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Bate Bola

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Enéas Canhadas

É incrível observar como o mundo, ou uma boa parte dele, fica mais cordial durante os acontecimentos de uma Copa do Mundo.

 Podemos ver que os problemas do mundo continuam, mas surge um certo otimismo no ar, uma atmosfera de que o tempo é mais de paz do que em outras épocas, e de que há alguma esperança para o ser humano, quando ele percebe, com um pouco mais de boa vontade, que é possível os países darem-se bem por um tempo, ou de que as diferenças tanto comerciais, como étnicas ou sociais, podem ser diminuídas, na medida em que uma partida de futebol pode até congregar duas nações inimigas que, durante uma trégua de 90 minutos, podem dar-se mutuamente um descanso, mesmo que temporário.

 E o que dizer do Brasil então? Procurarei não chover o molhado. Quero apenas indagar por que não somos tão patriotas nos outros anos em que não há Copa do Mundo? Por que nos demais anos não nos orgulhamos das nossas grandezas e das nossas qualidades, assim como das nossas possibilidades de nação para sermos um país com alguma coisa de real valor para ser ofertado ao mundo?  Enquanto a Alemanha tem para mostrar cidades belíssimas, de altíssima qualidade de vida, com boas comidas e condições de um povo que vive com conforto social, econômico e ecológico, tem que amargar também com a existência do Campo de Concentração de Auschwitz, que guarda a memória do assassinato de um milhão e meio de judeus. Além disso, busca através do Monumento ao Holocausto, dizer alguma coisa ao mundo, como sentimento de um peso moral residente na memória do povo alemão. Peter Eisenman, o prestigiado arquiteto estado-unidense, responsável de desenhar e construir o monumento às vítimas do Holocausto, considera que o sítio “não pode ser apenas um lugar de recolhimento e silêncio”. O presidente do Parlamento federal – Bundestag – o social-democrata Wolfgang Thierse, é da mesma opinião e acredita que o objetivo foi “fazer um monumento incômodo, controverso e provocador, para ir à questão de fundo: o racismo e o anti-semitismo”. Talvez por isso, o memorial do Holocausto não tenha sido propagandeado nem muito oculto; os 2 711 blocos de granito que o compõem, foram dispostos num espaço de quase 20 mil metros quadrados, junto à porta de Brandenburgo, junto do “bunker” onde se suicidou Adolf Hitler. O lugar fez parte, depois da extinta República Democrática Alemã, na linha de morte, onde morreram muitos dos que tentavam cruzar a fronteira para o Ocidente. O monumento não tem lugar central nem portas de entrada. Debaixo dos blocos de granito, onde cada um pesa cerca de oito toneladas, encontra-se um centro de informação sobre a perseguição dos judeus, levada a cabo pela Alemanha nazista. O debate e a crítica começaram logo a seguir à ideia, em 1989, uns meses depois da queda do muro de Berlim.

O projeto foi impulsionado por um grupo de intelectuais e por integrantes da comunidade judaica. “Respeitável, mas gigantomaníaco”, disse então o chanceler alemão, Helmut Kohl. “Porquê um monumento que só recorda os judeus e não os políticos, os ciganos, os homossexuais, os menos válidos, as crianças, assassinadas com fins experimentais?” “Não os esquecemos e também se recordam outros lugares, mas aqui, que sobressaia a intenção de exterminar os judeus, de riscar da superfície da terra todo um povo, o que representa o pior crime cometido pelos nazistas”, assegura Thierse.Uma responsabilidade que “é parte da identidade alemã”, como declarou o presidente alemão, o democrata cristão Horst Köhler. Para o mandatário, o memorial do Holocausto é uma expressão da vontade de “não esquecer e impedir que volte a repetir-se um semelhante horror”.Gerhard Schröder, também se mostra firme neste ponto: “Não queremos, e não permitiremos, que a injustiça, a violência, o anti-semitismo, o racismo e a xenofobia, tenham uma nova oportunidade”. No entanto, longe de desaparecerem, os problemas com que se enfrenta a Alemanha neste terreno, parecem agudizar-se com o passar do tempo.

O presidente do Conselho Judeu da Alemanha, Paul Spiegel, não se cansa de repetir que “o anti-semitismo está latente”, e reclama a unidade dos partidos políticos “para fazerem frente à extrema-direita”.

