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Chamados e escolhidos

“O Reino dos Céus é semelhante a um homem rei, que fez as bodas a seu filho;
e mandou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas eles recusaram
ir. Enviou de novo outros servos, mas novamente o convite foi recusado. Os
convidados foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu tráfico e outros
lançaram mão dos servos portadores do convite e, depois de os haverem ultrajado,
os mataram. Por fim, o convite foi feito a todos, indistintamente, maus e bons,
e ficou cheia de convidados a sala do banquete. Entrou depois o rei para ver os
que estavam à mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial.
E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido nupcial? Mas ele
emudeceu. Então disse o rei aos seus ministros: atai-o de pés e mãos e lançai-o
nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os
chamados e poucos os escolhidos” (Mateus, XXII: 1-14).

O Reino dos Céus é comparado a uma festa, onde tudo é felicidade e alegria.
Entendemos como o “Reino dos Céus” a evolução espiritual, consoante a afirmativa
de Jesus, em outro lugar do Evangelho, que o “Reino dos Céus” está em nós. É o
despertar das potencialidades do ser, a evolução do Espírito, bem maior que a
criatura conquista ao longo do tempo. É comparado a uma festa, onde tudo é
felicidade e alegria, porque aquele que evolui, e que passa a conhecer e viver
em harmonia com as Leis Divinas, vive alegre e feliz. Resolvido o problema do
Espírito, pela educação, pela evolução, tudo lhe será acrescentado, Nada o
entristecerá, nem problemas financeiros, nem problemas de relacionamento, ou
mesmo de saúde, porque o Espírito evoluído transcende a tudo isto..

A parábola em estudo mostra que o convite (o chamado) vai sendo feito a
partes da população, até atingir a todos. O chamado vem de Deus, atingindo todas
as criaturas na hora justa da evolução. Todos vão sendo convidados, a medida que
reúnam condições para receber o convite. E como recebemos o convite? A maioria
não recebe bem o convite porque ainda não compreende a importância da “festa”;
não sabe apreciar as alegrias decorrentes da evolução espiritual. Vamos lembrar
a parábola do semeador, os diversos tipos de solo, que são os diversos graus de
evolução espiritual.

Vinícius, numa de suas páginas, afirma que o ser humano tem dois tipos de
fome: a material e a espiritual. Para atender a fome do corpo físico ele se
empenha, luta, lança mão de todos os recursos. Mas, quanto a fome espiritual,
não se preocupa. Nem sabe que tem necessidade de alimento espiritual. Desconhece
essa necessidade, e até trata mal os que lho oferecem. De fato, as pessoas
querem cura para o corpo, resolver seus problemas materiais, mas são raros os
que querem aprender a amar, a servir, a ser útil a seu próximo. A História nos
mostra que todos os evoluídos espiritualmente, que trabalharam para levar o
alimento espiritual (compreensão das Leis Divinas, perdoar, amar, servir) foram
incompreendidos, ultrajados, e muitos pagaram com a vida, pelo fato de amarem o
seu semelhante e tentar ensiná-lo a viver. O exemplo maior é o do próprio
Cristo.

Portanto, todos somos convidados. Recebemos bem ou mal os portadores do
convite, mas acabamos sendo chamados. Porém, não basta ser chamado, é necessário
“vestir a túnica”, ou seja, purificar o coração e praticar a Lei Divina, a fim
de reunir condições para ser escolhido. Não basta saber, é preciso fazer. Não só
teoria, mas vivência. A escolha depende de nós, do nosso desempenho no bem, para
nos conferir caminho para a Vida Maior.

No livro “Doze Passos Rumo à Paz Interior”, cuja autora assinou com o
pseudônimo de Peregrina da Paz 1, como segunda preparação, afirma: “É
necessário colocarmos nossa vida em harmonia com as leis que governam o
Universo. Este é regido por leis físicas e leis morais. Tanto quanto formos
capazes de compreender as leis universais e de colocar nossas vidas em harmonia
com essas leis, nosso viver será de fato harmonioso. Se fora da harmonia em
virtude da ignorância, sofremos de alguma forma. Se sabemos um pouco mais e
ainda assim estamos fora da harmonia, nosso sofrimento será maior. Urge viver
todas as coisas boas nas quais acreditamos”.

Não basta ser “chamado”, ou seja, ser informado, adquirir conhecimentos
teóricos. Isto é importante, mas constitui apenas a seta que indica o caminho.
Imperioso vivenciar o bem para ser escolhido, praticar o que se aprendeu. Se
sabemos o caminho, mas não fazemos o trajeto, só a informação de nada adiantará.

Emmanuel 2 nos alerta: “Sem instrução, a máquina é segredo. Mas se
a instrução avisa, só a máquina produz. Sem convicção, a atitude não aparece.
Mas se a convicção indica, só a atitude define. Sem programa, o trabalho se
desordena. Mas se o programa sugere, só o trabalho realiza. Sem teoria, a
experiência não se expressa. Mas se a teoria estuda, só a experiência marca. Sem
ensinamento, a obra não surge. Mas se o ensinamento aconselha, só a obra
convence. Disse Jesus, referindo-se à Divina Ascensão: serão muitos os chamados
e poucos os escolhidos para o reino dos céus. Isso quer dizer que, sem chamada,
não há escolha. Mas se estamos claramente informados de que a chamada vem de
Deus, atingindo todas as criaturas na hora justa da evolução, só a escolha, que
depende do nosso exemplo, nos confere caminho para a Vida Maior”.

 

1 Doze Passos Rumo à Paz Interior – CC&P Editores Ltda., Rua Pará, 324
– Praça da Bandeira – CEP 20271-280 – Rio de Janeiro, RJ

 

2 Emmanuel, o Espírito da Verdade, cap. 98

(Jornal Verdade e Luz Nº 177 de Outubro de 2000)

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