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Comunicação, Magia do Verbo

Comunicação, Magia do Verbo

 

Comunicar, segundo os léxicos, significa participar, informar, fazer saber,
transmitir. Comunicação, portanto, é a ação, o efeito ou o meio de comunicar,
estabelecendo uma ponte, uma ligação entre dois ou mais interlocutores.

Essa ligação pode ser efetivada através de palavras, olhares, gestos, mímicas
e até posturas corporais. Isso porque pode-se saber muito sobre uma pessoa
apenas pela observação de como ela se comunica. Até um simples aperto de mão
(firme, seguro, exageradamente forte, inseguro ou displicente), um olhar
(sereno, encarando de frente ou temeroso, esquivo, tímido…) ou um riso
(malicioso, contente, simpático, sarcástico) dizem muito daquele de quem
promanam.

Um bom observador, ao entrar em contato com um interlocutor, já começa a
saber em profundidade com quem está lidando pela observação de suas atitudes,
possíveis tiques nervosos, tom de voz, porte e maneiras físicas, traje, etc.
Isso porque muito do que comunicamos pelas nossas maneiras é inconsciente, isto
é, permanece oculto para nós mesmos. Em face da vida agitada, confusa e cheia de
obrigações que predomina nos dias atuais, a tendência hoje é ficarmos na
“defensiva”, prevenidos contra tudo e todos, temendo possíveis ataques ou
qualquer coisa que ameace nossa segurança. E com isso vamos nos afastando aos
poucos e ficando calados, isolados, reduzindo lamentavelmente nosso contato com
os outros. As pessoas se fecham, não demonstram emoções e sentimentos, não
exteriorizam seus temores e aflições, deixando, portanto, de utilizar o poderoso
meio da palavra para se comunicarem. E isso vale em relação à nossa família,
nossos amigos, a alguém em especial ou, até a um interlocutor casual. Convém que
procuremos, sempre, ter alguém em quem confiar nossas confidências, da mesma
forma como podemos ser o confidente de alguém, se não a gente vai se
enclausurando cada vez mais em nosso ego, a sós com nossos temores.

As consequências da comunicação deficiente são: isolamento – silêncio –
tristeza – pensamentos negativos (o que abre o campo psíquico às influências
espirituais negativas) – atos impensados, precipitados – descambamento para os
vícios (como baldas tentativas de amenizar as tensões e contrariedades) –
tornar-se  agressivo, inacessível, etc.

Devemos nos lembrar, sempre, de que a comunicação é um ato normal e
necessário das pessoas. Jovens e velhos, sadios e doentes, ricos e pobres,
instruídos ou incultos, todos temos necessidade de estar em contato com os
outros, permutando valores, trocando experiências, simpatias, entendendo-nos
sobre os problemas da vida e, assim, ajudando-nos mutuamente a resolvê-los.
Precisamos entender, também, que existem boas regras de comunicação, cujo
conhecimento está ao alcance de qualquer um, bastando se tenha alguma vontade de
conhecê-las.

Alinhamos, a seguir, uma série delas:

  1. Não interromper o interlocutor, Hoje existe um conceito entre pessoas
    educadas que é de péssimo gosto interromper quem está falando, mesmo que com
    os usuais “com licença”, “perdão”. A pessoa que está usando a palavra é que
    deve saber que só pode ouvir a opinião do outro quando se calar para deixá-lo
    falar.
  2. Evitar falar só sobre si mesmo. A pessoa que tem a si própria no centro
    de todas suas cogitações torna se antipática e petulante.
  3. Evitar as conversas de uma temática única, aquela que mais nos agrada, por
    exemplo: só sobre negócios. Todos devemos exercitar a capacidade de
    diversificar nosso campo de interesse, inclusive para perceber os interesses
    dos outros.
  4. Nos temas mais polêmicos, redobrar os cuidados para não ser inconveniente
    nem faltar ao respeito às convicções alheias, tais como: política, religião,
    gostos pessoais…
  5. Uma conversa equilibrada é aquela em que ambas as partes falam e ouvem
    alternadamente, em proporção mais ou menos equivalente.
  6. Reduzir os comentários em torno de doenças, e, quando for o caso, procurar
    falar sempre em tom animador.
  7. Procurar ser objetivo naquilo que fala, respeitando o tempo de quem ouve:
    na narração de casos, abster-se dos detalhamentos dispensáveis, como por
    exemplo, rebuscar as primeiras origens, retificar pormenores, deter-se para
    procurar lembrar de nomes, épocas certas, quando isso nada acrescenta ao
    interesse da narrativa.
  8. Não monopolizar as atenções. Numa festa ou em qualquer reunião de amigos,
    tanto é desagradável o isolamento, timidez, quanto o exibicionismo.
  9. Numa conversa em grupo, evitar centralizar a atenção em um ou dois apenas,
    ignorando os demais presentes. Da mesma forma, manda a delicadeza se procure
    inteirar do nível cultural e campo de interesse de cada um dos da “roda”, a
    fim de fazer com que todos se sintam à vontade.
  10. Evitar os excessos de gestos e movimentação do corpo, bem como as
    gargalhadas ruidosas.
  11. Evitar as expressões contundentes e de gíria, as quais, embora muitos
    usem, não é de bom alvitre a quem preze sua imagem e relacionamento.
  12. Não usar expressões de línguas estrangeiras para mostrar erudição: nas
    raras ocasiões em que isso seja cabível, dar um jeito de clarear a tradução,
    para não ofender possíveis desconhecimentos de quem ouve.

Estas e muitas outras normas convinham ser observadas por quem deseje ter bom
relacionamento com seus próximos.

Lembremo-nos de que não é preciso “falar bonito”, chamar a atenção”, para
impressionar bem, Basta falar, comunicar-se com simplicidade.

Usando de absoluta sinceridade e franqueza, sem que isso seja sinônimo de
indelicadeza.

A COMUNICAÇÃO é, pois, uma das mais poderosas forças que temos ao dispor,
desde que bem utilizada, sendo, inclusive, uma das fontes mais diretas da
felicidade pessoal.

Na conversação equilibrada falamos e ouvimos, alternadamente, em proporção
mais ou menos equivalente.

(REVISTA ESPÍRITA ALLAN KARDEC 31 MAIO/JUNHO 91)

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