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Elisabeth d’Esperance (1855-1918)

Elisabeth d’Esperance (1855-1918)

«As casas em que os homens viveram e se finaram são todas para os
fantasmas um escolhido lar. Para aí trazem mensagens aos que aqui ficaram, sem
que os seus leves passos possamos escutar. Na porta os encontramos, nas escadas
nós os vemos, ao longo do corredor não cessam de girar, junto a nós alguém se
move, percebemos, porém tão impalpável como a impressão do ar», dizia Longfellow.

D’Espérance é o pseudónimo de uma das mais notáveis médiuns não
profissionais, do século XIX e princípios deste. O seu real nome de família é
Hope, que em inglês também significa esperança.

A biografia de Mme d’Espérance é conhecida sobretudo através do trabalho de
William Oxley, Angelic Revelations; de um livro de Alexander Aksakof, Um Caso de
Desmaterialização (Rio de Janeiro: FEB), e de uma autobiografia da médium,
Shadow Land (No País das Sombras, Rio de Janeiro: FEB).

Mme. d’Espérance publicou muitos artigos na imprensa espiritualista. Três
anos após o Shadow Land ela deu a lume o Northern Lights. Com a deflagração da I
Guerra Mundial, ela viu-se praticamente prisioneira na Alemanha, onde estava a
residir ultimamente. Todos os seus papéis foram confiscados, inclusive o
manuscrito de um segundo volume do Shadow Land. Parece que todos esses trabalhos
foram destruídos.

Mme. Elizabeth d’Espérance casou-se e tornou-se a senhora Reed, em 1874,
passando a morar em Newcastle-on-Tyne. Faleceu em 20 de Julho de 1918, na
Alemanha.

O velho casarão

Na sua primeira infância, d’Espérance viveu num velho casarão, situado na
parte Leste de Londres. Segundo descrição da médium na sua autobiografia, a
casa, então em péssimas condições, fora habitada pela família Crommwell e
conservava, ainda, o seu aspecto de dignidade e superioridade, contrastando com
as construções mais recentes da sua vizinhança.

Inúmeros quartos enormes achavam-se vazios, pois a família d’Espérance era
pequena.

Desde os seus primeiros anos de vida, d’Espérance recordava-se de passar por
experiências que ela própria considerava totalmente normais, e estranhava que as
demais pessoas não as compreendessem.

Ela via os espíritos que circulavam pelo interior do casarão, como se fossem
seus habitantes normais. Quando maiorzinha, ao tentar o relato dessas
experiências às pessoas adultas de suas relações, surpreendia-se ao observar que
não só não lhe davam crédito, como insinuavam que ela poderia estar a tornar-se
louca.

Devido à incompreensão das pessoas mais velhas, d’Espérance teve uma infância
de certo modo infeliz e cheia de incidentes desagradáveis. A única pessoa que
parecia compreendê-la melhor era o seu pai, o comandante de um navio.

Entre os 13 e 14 anos de idade, d’Espérance passava por aguda crise no
relacionamento com a sua mãe. A sua saúde achava-se abalada por isso. Devido à
reacção da genitora, relativamente às suas experiências, criou-se um clima
intolerável para d’Espérance, no seu lar. A situação agravou-se ainda mais
quando, ao ser examinada pelo médico da família, este induziu-a a contar-lhe as
suas experiências, fingindo-se seu aliado. D’Espérance, inocentemente, abriu-se
com o pérfido doutor. Este, após ouvir as suas confidências, maldosamente disse
à pobre garota que as pessoas que tinham visões semelhantes à dela eram
candidatas seguras a findar os seus dias como loucas, metidas num hospício.

