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Educação para a vida

Educação para a vida

1. A base da família é o casamento. Poderíamos dizer que a educação começa
com o preparo para o casamento? Qual seria o tempo ideal para o namoro, noivado
e casamento?

R – A questão é cíclica, em si mesma, uma vez que educar para o casamento tem
a ver com educar para a vida. Dessa forma, os indivíduos deverão ser educados
para que saibam viver, e, então, estarão aptas a viver em qualquer contexto,
seja no do casamento ou no da profissão ou da vida social etc.

O tempo ideal para o namoro, noivado e casamento seria aquele que permitisse
ao casal um melhor apercebimento um do outro, a fim de analisarem-se mutuamente,
verificando cada um se está diante de alguém com quem gostaria de viver toda a
existência terrena, ou, por outro lado, se acham-se em condições de conviver com
as fragilidades, vícios, hábitos e manias do outro, sem atormentar-se e sem
atormentar.

2. Qual a função desses três períodos?

R – Encarando essas fases como exigências sociais, que obedecem a essa
necessidade que têm os indivíduos de estabelecerem um contato mínimo, antes do
matrimônio, propriamente dito, vemos tais fases como propiciadoras desses
contatos, desse entrosamento, partindo de um conhecimento mais periférico, que
envolve modos, gostos, falas etc, passando por um estágio em que já se vivencia
uma intimidade maior no campo das idéias, firmezas e fragilidades da outra
pessoa, ocasião em que se deverão por as cartas na mesa, no sentido de se
definirem posturas para o casamento, condutas perante a questão profissional,
quanto ao trabalho fora de casa, à criação de filhos, ao ajustamento religioso
dos filhos em razão das diferenças do par etc. O casamento, contudo, é que, ao
longo do tempo, vai coroando esse conhecimento, impondo muitas vezes mudanças de
opiniões, de idéias ou de condutas que se tinha com relação à outra parte,
amadurecendo o bem-querer ou confirmando os desencontros.

3. Você acha que deveríamos ter nos centros espíritas cursos que
preparassem os noivos para enfrentarem a vida de casado, semelhantes aos que
encontramos na Igreja Católica?

R. Creio que tudo o que se puder extrair do ensinamento espírita que possa
ser de utilidade imedita ou mediata às pessoas, deve ser explorado, sem qualquer
dúvida. Contudo, no campo do casamento, temos que convir que não será em um,
dois ou três meses de discursos ou leituras bonitos sobre a vida-a-dois, que se
logrará educar pessoas que jamais tiveram cuidados consigo mesmas, que nunca
pensaram na seriedade da vida, que estão à cata da formalização da convivência
sexual. Não resta dúvida de que se podem retirar dessas preparações muitas
ilustrações positivas, ensinamentos notáveis, concepções muito felizes, mas,
vale verificar que ninguém prepara realmente ninguém para enfrentar a vida de
casado, senão ao longo de uma existência de boa vontade e disciplinas.

4. Quanto à questão da preferência religiosa, você acredita que um cônjuge
que seja adepto do Espiritismo, ao casar com outro que não o é estará colocando
em risco a futura estabilidade do seu casamento?

R – As coisas não se passam bem assim. Sendo maduro o casal, saberá dialogar,
preferencialmente naqueles períodos chamados de namoro e noivado, a respeito das
suas diferenças posturais perante a fé religiosa como diante de outras situações
mais da vida. Se são amadurecidos, de fato, os dois saberão respeitar-se,
entender-se, compreendendo que o verdadeiro amor está muito acima das muralhas
humanas construídas com os rótulos mais diversos. Caso o casal não tenha essa
vivência da maturidade, ainda quando seja da mesma crença religiosa, costuma
debater-se em praças escuras de absurdos desentendimentos, marchando, muitas
vezes, não só para a desestabilização do casamento, como para a destruição do
lar.

5. Qual o tempo ideal para que um casal possa pensar em ter filhos?

R – Não existe nenhuma regra que nos ajude a estabelecer qual o tempo ideal
para isso. Entretanto, os Bons Espíritos costumam dizer-nos que cada criatura,
quando está no funil da reencarnação, deverá renascer dentro de determinadas
estruturas sociais, econômicas, financeiras, políticas, religiosas etc. da sua
família. Em sendo assim, o casal que queira programar-se para ter seus filhos em
determinadas épocas, épocas que são ajustadas a questões profissionais,
estudantis, emocionais e outras, não deverá perder de vista que os irmãos que se
preparam para retornar à Terra têm, igualmente, necessidades e programações que
deverão dar conta. Nada impõe esse tempo ao casal, a não ser o bom senso, a
maturidade do senso moral, que fará com que o casal não protele,
indefinidamente, essa disposição para a pater-maternidade.

