e vilipendiado no próprio seio das instituições espíritas que propagam
idéias absurdas e colocações inteiramente equivocadas, num verdadeiro atentado à
pureza doutrinária. Até mesmo grandes entidades como a FEEB – Federação Espírita
do Estado da Bahia -, promoveu um Congresso dito espírita, há alguns anos, em
que se cometeram as maiores aberrações em nome do Espiritismo, sendo, isto sim,
um evento esotérico-parapsicológico-orientalista. Chega-se, portanto, ao ponto
de uma federativa espírita de porte, patrocinar evento em que abertamente
doutrinas estranhas são confundidas com o Espiritismo. A Imprensa e a Televisão
atacam sistematicamente o Espiritismo.

Quando é que se vai deflagrar uma contra-ofensiva, de divulgação e
esclarecimento, visando mostrar ao grande público o que é em verdade o
Espiritismo?! E quando os ataques chegam aos extremos da agressão, da calúnia e
da difamação, seria necessário que as instituições representativas da família
espírita saíssem a campo também para tomar medidas judiciais contra agressores e
detratores. Como nos casos da depredação da casa espírita pelos evangélicos e do
pasquim paulistano que recentemente assacou as maiores injúrias contra a
impoluta pessoa de Francisco Cândido Xavier!

As Igrejas Pentecostais

A proliferação das chamadas “seitas evangélicas” tem aumentado tanto nos
últimos tempos na América Latina, que o fenômeno social já chama a atenção e
traz preocupações não só de estudiosos como de autoridades religiosas,
governamentais e policiais. Os chamados “crentes” destas seitas pentecostais são
instrumentos manipulados por espertalhões que exploram seus seguidores em sua
ignorância e fanatismo, com fins de lucro e poder. Nestas seitas, os líderes são
os verdadeiros governantes dos destinos de seu adeptos. O aspecto espiritual é
utilizado apenas como fachada do movimento, a fim de melhor atingir seus
objetivos e ocultar as verdadeiras intenções de seus dirigentes.

Os chefes que se auto-intitulam “missionários” e “bispos evangélicos”,
atestam sua intenção de explorar os fiéis quando se utilizam da Bíblia para
transformá-la em fonte de renda. Igualmente, mistificam os prosélitos
prometendo-lhes curas milagrosas para seus males terrenos, sendo que tais
benefícios são proporcionais ao valor das doações. No culto, os fiéis depositam
suas contribuições sobre uma Bíblia no altar do templo e o pastor explica que as
curas são tanto mais eficazes quanto maior for a generosidade financeira dos
crentes. Incentivam-se o fanatismo e a fé cega, que só têm condições de existir
no campo da ignorância. Justamente por isso é que o Espiritismo recomenda a fé
raciocinada, a crença apoiada no conhecimento e na Razão; primeiro, é preciso
compreender para depois aceitar; antes de crer se faz necessário a análise.

A crença irracional, a fé cega, resulta obrigatoriamente em fanatismo,
cegueira espiritual e intolerância religiosa. Toda seita que procure anular o
indivíduo, transformando-o em seguidor fanático, cego à Razão e ao bom senso, e
que possua o aspecto espiritual apenas como pretexto, constitui-se em perigo
social. No caso da Igreja Universal do Reino de Deus, as autoridades já tomam
providência pala coibir a atuação ilegal de seus dirigentes. Edir Macedo, seu
líder, um ex-funcionário público que hoje reside em Nova Iorque e que construiu
um fabuloso império econômico, está sendo processado, pela Justiça do Rio de
Janeiro, – juntamente com mais 68 bispos desta seita pentecostal -, sob a
acusação de charlatanismo, estelionato e curandeirismo.

Métodos de Dominação

As seitas pentecostais submetem todos os seus seguidores a uma “lavagem
cerebral”, assim tornando-os presas fáceis para sua manipulação e exploração.
Estas técnicas de dominação caracterizam-se pelos seguintes aspectos:

1º) As idéias são impostas e devem ser aceitas sem qualquer análise.

2º) Os crentes são convencidos a levar seus bens pela Igreja ou doar
importantes somas em dinheiro para os cofres da seita, com a promessa de curas
milagrosas e da conquista do Reino dos Céus.

3º) São conduzidos ao fanatismo pela anulação gradual da própria vontade, bem
como a uma total dependência e completa obediência a seus líderes.

4º) São induzidos a tudo deixar a fim de trabalhar para a seita, carreando a
arrecadação de tal atividade para pela igreja.

5º) Os chefes utilizam-se do medo e da ignorância de seus prosélitos para
melhor poderem explorá-los, ameaçando-os com o diabo e com o fogo do Inferno.