D’Espérance abalou-se profundamente com as palavras do médico. A sua saúde
tornou-se ainda mais precária. Agora era o constante temor de estar a tornar-se
alienada mental: ”Pareceu-me que essas palavras me congelavam o sangue nas
veias. Eu não podia deixar de ficar imersa num silêncio cheio de horror. Que
queria dizer tudo isso? Seria esse o segredo do mundo maravilhoso em que eu
havia passado horas tão felizes? Os meus amigos fantasmas não estariam realmente
ali? Teriam razão os que me diziam que os meus fantasmas não existiam e que me
enganava?” (d’Espérance, E. – No País das Sombras, Rio de Janeiro, FEB, 1974,
p.39).

As palavras levianas do médico desumano contribuíram para piorar o estado da
menina d’Espérance: “Dia e noite sofri esse tormento. Ser louca! Que significava
ser louca? Eu pensava em todas as coisas horríveis que me tinham contado, nos
crimes cometidos por maníacos, nos horrores dos asilos de alienados, nas câmaras
acolchoadas, nos ferros, nas camisas de força… e tremia de medo, e pedia a
Deus, quase freneticamente, que me preservasse da loucura”. (Opus cit. p. 39)

D’Espérance havia emagrecido consideravelmente. Empalidecera de modo visível.
Quase não conseguia alimentar-se. Os conflitos com a mãe tinham aumentado a
ponto de ser por esta esbofeteada.

O pai de d’Espérance chegara de viagem justamente nesta ocasião e
impressionou-se com o aspecto da jovem. Ele era o comandante de um navio e
passava grande parte do seu tempo a viajar pelo mar. Vendo o estado de
enfraquecimento da sua filha, decidiu que ela deveria mudar de ar e viajar para
recuperar-se: ”Ela cresce, disse a minha mãe, todas as meninas ficam pálidas e
magras quando têm crescimento rápido”.

Disse o pai: “Eu preferiria que ela não crescesse e estivesse menos pálida e
franzina. Ela devia passear mais, em vez de permanecer aqui, presa aos seus
estúpidos livros e à sua costura. É preciso ver se uma mudança de ares pode
restituir alguma cor a estas faces pálidas”.

“Depois de muitos projectos propostos, discutidos e rejeitados, decidiram
afinal que, na falta de coisa melhor, eu acompanharia o meu pai numa viagem ao
Mediterrâneo, que devia durar dois ou três meses”. (Opus cit. p. 44).

E, assim, d’Espérance partiu, um dia, para uma viagem de excursão pelo
Mediterrâneo, em companhia do seu pai.

O navio fantasma

Na sua autobiografia, d’Espérance considera essas férias no navio o período
mais feliz da sua vida. Tudo correu muito bem. Infelizmente um lamentável
incidente, ocorrido quase no fim da viagem, trouxe fortes dissabores à jovem d’Espérance.
Fizera muito calor durante o dia. O Sol – como descreve d’Espérance –
“sepultava-se num banho de chamas”. O crepúsculo era colorido por variados tons,
e o mar achava-se absolutamente calmo. D’Espérance, em companhia de um jovem
oficial, divertia-se a avistar os navios ao longe e tentando identificá-los. Os
dois encontravam-se no tombadilho e discutiam animadamente. Súbito, d’Espérance
vê aproximar-se rapidamente da proa do seu navio um grande veleiro. Estava tão
próximo que ela distinguia as grandes velas enfunadas e tintas de vermelho pela
luz do sol poente, bem como a sua tripulação circulando pelo convés da nau:

– Olhe, olhe! – bradou, assustada.

– O quê? – perguntou o seu companheiro.

– O navio! Por que não pára? Vamos chocar com ele. Pare, pare! – gaguejou com
terror”. (Opus cit. p. 49).

Para ela o navio estava tão próximo que podiam distinguir-se os homens no
tombadilho; ele aproximava-se perigosamente e com rapidez da sua embarcação. O
oficial procurou conter a menina apavorada, a qual finalmente se desvencilhou e
saiu correndo pelo tombadilho, sendo novamente alcançada e dominada. D’Espérance
cobriu o rosto, esperando a colisão. E como nada ocorria, descobriu os olhos e
avistou novamente o navio que já ia ao longe na esteira das águas cortadas pela
embarcação em que ela se achava. Agora as suas velas eram cor de cinza, porque a
nau se interpunha entre o Sol no horizonte e o seu navio. O veleiro fantasma
havia passado através do seu navio como uma nuvem! Somente a menina o viu.