6. As encarnações são todas programadas ou existem aquelas que seriam
“acidentais”, provenientes do livre-arbítrio?

R – Se considerarmos as programações que são feitas na erraticidade, junto
dos nossos Anjos Guardiães, com vistas ao nosso melhor aproveitamento da
existência corporal, diremos que nem sempre as encarnações foram programadas.
Entretanto, se compreendermos que, a partir do nosso modus vivendi, dos
caracteres que desenvolvemos no mundo, os Bons Espíritos vão deixando que cada
um refaça seu caminho, em virtude dos atalhos escolhidos, dos vícios assimilados
ou desenvolvidos, então, veremos que as “novas disposições” do indivíduo passam
a representar uma reprogramação da sua vida. Assim, conseguiremos entender que
não ocorrem episódios fora da “visão” do Criador. Os renascimentos poderão ser
chamados “acidentais”, porque se deram dentro de contextos que a sociedade
familiar não esperava, ou que mesmo o casal não desejava, de modo consciente.
Contudo, o seu modo de ser, seu estilo de vida, muitas vezes não exteriorizados,
mas alimentados no íntimo, onde residem desejos e se nutrem fantasias já o
haviam candidatado ao episódio, dito inesperado ou acidental. A “lei do acaso”,
tão bem defendida pela estatística, não tem sentido no campo da vida moral, onde
a cada um é dado conforme suas obras.

7. Para um casal espírita, qual seria o preparo psicológico que deveriam
fazer para facilitarem o nascimento de seus filhos?

R – Para qualquer casal cristão, o melhor preparo psicológico nesse campo
seria da confiança irrestrita no Criador, que age através das leis cósmicas
reguladoras da vida em toda parte. Entretanto, para o casal cristão-espírita
essa confiança irrestrita seria acrescida da lucidez quanto à realidade que
envolve o nascimento de seus filhos. Sabe o casal espírita que seus filhos não
são seres virgens, saídos das mãos do Criador, diretamente para seu lar. Sabe,
isto sim, que são viandantes do progresso, em busca de amparo e orientação, a
fim de que possam dar conta do próprio destino, que é a perfeição, inabordável,
por agora, para a maioria da Humanidade.

Esse preparo psicológico, então, terá como acréscimo a educação dos próprios
hábitos, buscando equilibrá-los, harmonizá-los, construindo no lar o clima
psíquico mais valioso para receber os filhos e oferecer-lhes recomendável e
enobrecida escola doméstica, onde eles aprenderão, à custa de trabalhos
intelectuais e transformações morais, o mais curto caminho para Deus.

8. A conduta da prece ajuda o processo reencarnatório?

R- Indubitavelmente. Em se constituindo na chave que abre as portas do
Infinito, onde se move o inefável amor de Deus, a prece é capaz de auxiliar em
todo e qualquer lance da existência. Lastimável é que seja tão ignorada,
incompreendida e tão malversados seus objetivos, preferindo o indivíduo
aconselhar-se com o desespero, com a angústia e com medidas perfunctórias que
não servem, verdadeiramente à vida.

9. A maioria das pessoas acredita que os filhos são inimigos do passado.
Não poderiam ser espíritos que nos foram caros em outras vidas ou mesmo que
nunca tiveram relação conosco, mas que nos são confiados para o relacionamento e
educação?

R – Grande número de indivíduos que participa dos movimentos espíritas, ou
não, tem muita dificuldade de entender o processamento das leis divinas no
âmbito das nossas vidas. É muito comum essa idéia, no contexto familiar, de que
filhos e pais hajam sido inimigos no pretérito, e que, agora, estão juntos para
a re-harmonização.

