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A Autonomia da Consciência Desperta

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Sonia Theodoro da Silva / www.filosofiaespirita.org

O vocábulo autonomia origina-se do grego autonomos, de autos, “ele próprio”, e nomos, “lei”: “que se governa pelas suas próprias leis”. O filósofo Immanuel Kant diz que a autonomia consiste em ser simultaneamente “cidadão e legislador”.

A autonomia é a capacidade de autodeterminação. Um agente qualquer só pode ser considerado autônomo quando suas ações são verdadeiramente suas e não motivadas por influências ou fatores externos. Kant então verificou que a vontade também tem a capacidade de se colocar em conformidade com uma lei própria, que é a lei da razão. Neste sentido, o oposto da autonomia é a heteronomia, na qual a vontade é ditada pelos objetos do desejo e não mais pela razão.

Criado simples e ignorante, o Espírito, viajor do infinito segundo Plotino, vivencia estágios evolutivos, nos quais vai assimilando impressões e desenvolvendo todos os elementos constitutivos de sua natureza. A consciência vai desabrochando ao longo do tempo e situando-se conforme as Leis divinas que jazem no mais profundo do seu Ser.

A jornada do Espírito, portanto, consiste nesse desenvolvimento, com a natural conquista das responsabilidades que são inerentes. Vontade e livre-arbítrio são os mecanismos condutores para este processo. Reencarnação e vida em planos de dimensões físicas e extrafísicas (por físico aqui entenda-se a consistência molecular da matéria densa) vão lhe conferir a necessária experiência de que carece para as aquisições definitivas de seu próprio desenvolvimento.

Ainda há que considerar as liberdades inerentes ao indivíduo que se manifestam conforme a sua integração nas sociedades em que vai sendo conduzido a viver: a liberdade sociológica, relacionada à autonomia individual em frente à sociedade, com garantias de liberdade civil ou política; a liberdade psicológica, em que o indivíduo se sente “dono de si mesmo”; e a liberdade moral, como capacidade que o indivíduo tem de decidir-se a atuar de acordo com a razão sem se deixar dominar pelos impulsos e as inclinações espontâneas da sensibilidade.

O Espiritismo acentua os poderes da terceira liberdade, mencionada acima, como condutora do despertar gradativo da consciência, o qual confere ao Espírito as condições adequadas para a necessária, imprescindível e eterna ascensão a padrões evolutivos cada vez mais elevados.

Quando o Espírito estaciona nas ilusões da matéria, surgem os mecanismos desse despertamento, e então as dores, os sofrimentos de maior ou menor intensidade se ocuparão de fazer com que retome a sua caminhada.

Se o nosso modelo é Jesus de Nazaré, conforme confirmam os Espíritos superiores a Allan Kardec, sigamos os seus exemplos, os seus ensinamentos, as suas virtudes, a sua vida.

Não há outra alternativa – vivemos momentos de transição moral; trazemos conosco os atavismos do passado milenar com a predominância de conflitos armazenados a requererem revisão. Nada a lamentar, portanto, os dramas atuais que a sociedade plantou em 6.000 anos de civilização, com menos de 100 anos de paz. Cabe-nos, hoje, a vivência espírita-cristã, como centenas já o fazem, semeando novos plantios de compaixão e fraternidade para que nosso futuro próximo ou longínquo nos traga o tão sonhado reino dos céus consciencial.

Publicado pelo SPS Journal – on line em inglês, português, francês, alemão, italiano, espanhol, russo.

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