O pai de d’Espérance foi cientificado do incidente. Ele e a tripulação do
navio não deram mostras de acreditar na história da garota. Esta sofreu muito
com a situação criada. Felizmente para a jovem, as férias já estavam prestes a
terminar, e ela passou melancolicamente os últimos dias da sua excursão que
começara e se desenrolara tão alegremente.

A composição misteriosa

D’Espérance passou cerca de dois anos na escola, durante os quais ficou
liberta dos seus sonhos e fantasmas. Empenhara-se em recuperar o tempo perdido,
pois a sua educação fora, até então, muito descurada. A sua saúde tornara-se boa
e ela gozava de popularidade entre as colegas. D’Espérance fez rápidos
progressos, alcançando facilmente as alunas mais antigas.

Quando chegou a época do término dos estudos, os divertimentos foram
abandonados e deram lugar a intenso trabalho por parte de todas as jovens. Como
as demais, d’Espérance achava-se com as suas tarefas todas prontas e em dia para
os exames finais. Entretanto, um só problema a intranquilizava. Todas deviam
apresentar uma composição sobre o tema «O que é a Natureza».

O prazo de entrega da composição já estava atingindo o seu limite final, e d’Espérance
ainda não conseguira inspiração para desenvolver o tema da composição. À medida
que os dias passavam, aumentava o seu desespero, pois tentava descrever algo
sobre o assunto, e nada! Já nas vésperas do prazo final, ela fez uma das suas
habituais preces pedindo a Deus uma ajuda. Antes de dormir, levou para o
dormitório uma vela, várias folhas de papel e alguns lápis. Tentou escrever
durante a noite, e estava mesmo disposta a ficar sem dormir para rascunhar a
fatídica composição. Mas as suas colegas reclamaram ruidosamente da luz da vela
acesa. O alarido foi tão perturbador que d’Espérance não teve outro remédio
senão apagar a vela e, debulhada em lágrimas, deitar-se disposta a levantar de
madrugada para, numa última tentativa, escrever o seu trabalho.

Pela manhã, d’Espérance acordou na hora normal e ansiosa olhou para os papéis
que ela deixara à noite na mesinha de cabeceira. Estava perdida! Pois não
acordara de madrugada, e não teria mais tempo para apresentar nem mesmo os
rascunhos à professora. Mas qual não foi a sua surpresa ao verificar que as
folhas de papel estavam cobertas com uma escrita exactamente igual à sua letra!
Juntou os papéis e verificou que lá se achava pronta uma belíssima composição
versando sobre o tema!

No momento de julgar as composições, a dela foi posta, pelo reitor e pelas
professoras, fora de concurso pela alta qualidade e pelas circunstâncias como
fora obtida: «O reitor explicou, depois, que ele considerava a minha composição,
que ia ser lida por último, como resposta directa a uma prece. Ele não a tinha
classificado entre as peças correntes, porque isso não seria justo para as
outras alunas; mas não podia deixar de considerá-la como uma honra muito bela,
pelo que ia tomar a liberdade de lê-la em voz alta (Opus cit. p. 65). Desse
modo, d’Espérance obteve a sua aprovação final.

As revelações de uma mesa

Aos 19 anos, d’Espérance contraiu matrimónio com o sr. Reed e foram morar em
Newcastle-on-Tyne. A sua vida sofreu, então, uma brusca mudança. Passou de um
convívio agitado no meio de quatro irmãos menores, dos quais ela era pajem, para
a solidão de uma casa tranquila e sem companhia a não ser o marido e uma ou
outra visita. Os fantasmas voltaram novamente, e com eles o temor de ficar
louca.