É indiscutível que muitíssimos são os casos de indivíduos que se reencontram
com fins de devoluções recíprocas, situações em que se defrontam inimigos
antigos ou recentes para os re-acertos. Porém, há um enorme contingente de almas
que se acham no mundo terrestre para que se ajustem com as divinas leis, aceitos
por esses ou aqueles espíritos na condição de filhos, de pais ou de irmãos, sem
que tais vínculos hajam sido de mágoa, de malquerenças, de ódios,
obrigatoriamente. Muitos deles vêm de experiências de velhas amizades, de
ternuras imensas, de amores sublimes, e vêm para apoiarem-se reciprocamente em
momentos difíceis que passarão em conjunto. Outros vários, provêm das rotas das
afinidades, sem que tenham que ter convivido fisicamente juntos. Os desencontros
que podem advir, mesmo nessas últimas relações, estão atrelados às condições
humanas de cada um, às predisposições ao equívoco que cada um leva em si sem que
tal corresponda a posicionamentos antigos de inimizades ou outras relações
amargas.

Entretanto, vale lembrar que, seja qual for o motivo que une pais e filhos, a
tarefa dos pais é uma verdadeira missão, conforme ensinam os Luminares a Allan
Kardec, na pergunta 582 de O Livro dos Espíritos.

10. Quando é que começa o período da adolescência e qual é a sua
importância para a formação da personalidade?

R – A questão encontra definições diferentes nos escritos dos diversos
estudiosos desse período, que se distribuem em múltiplas escolas psicológicas e
sociológicas. Grande número deles, contudo, situa o começo da adolescência entre
os 12 e 14 anos.

Em se constituindo num período em que o espírito encarnado, após haver
recebido, bem ou mal, os encaminhamentos da infância, se acha em processo de
empreendimento, ou seja, está estruturando aquilo que se configurará como sua
realidade para largo período da sua encarnação, quando não para toda a
encarnação, o que dá gravidade a essa fase. Aquilo que estiver semeando, isso
mesmo o jovem colherá mais adiante, pelos caminhos da sua vida. É, assim, de
grandíssima importância o período da adolescência, que deverá ser melhor
observado por pais e demais educadores, bem como valorizado pelos próprios
espíritos que estão vivenciando, por algum tempo, tal período.

11. A partir de que momento os pais devem ter uma conversa sobre sexo com
seus filhos e até que ponto deve ir a “revelação”?

R – Não deveria ser configurada essa conversa sobre sexo com os filhos, pois
isso determinaria uma formalização de algo que é demasiado natural, embora o
caráter de excepcionalidade que muitos dão a tal fato. Os pais, basicamente, e
outros educadores das crianças, deveriam referir com a naturalidade que o
fenômeno exige, como falam da chuva, da floração, da colheita, de urinar e do
alimentar-se, sem que precisem “fechar portas”, “falar baixinho”, dando status
de coisa proibida ao que é profundamente normal, natural, biológico. A fase será
aquela em que a criança já está convivendo com outras crianças mais vivas ou
muito informadas, a fim de que a sua ingenuidade ou despreparo não preparem-lhe
qualquer dificuldade na convivência social.

A “revelação” não deverá seguir além do nível intelectual e do amadurecimento
psicológico que a criança apresente, não pelo aspecto proibitivo, mas, para que
ela possa extrair melhor aproveitamento da lição, sem perturbar-se.

O que deve ser bem mais observado é a forma como se trata da questão com os
pequenos, a fim de que não se trate do assunto de maneira chula, fazendo a
criança crer que a sexualidade, embora, repitamos, o seu caráter natural, deva
ser também tratada como joguete da vulgaridade daqueles muitos que não dispondo
da nobreza para tanger o tema, fazem-no com leviandade e sentido pejorativo.
Quando se fala da voz, da visão, da floresta ou do mar, fala-se com tamanha
tranqüilidade e naturalidade, que não passa pela mente do comentarista fazer
chacota com qualquer deles. O mesmo natural respeito deve-se manter ao tratar-se
da questão sexual com as crianças, ou com qualquer indivíduo a quem se queira
instruir.

12. Como devem agir os pais perante filhos rebeldes? Jovens que não querem
estudar nem trabalhar, por exemplo.

R – Muito embora a questão quase sempre seja apresentada mostrando somente
uma face do problema, ou seja, sem indicar como foram educados e instruídos
esses filhos, desde pequeninos, admitamos que os pais, que agora os lastimam,
tenham agido corretamente, conforme pais amadurecidos agiriam, sem excessos, com
disciplinas, com responsabilidades bem dosados aos seus níveis de
desenvolvimento.

