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Ao amigo Dirigente Espírita

Não me leve a mal. Este artigo não vem contra você, como supostamente possa imaginar.
Estamos todos envolvidos com a Causa Espírita, cujo objetivo final sintoniza-se
com Jesus e seu Evangelho, onde a divulgação e a vivência espírita visam ajudar-nos
uns aos outros. Precisamos dela e nosso esforço, por maior que seja, sempre será
pequeno em comparação com a grandeza de seus postulados.

Você sabe como são complexos os mecanismos de direção de uma Casa Espírita, da
responsabilidade que representa à atenção generalizada que exige. A esses dois itens
somamos as dificuldades do relacionamento humano e, ainda, as preocupações com a
fidelidade doutrinária, e isto sem falar da qualidade que precisa manter ou do futuro
que pede planejamento. E toda Casa Espírita, por menor que seja, sempre tem ampla
atividade, que se distribui pelo atendimento ao encarnado e desencarnado, onde qualquer
área deve honrar o adjetivo espírita. E nem precisamos relacionar a gama
de atividades, já a conhecemos.

Pensando em tudo isto, fico sempre a ponderar na sublime oportunidade e grande
bênção que representa uma Casa Espírita de portas abertas. Lá estão, diariamente,
o estudo doutrinário, a divulgação, a confraternização, o trabalho, o passe, o atendimento
fraterno e mediúnico e a programação que os companheiros de cada núcleo estabeleceram.
E no envolvimento com tais atividades, lá estamos, os espíritas e simpatizantes,
freqüentadores, trabalhadores de qualquer área, crianças, assistidos, jovens, visitantes
e, naturalmente, os dirigentes. E aqui entendamos dirigentes no sentido de condutores
das atividades, ou mais experientes e, portanto, com maior quota de responsabilidade.

Mas, verdadeiramente, como transformar todo esse numeroso público que busca auxílio,
empolga-se com o conhecimento, e reunião a reunião ali está, presente, confiante,
assíduo? Penso aqui nos assíduos, porque muitos ainda estão flutuantes na perseverança,
aprendendo a buscar o próprio caminho. Como, pois, transformar em atuantes os espíritas
ou simpatizantes sempre presentes em nossas Casas Espíritas?

Penso que há dois grandes problemas: conscientização e amadurecimento. Nem todos
estão ainda conscientes do que representa a Doutrina e nem todos estão maduros para
o “abraçar” da responsabilidade.

E a Casa pode mudar este quadro? Há meios de estimular uma mudança?

Sim, há! Claro que os meios podem ser diferentes, cada núcleo poderá descobrir
seus próprios caminhos, mas há uma receita que não pode ser desprezada: participação.

 

Como formar trabalhadores conscientes e maduros sem propiciar-lhes participação?

Neste ponto, há um item fundamental: a imprensa espírita. Numerosos periódicos
são produzidos pelo Movimento. Jornais e revistas, boletins, publicações diversas
e mensagens avulsas. Todo este material precisa ser colocado à disposição do público
com comentários incentivadores à leitura e conhecimento mesmo. Não basta distribuí-los
simplesmente, é preciso motivar assinaturas, promover campanhas de assinaturas e
despertar o gosto pela leitura, onde do jornal haverá o natural interesse pelo livro
que liberta. E não só romance, mas livros doutrinários. Somente isto despertará
a conscientização. Se ficarmos envolvidos apenas com assistência social, esquecendo
a divulgação, estamos comprometendo nossa atuação como Casa Espírita …

Sabe-se que o brasileiro já lê pouco. E por isto precisa do incentivo de quem
já descobriu as maravilhas do estudo, da leitura. E, ao lado disso, não fechar-se
dentro da própria Casa Espírita. Levar seu integrante à participação em eventos,
promovê-los, participar também, divulgá-los. É isto que vai fortalecer nosso Movimento
e, como conseqüência imediata, fortalecer a Casa em que estamos integrados, favorecendo
a Causa Espírita.

Distribua, sim, a cesta básica, invista no crescimento material da Casa, mas
por favor: não esqueça a divulgação. Fortaleça os órgãos que distribuem as luzes
da Doutrina, divulgue o bom livro espírita (e neste ponto não valorize apenas o
romance que mais agrade o público, mas fale do livro formador da consciência doutrinária,
distribuindo-o amplamente, especialmente através dos Clubes do Livro). Ideal mesmo
que nossas Casas assinem quotas de jornais e revistas espíritas para distribuição
ou venda ao público (ao invés de tanta preferência por salgados ou doces), pois
isto levará a informação espírita para dentro dos lares, saindo das quatro paredes
do Centro.

Sejamos honestos: desejamos pessoas dependentes, eternos recebedores de passes,
ou buscamos investir na formação de novos trabalhadores para a Doutrina Espírita,
espalhando o conhecimento?

Como ponderamos no início do artigo, nada contra ninguém. Apenas abordagem que
nos faça refletir sobre o tesouro que temos em mãos. É tema para permanente atenção,
pois a Doutrina nos faz tão bem e vivemos os extremos de tanta carência espiritual
no mundo, fomentadora da violência material que aí está. Com permanecer indiferente?
Nossas Casas estão abertas.

Vamos aprimorá-las?

(Publicado no Dirigente Espírita no 64 de março/abril de 2001)

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