Os Pentecostais e o Espiritismo

A Igreja Universal do Reino de Deus atua principalmente junto à camada mais
pobre da população, aí fazendo seus milhares de adeptos e deles extraindo
astronômicas contribuições. Basta dizer que em apenas um culto quando reuniu 150
mil fiéis, arrecadou 30 milhões de cruzeiros carregados em grandes sacos pelos
arrecadadores! Por julgar que espíritas e umbandistas lhes fazem concorrência,
por também atuarem entre a população mais carente das periferias, foi que estes
pentecostais declararam guerra ao Espiritismo e ao Umbandismo, instigando seus
fanáticos seguidores contra os que, segundo eles, são os “agentes do diabo”.

Em seus templos, através de seus jornais, revistas, emissoras de rádio e TV,
como em suas visitas domiciliares, espíritas e umbandistas são tachados de
vítimas da feitiçaria, heréticos e merecedores do escárnio público. Contudo, são
exatamente estes evangélicos que se utilizam de processos errôneos e condenáveis
em suas práticas religiosas. Têm os seguintes procedimentos:

  • valem-se, em suas pregações da figura do diabo para atemorizar e intimidar
    os fiéis;
  • intentam exorcizar o demônio e os espíritos inferiores com métodos de
    baixo mediunismo;
  • os seguidores acreditam que o Espírito Santo manifesta-se nos cultos por
    intermédio dos fiéis como aconteceu na passagem bíblica do Dia de Pentecostes,
    com isso promovendo sessões coletivas de histeria e manifestações espirituais
    desordenadas e perigosas;
  • fazem da Bíblia uma verdadeira idolatria, intitulando-se “evangélicos” e
    submetendo-se a dogmas e distorções que obscurecem os ensinamentos emanados
    dos Evangelhos;
  • cumprem rigorosamente as letras das Escrituras sem observar-lhes o
    sentido, o simbolismo e o espírito de que estão revestidas, quais modernos
    fariseus; – acusam espíritas e umbandistas de terem parte com o diabo, mas são
    eles fanáticos e obsediados que atuam na mesma faixa vibratória dos espíritos
    inferiores sendo de se lembrar que também Jesus foi acusado de ser agente do
    demônio;
  • seus líderes são mercenários religiosos como os antigos sacerdotes judeus,
    enquanto que os dirigentes espíritas não recebem qualquer remuneração
    financeira, vivendo para a religião e não da religião; – intitulam-se cristãos
    mas falam muito mais no diabo que em Jesus, não praticam o amor ao próximo.
    São agressivos e intolerantes.

Lições a Serem Aproveitadas

Diante desta celeuma promovida por religiosos, têm os espíritas ensinamentos
a extrair de semelhante quadro:

a) São muitos os perigos resultantes do fanatismo, da fé cega, da crença
irracional, da falta de esclarecimento. Comparativamente, podemos ainda mais
destacar a extrema significação da fé espírita raciocinada que recomenda o
estudo, a análise, a compreensão anteriormente a aceitação incondicional.
Realmente, somente pela Razão, através do conhecimento, do bom senso e da
lógica, pode-se conquistar “olhos de ver e ouvidos de ouvir”.

b) Católicos e evangélicos possuem um ponto em comum: têm os veículos de
comunicação como o mais importante mecanismo para divulgação de suas idéias.
Utilizam-se da Imprensa – jornais, revistas, rádio e televisão -, com
insistência e competência. Adquirem gráficas, empresas de divulgação, emissoras,
com o objetivo de propagação de suas crenças. Seus adeptos não hesitam em
contribuir financeiramente para suas instituições. Logo, pode-se discordar das
intenções nem sempre sérias destes grupos religiosos, pode-se repudiar sua falta
de ética, seu proselitismo a qualquer custo, sua atuação. Entretanto, não se
pode deixar de reconhecer seu dinamismo, sua organização, o desprendimento de
seus prosélitos. Enquanto isso, o movimento espírita continua em seu imobilismo,
neste marasmo, não se utilizando da imprensa e dos meios de comunicação para
esclarecimento e informação do grande público. Também os espíritas negam ou
regateiam sua ajuda material a nossos próprios veículos de divulgação. Jornais,
revistas e demais órgãos de divulgação do Espiritismo padecem de permanente
anemia e depauperamento, sobrevivendo unicamente pelo idealismo ou pela teimosia
dos abnegados responsáveis por sua existência. O certo é que os espíritas têm
exagerados escrúpulos quando lhes compete contribuir financeiramente para com o
movimento espírita. Nossos confrades estão condicionados a apenas receber os
benefícios que a Doutrina lhes proporciona.