A princípio, o diálogo deve ser tranqüilo e muito claro sobre a obrigação que
todos temos perante a vida. A persuasão positiva e lúcida, sem pieguismos, sem
se perturbarem com possíveis encenações que possam os filhos aprontar, para
dissuadirem seus pais da idéia de obrigá-los a alguma coisa. Se dispõem de
recursos e possibilidades de estudar e não querem. Nenhum problema. Deverão
trabalhar, ocupando o tempo nobremente, aprendendo a valorizar com o os próprios
esforços a bênção dos estudos e das oportunidades relegadas. Quanto a não
quererem nem uma coisa nem outra, então, será fácil verificar que foram crianças
mimadas, quase sempre, criadas sem respeitar responsabilidades, sem cumprir
deveres, e, aí, não há remédios a curto prazo, como muita gente gostaria.

Cada criança não é um anjinho virgem, acabado de ser criado por Deus. É, isto
sim, um espírito velho, muitas vezes cheio de maus costumes trazidos do seu
pretérito e reforçados por um deficitário processo de educação doméstica. É
muitíssimo importante o ensino do Espírito da Verdade a Kardec, conforme a
resposta da pergunta 583, de O Livro dos Espíritos, quando afirma: … quanto
piores forem as propensões do filho, tanto mais pesada é a tarefa e tanto maior
o mérito dos pais, se conseguirem desviá-lo do mau caminho.

13. Qual o papel da Escola na vida do Espírito encarnado?

R – Entendendo a Escola como sendo o templo do saber intelectual, a serviço
das leis de Deus no mundo, o seu papel será o de despertar no indivíduo a
sensibilidade para “ver” as sublimes leis da Natureza projetadas em cada coisa,
em cada fenômeno à sua volta, instigando-o para interessar-se por investigá-las,
ampliando o seu conhecimento do mundo em que vive, o que lhe permitirá melhor
prestação de serviços à vida.

14. Qual o papel da disciplina doméstica na educação? Cite alguns exemplos
de vida disciplinada no lar e na conduta do jovem. É importante a pessoa ter
horários fixos para dormir, acordar, estudar, divertir-se etc? Até que ponto se
pode controlar o horário de retorno dos passeios de nossos filhos?

R – Quando se fala em disciplina, quase sempre as pessoas podem imaginar
estruturas castrenses, formas amedrontadoras, ou algo assim. Entretanto, se
verificarmos bem, a vida nos impõe disciplinas naturais, ao mostrar-nos que não
podemos comer em demasia, sem nos enfermarmos; que não podemos falar além da
conta, sem o fenômeno da rouquidão ou da perda da voz, e, assim, sucessivamente.
A disciplina, daí, passa a ser uma postura de amadurecimento e de
responsabilidade diante das mais variadas situações da vida, levando a pessoa a
agir de livre vontade, por saber que esse é o seu dever, sem que seja necessário
que ninguém o imponha.

A função, portanto, da disciplina doméstica é a de despertar nas crianças e
nos jovens esse trabalho de auto-disciplina, de auto-controle, para que sejam
verdadeiramente livres. Por que alguém terá que ficar numa festa até o
amanhecer, quando tenha compromissos a atender pela manhã, ou quando tenha
dificuldade para despertar de bom humor, ao dormir pouco? Por que alguém deverá
comer sem comedimento, em estando à mesa, sabendo que há mais pessoas para
alimentar-se? Por que alguém deverá comprar tudo o que vê e gosta, quando ainda
deve a terceiros compras não pagas, ou quando saiba, de antemão, que não terá
recursos financeiros para pagar? Por que alguém terá que festejar suas alegrias
em casa, ajustando o som no volume mais alto, desconsiderando a vizinhança, seja
vizinhança residencial, seja hospitalar ou escolar? Para todas estas perguntas,
a resposta estará alicerçada nessa capacidade de auto-gerir-se de cada pessoa. O
auto-governo, porém, não é algo fácil de se incutir na criança e mesmo no
adolescente, com poucas exceções. Por isso é que muitos pais o determinam. Vale,
entretanto, dialogar, estabelecer acordos com os filhos, acordos exeqüíveis para
que possam ser cumpridos, e tais acordos, uma vez estabelecidos entre pais e
filhos, deverão ser cobrados, harmoniosamente cobrados, buscando-se ensinar a
criança a cumprir a própria palavra, merecendo respeito e consideração, a partir
daí. O controle propriamente dito, deixa de ter sentido, quando a proposta é
educacional. Cuidem-se, porém, os educadores, para que também não falhem nos
compromissos assumidos com os filhos e outros educandos, sem plausível
justificativa…

15. Quando é que se pode dizer que um filho (ou filha) não precisa mais
dar satisfação a seus pais do que fazem?

R – Quando os filhos são educados para a convivência confiante, junto a seus
pais, torna-se secundária essa preocupação. Os filhos, mesmo quando adultos,
sabem o que devem, ou podem, ou querem dizer a seus pais. Não há um período
exato para fazer ou deixar de fazer isso.