 Enquanto a Croácia traz a sua força e a expectativa para competir e fazer bonito contra o Brasil, traz uma história recente de muitas lutas e guerras. Após a invasão pela Alemanha nazista em 6 de Abril de 1941, a Iugoslávia foi desmembrada e o fascista Ante Pavelic tornou-se o líder do Estado independente da Croácia. O ódio secular entre sérvios e croatas era reprimido pelas autoridades iugoslavas. Com a morte de Tito, em 1980, iniciou-se um processo de fragilização da união das repúblicas iugoslavas. Tal quadro agravou-se ainda mais com a crise econômica decorrente do desmoronamento dos regimes comunistas do Leste Europeu e das dificuldades de adaptação à economia de mercado. A Croácia não escapou a volúpia nacionalista comum a todas as repúblicas iugoslavas. Em 25 de junho de 1991, após plebiscitos que deram vitória esmagadora aos separatistas, os croatas anunciaram sua separação da Iugoslávia. Pouco tempo depois, o território croata foi invadido pelo Exército federal, que interveio em favor das minorias sérvias residentes na Croácia (cerca de 12% da população). Como os croatas enfrentavam dificuldades para resistir à ocupação de seu território, as Nações Unidas intervieram militarmente para assegurar a paz. Em 1992, o país foi reconhecido como independente. A Croácia enfrenta problemas similares aos de outros países do Leste Europeu: desemprego, corrupção e crise econômica.

 O Brasil joga contra o Japão que traz na sua história a contribuição tecnológica muito eficiente, e que tem tomado conta do mundo, com a sua capacidade de miniaturizar circuitos e dar às pessoas o conforto de ouvir música de altíssima sonoridade e timbre cristalino em qualquer lugar que estivermos, isso para falar só de um aspecto da sua indústria. No entanto amarga a convivência com terremotos intensos e aplicando técnicas modernas (mecanização e fertilizantes) obtém-se alto rendimento mesmo dispondo de pequeno território (14%), com apenas 6,5% da população se dedicando ao setor primário.

 O Brasil joga também com a Austrália que faz parte do continente mais novo do mundo – a Oceania. Apesar de ser habitada por aborígines há mais de 40000 anos, somente há 2 séculos se iniciou a sua colonização por europeus. Geograficamente para o mundo a Austrália era um continente invisível, uma vasta terra que estranhamente foi desconsiderada pelos cartógrafos sem nada que justificasse a sua ausência nos mapa mundo. Segundo algumas versões, portugueses e holandeses, bem como outros povos, passavam ao largo da costa e, no entanto, nunca acharam convidativa a uma possível colonização. É por esta altura que o Capitão inglês James Cook é enviado para fazer uma expedição científica neste desconhecido lugar. Conta a história que a 28 de Abril de 1770, após circunavegar o continente, desembarca finalmente na costa leste australiana. Continua a viagem para norte, e, a 22 de Agosto do mesmo ano, proclama a posse do território, a que se deu o nome de New South Wales. Iniciava-se assim a colonização inglesa da Austrália. No começo, esta era feita apenas com o objetivo de “esvaziar” as cadeias britânicas. Os condenados, após cumprirem a sua pena em solo australiano, recebiam uma pequena parcela de terra, isso, desde que não houvesse habitantes nativos nelas, aos poucos se foi ampliando o domínio dos ex-saqueadores ingleses naquele vasto e desprotegido continente até que por volta de 1950 o censo mundial estimou a população australiana em menos de 5.000.000 de habitantes. A Austrália possui hoje uma densidade demográfica de dois habitantes por quilômetro quadrado.

 E se tivéssemos que escrever aqui sobre o Brasil? Diria que hoje, apesar de todas as bandeiras brasileiras estendidas nas sacadas, nas janelas, nos edifícios e nos carros, e também as desenhadas nas ruas enfeitadas para os jogos da Copa, no coração guardamos alguma tristeza porque temos alguns problemas muito sérios que ainda não conseguimos resolver. Talvez tristeza, não só pelas chagas sociais que o Brasil sofre. Talvez, não só pelas questões que vão desde a fome de muitos até a violência que chegam a configurar um estado de guerra. Talvez, isto sim, porque mais do que nunca dizemos que Deus é brasileiro. Até em língua alemã, vi essa frase escrita numa faixa. E enquanto tomamos Deus para nós, pensamos que Ele está a nosso favor e, portanto, contra os outros. Alguém disse sabiamente que, antes de levarmos os nossos problemas para Deus, deveríamos trazer Deus para os nossos problemas.

Tomara que ganhemos a Copa e tornemos a Seleção Canarinho hexa campeã, mas sem colocar Deus como o camisa Doze da nossa equipe. Seria uma deferência que Deus não poderia fazer para não alimentar nenhuma pretensiosa e suposta preferência de Deus por alguma nação.

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