Foi nesta ocasião que ela ouviu falar sobre o espiritismo e a mesas girantes.
A sua repulsa inicial cedeu diante da insistência de um casal amigo. Com o
tempo, d’Espérance familiarizou-se com a prática das mesas girantes.

Um episódio fê-la preocupar-se mais atentamente com esse «passatempo» tão em
moda naquela ocasião. A sua mãe encontrava-se doente e necessitando submeter-se
a uma intervenção cirúrgica. Fazia tempo que não tinham notícias do seu pai, e
havia urgência de saber o seu paradeiro para solicitar-lhe o regresso, a fim de
opinar acerca do tratamento que se recomendava à sua mãe. Consultada a mesa,
esta deu correctamente o local em que o seu pai se encontrava. Assim puderam
comunicar-se com ele e trazê-lo de volta para casa. A mesa deu inclusive o nome
do navio em que ele se achava em experiência, visando adquiri-lo: Lizzie Morton,
na cidade de Swansea. Esses nomes eram totalmente estranhos e desconhecidos dos
componentes do grupo que consultava a mesa. A família de d’Espérance acreditava
que ele se encontrasse em Londres e não há dez dias em Swansea conforme a mesa
informara correctamente.

Outro incidente interessante que ocorreu com o mesmo grupo foi o
desaparecimento de um par de abotoaduras que fora colocado sobre a mesa, sem que
os circunstantes dessem conta do instante do sumiço dos objectos.
Posteriormente, por meio de batidas, a mesa informou que o par de abotoaduras se
encontrava num outro cómodo da casa, dentro de um vaso de gerânio. A primeira
busca resultou infrutífera. A mesa insistiu na informação. Resolveram então
extrair a planta junto com a terra, e encontraram as abotoaduras metidas dentro
da trama de raízes do gerânio!

Inúmeros outros factos semelhantes de “apport” foram testemunhados por
d’Espérance e seus companheiros.

Clarividência

As mensagens por meio das pancadas da mesa já estavam a tornar-se monótonas
para o grupo. Resolveram, então, tentar outros tipos de experiência, entre elas
a de clarividência. Uma pessoa do grupo cobria com as mãos os olhos do paciente,
e esse procurava descrever as cenas que lhe ocorriam.

O sr. F. tentou a experiência com diversos componentes do grupo. Os
resultados foram medíocres. Quando chegou a vez de d’Espérance, esta surpreendeu
a todos, descrevendo com minúcia um facto ocorrido 12 anos antes com o sr. F.,
reconhecendo este último na sua visão!

Começou a suspeitar-se que ela era uma poderosa médium. Ela contou aos
companheiros do grupo, as visões dos fantasmas na sua infância e, assim, aquilo
que lhe parecera um indício de loucura foi explicado como sendo características
de forte mediunidade. Embora lhe repugnasse, também, ser uma médium, devido à má
fama que se atribuía a tais pessoas, tendo em vista a sórdida campanha da
imprensa e das religiões dominantes daquela época, d’Espérance resolveu
prosseguir ligada ao seu grupo de amigos. Passaram, então, a tentar outros meios
mais rápidos e eficientes para a comunicação com os espíritos.

A psicografia

Entre as tentativas feitas, a que melhor resultado produziu foi a
psicografia. Logo, d’Espérance tornou-se exímia praticante da escrita
automática. Foi nesta fase da sua carreira que se identificaram alguns dos
espíritos que controlavam as experiências do grupo: Walter Tracey um exestudante
e combatente da guerra civil americana, muito inteligente e jovial; Hummur
Stafford, que se constituiu em filósofo orientador do grupo; e Ninia, uma
garotinha de sete anos. A médium distinguia perfeitamente cada comunicador pelas
sensações produzidas no seu braço e na sua mão.