Quando os filhos são adolescentes e convivem bem com os pais, tomam eles
mesmos a iniciativa de dizer aonde vão ou com quem vão aos seus pais, como bons
amigos que se confidenciam. Quando não há essa boa convivência, por mais que
lhes exija, eles podem dizer que vão ali e, em verdade, irão acolá. Poderão
afirmar que estarão com fulano, quando, em realidade, sairão com beltrano.
Vemos, então, que se faz importante que os pais, desde que seus filhos sejam
pequeninos, comecem e orientá-los para esses deveres familiares,
preferencialmente ensinando não só com palavras, mas, também, com exemplos.

16. Como proceder com filhos de espíritas que não se interessem pela
Doutrina Espírita? Há espíritos que por imaturidade não conseguem absorver seus
ensinamentos?

R – Esta é uma questão bastante delicada e complexa, uma vez que estamos
sabendo do fenômeno atual, sem que penetremos as razões desse desinteresse, que,
muitas vezes está no próprio lar.

Quando não, poderemos estar diante de espíritos refratários aos ensinamentos
espíritas, portadores de bagagens reencarnatórias muito enraizadas em outras
crenças, exigindo paciência e compreensão dos pais, que tudo farão para que seus
filhos sejam nobre criaturas, dignos cidadãos, respeitosos, felizes, deixando
que o tempo faça o que não tenham eles podido fazer, no que tange às eleições
religiosas.

Enquanto são crianças, os pais irão buscando as técnicas variadas da
persuasão, até porque sabem que têm compromissos de reconduzirem essas almas ao
Criador, conforme propõe o espírito Santo Agostinho, no cap. XIV, item 9, de O
Evangelho Segundo o Espiritismo. Quando chegam à adolescência com tais
indisposições pela Doutrina, passamos ao diálogo, e quem dialoga deve
compreender as razões de parte a parte. O que os pais espíritas deverão atentar
sempre será para o nível da vida moral dos seus filhos, porque se não
desatinarem, se não se incriminarem nos dramas dos mundos, sem sombra de dúvida,
esses filhos já terão superado grandes quotas de infausto pretérito.

17. Como devem agir os pais perante o jovem que começa a usar drogas?

R – Antes das reprimendas e desesperos, vale uma pausa para meditar nas
possíveis causas dessa desafortunada escolha do jovem.

A droga representará uma fuga, para aqueles atormentados em si próprios,
desassistidos no lar, muitas vezes, vivendo em gaiolas douradas, onde os pais
sempre lhes deram tudo de material, sem lhes oferecerem o coração compreensivo,
ouvidos atentos, olhos vigilantes. Muitos saíam e voltavam, sem que seus pais
soubessem onde e com quem estavam, nas fases de estruturação do caráter, quando
pesam as influências exteriores às do lar, mormente quando as do lar não
primaram pelo acompanhamento, pelo diálogo, pela leitura atenta dos discursos
silenciosos dos adolescentes.

Nesses casos, que se abra mão do orgulho perturbador, que se busque o auxílio
médico e a ajuda espiritual no seu campo de crença. Caso não tenha um ponto de
apoio espiritual definido, que lhe garanta sustento na fase difícil, as
Instituições Espíritas, quando bem orientadas pela Codificação Kardequiana,
muito lhes poderá socorrer por meio da oração, da sua fluidoterapia, das
técnicas dialogais e da desobsessão, pois os casos de adentramento nos vícios de
quaisquer naturezas acabam por atrelar-se a processos obsessivos.

Ante os filhos assinalados pela dependência química, junto a todas as
providências médico-espirituais, jamais desistam do amor, do envolvimento
afetivo e maduro, lúcido e bom, confiando na Providência de Deus, e pondo em
Suas Mãos, os seres que vieram para um destino abençoado na reencarnação, e que,
por um ou outro motivo, deixaram-se arrastar pela viciação.