A Imprensa

A imprensa move diuturnamente campanha com a finalidade de desacreditar o
Espiritismo. Jornais e revistas sensacionalistas publicam supostas reportagens
com manchetes de mau gosto, objetivando enxovalhar a Doutrina e difamar os
espíritas. A Televisão em seus programas – principalmente nas novelas e em
debates sobre religião – usa e abusa do privilégio de penetrar em todos os lares
para atribuir ao Espiritismo tudo o que seja exótico e esdrúxulo. Como se o
termo “espírita” fosse um rótulo universal que servisse para tudo no campo do
exotismo, a TV dele se utiliza para induzir os telespectadores a terem uma
concepção falsa e negativa da Doutrina.

Há pouco um jornaleco de São Paulo (“Notícias da Semana”) fez mais uma
deprimente investida contra este que é a expressão maior do Espiritismo:
Francisco Cândido Xavier. Um tal de Chico Alves, que assina as matérias deste
pasquim, desfecha as mais pesadas injúrias contra o admirável médium de Uberaba.
Em noticiário vulgar e grotesco, chega ao extremo de afirmar que a causa da
saúde debilitada de Francisco Cândido Xavier resulta do fato de ser ele portador
da “síndrome de AIDS”! Apenas uma mente doentia, um desequilibrado, poderia
atirar semelhantes infâmias contra esta figura extraordinária, exemplo de
humildade e de pureza espiritual.

O desatinado sabe, porém, que denegrindo a pessoa de Chico Xavier está
atingindo a edificação espírita, da qual o médium é sua coluna mestra. No
entanto, por incrível que possa parecer, até o momento nenhuma grande federativa
saiu a campo para consubstanciar o repúdio da família espírita contra tal
detrator. Neste caso, inclusive, deveria ser feito mais: semelhante
inconseqüente deveria ser responsabilizado judicialmente por crimes de injúria,
calúnia e difamação!

Doutrinas Estranhas

Ninguém ignora que em muitas casas espíritas existem pequenas ou grandes
distorções doutrinárias. Tal acontece, geralmente, por falta de estudo das obras
da Codificação. Entretanto, o certo é que se faz a introdução de rituais, de
práticas e de conceitos inteiramente estranhos à Doutrina Espírita. Que tais
contradições ocorram isoladamente e apenas dentro de Centros pela falta de
orientação de dirigentes desprevenidos, chega a ser até mesmo compreensível.
Contudo, quando as maiores aberrações são praticadas por uma grande instituição
federativa, isso e inteiramente inaceitável.

Em abril de 1990, a FEEB – Federação Espírita do Estado da Bahia – promoveu o
VII Congresso Espírita da Bahia, grandioso evento que atraiu cerca de 2000
pessoas, muitas provindas de outros Estados. Em ambiente cabalístico, porém,
desenvolveu-se uma programação essencialmente
esotérico-parapsicológico-orientalista! Nesta promoção pseudo-espírita,
aconteceram equívocos e absurdos em nome do Espiritismo, tendo, além do mais,
Léon Denis, o grande defensor da pureza doutrinária, como patrono!

Neste Congresso falou-se abertamente em viagens astrais, em psicobiofísica,
em meditação transcendental, em holística.

Foram muitos os atentados doutrinários perpetrados nesta ocasião: um dos
expositores, por exemplo, discorrendo sobre Mediunidade, afirmou que faz viagens
astrais quando está fora de seu corpo físico em moderníssima aparelhagem
eletrônica e dotada de armas de ataque a espíritos trevosos nas zonas umbralinas!

Um outro expositor narrou detalhadamente seus múltiplos contatos com
extraterrestres! Dentre outras colocações estranhas, também se disse neste
Congresso que a imortalidade da Alma ainda não está comprovada; que o Espírito
também pode morrer no mundo espiritual: que Allan Kardec apenas provou a
existência do mundo espiritual, e nada mais!

Conclusão

O movimento espírita precisa superar suas divergências, sair do lugar comum,
da acomodação e do imobilismo em que se encontra, a fim de ocupar a posição que
lhe compete na Sociedade. Afinal, os espíritas vivem neste mundo e fazem parte
do contexto social. A Doutrina fornece ao espírita meios e conhecimentos para
superar as dificuldades do mundo sem que seja necessário seu afastamento do meio
em que atua e sem seu alheamento das contingências próprias da Sociedade.

As federativas, os grandes órgãos representativos da comunidade espírita,
precisam imprimir o indispensável dinamismo às suas atividades, tendo dever de
representar o movimento espírita com firmeza e decisão, falar alto e em bom som
em nome dos espíritas, repudiando os ataques desfechados contra a Doutrina ou
seus representantes maiores, utilizando-se dos meios de comunicação e
esclarecendo devidamente a opinião pública. Acomodação e omissão nada tem a ver
com fraternidade.

Calar é consentir, omitir-se é concordar, ignorar é incentivar ataques,
deturpações, difamação, em escala crescente. Os tempos são chegados para que o
Espiritismo ocupe seu espaço no mundo, dando a César o que é de César e a Deus o
que é de Deus.

 

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