18. Como devem proceder as mães frente a uma gravidez de sua filha, fora
do casamento? Que tipo de esclarecimento preventivo poderia ser dado aos filhos,
para que se evitasse esse tipo de situação?

R – Com muita calma e espírito compreensivo. O fato já está consumado. Toda e
qualquer palavra áspera, ofensiva, somente irá piorar a situação. Engravidar não
é o problema, quando se tem a cabeça decidida a agir bem. Nada de pensar no
aborto, o que só expressaria o orgulho social que impõe ter-se que dar
satisfação à vizinhança. Lógico que nenhuma mãe pensou em tornar-se avó dessa
forma, no susto ou no choque do inesperado. Contudo, após esfriar a mente,
começa-se a pensar no ser que virá ao mundo carecendo de apoio, de ajuda, de
roteiro para Deus.

Aconchegue a sua filha que se tornou mãe solteira; como mulher, compreenda-a.
Verifique, dentro do seu coração, se suas orientações a sua filha foram maduras
ou se estavam cheias de ameaças, de medos, de preconceitos, que eram mais
orgulho e vaidade do que, propriamente, esforço educativo.

Que bom que sua filha não abortou…

Ensinar aos filhos e filhas a auto-disciplina, o auto-governo, são excelentes
iniciativas para que rapazes e moças, nesses tempos calamitosos do sexo livre e
irresponsável, aprendam a cuidar-se mais, a respeitar-se mais e a assumir as
responsabilidades decorrentes do uso da sua liberdade.

19. No processo de educação, como é que devemos nos posicionar perante o
filho, a filha, o irmão ou irmã que apresenta sinais de homossexualidade? O
homossexualismo é uma condição normal de vida, ou uma posição de anormalidade
encarnatória?

R – Nos estudos do Espiritismo, registramos a menção dos imortais a esses
arquivos que todos os indivíduos portam, com bagagens as mais variadas, que
falam das inumeráveis existências de cada um, assumindo personalidades variadas,
enriquecendo a individualidade, na árdua marcha ascensional para o Criador da
Vida. Há casos em que essas bagagens estão entreabertas e permite se veja as
inclinações homossexuais dos indivíduos. Em outros casos, não obstante as mesmas
inclinações existam, as bagagens se acham de tal forma vedadas, que quase
ninguém percebe, e, várias vezes, o próprio portador dessas tendências garante
que não é nada disso…

Ao perceber-se na criança tais situações, vale a pena conduzi-la a um
acompanhamento psicológico, pelas mãos de profissionais respeitáveis por sua
dignidade profissional, preferencialmente aquele que já admita a realidade da
alma, a fim de que os pais encontrem esse apoio, no sentido de verificar se não
está sendo o próprio lar o reforçador dessas características, quando não o
fomentador. Junto a isso seguirá a orientação espiritista, que a criança irá
absorvendo nas aulas de Espiritismo, ou de Moral Cristã, enquanto se desenvolve
no entendimento das coisas.

No caso de serem adolescentes, será justo que se estabeleça o diálogo
fraternal entre eles e aquele que se apresenta para ajudar, depois de verificar
se dispõe das características de respeito, de paciência, de argumentação lógica
e de autoridade moral para o feito. Depois, vale a pena dar-se conta, quem vai
querer ajudar, de que tem suficiente maturidade para saber ouvir do homossexual
que ele está feliz como é, e que não carece de auxílio. Sim, porque, para
socorrer alguém é preciso ter suficiente humildade de ver rejeitado o socorro
que se quer ofertar.

Há muito chão para caminhar-se no mundo nos campos da psicologia, da
sociologia, da medicina e de outras áreas desconhecimentos, até que se consiga
uma visão perfeita do homossexualismo. À luz do Espiritismo, contudo, seja qual
for a interpretação que se dê no mundo, a questão estará sempre pertinente ao
livre arbítrio do espírito que se decide por adotar esse ou aquele padrão de
comportamento sexual, justificando de mil e uma formas, aludindo a questões
históricas, a contextos genéticos ou sociais, tão somente para exprimir a fase
por que passa o espírito, em sua longa marcha para Deus, escolhendo, por
experiências de acerto e erro, o que o irá alteando, libertando, felicitando, ao
longo dos milênios. Deus mesmo, pelo que vemos, criou corpos masculinos e
femininos.

Tudo mais fica por conta do livre arbítrio humano, sem que se deva falar em
pecados, miséria ou fim do mundo, mas, sim, em experiências do ser imortal.

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