Outras fases da mediunidade

A mediunidade de d’Espérance desenvolvia-se sucessivamente, à medida que o
grupo tentava novos tipos de experiência. Assim, logo após a psicografia,
tendo-se feito escuridão na sala, d’Espérance percebeu num canto uma figura
luminosa, a qual era vista apenas por ela. A aparição tinha a forma de uma
criança. D’Espérance fez um desenho da mesma. Outros sucessos semelhantes
ocorreram. Breve a notícia espalhou-se em Newcastle e inúmeras pessoas
procuraram assistir às sessões, na esperança de obterem retratos de parentes e
amigos falecidos. Breve ela teve de abandonar esse tipo de actividade, pois
sentia-se muito mal, sofrendo fortes dores de cabeça após as sessões.

Nesta ocasião, um intelectual de Newcastle, o sr. T. P. Barkas, juntou-se ao
grupo e passou a inquirir os espíritos acerca de assuntos científicos. As
respostas vinham sobretudo por meio de Stafford. O nível intelectual das
respostas era tão elevado que normalmente superava os conhecimentos de Barkas.
Stafford surpreendeu o grupo fornecendo, além de tudo, informações minuciosas
sobre futuras conquistas técnicas, entre elas o telefone, que, na ocasião, nem
se suspeitava pudesse vir a existir. Barkas pronunciou conferências sobre as
suas experiências, encerrando-as com uma cujo título era: «Recentes Experiências
em Psicologia. Extraordinária resposta a questões sobre assuntos científicos por
uma jovem senhora de instrução bastante limitada». A jovem senhora era
d’Espérance, que servia como médium psicógrafa.

Devido a uma série de problemas domésticos, perda dos pais e outros
infortúnios, a saúde de d’Espérance sofreu violento abalo. Ela adoeceu
gravemente e foi para o Sul da França para recuperar-se. O seu restabelecimento
foi um verdadeiro milagre, tal a precariedade do seu estado de saúde.

Ela abraçou, então, definitivamente o espiritismo e tomou a decisão de
trabalhar para a conversão das demais pessoas. Todavia, ela logo descobriu,
também, que as suas faculdades não se submetiam à sua vontade.

Na sua viagem de regresso, d’Espérance dirigiu-se à Suécia para visitar o sr.
e a sr.ª F. (membros do seu primeiro grupo). De lá, ela foi com os seus amigos a
Leipzig, na Alemanha, onde conheceu o prof. Zollner. Um pequeno incidente,
quando pretendia ir directo para a Inglaterra, fê-la passar uns tempos em
Breslau, onde ficou a conhecer um grande amigo do prof. Zollner: o prof. Friese.
A amizade entre os dois professores sofrera um abalo pelo facto do prof. Zollner
haver abraçado o espiritismo. Devido a uma nova perturbação da sua saúde,
d’Espérance passou uns meses na casa do prof. Friese. Durante a sua estadia,
fizeram sessões em que o prof. Friese teve a oportunidade de travar conhecimento
com os factos espíritas e com os guias da médium: Walter e Stafford. O resultado
foi a conversão do prof. Friese ao espiritismo, em razão do que ele se viu
compelido a renunciar à sua cátedra na Universidade de Breslau. Devido a este
acontecimento, deu-se a reconciliação dos dois velhos amigos: prof. Zollner e
prof. Friese.

A primeira ectoplasmia

D’Espérance retornou à sua residência em Londres e reconstituiu novamente o
seu grupo, entre cujos componentes estavam os seus antigos amigos, o sr. e a
sr.ª F., e dois outros companheiros do tempo das primeiras experiências.
Montaram no local das sessões uma cabina escura, formada por grossas cortinas.
Sucessivamente, após as psicografias, um dos membros do grupo experimentava
permanecer sozinho dentro da cabina, para ver que fenómenos poderiam advir daí.
Quando d’Espérance se submeteu à experiência, ela teve várias sensações:
“Veio-me depois estranha sensação que algumas vezes tornei a experimentar nessas
sessões. Frequentemente vi outros descreverem essa sensação como sendo idêntica
à que produziriam teias de aranha estendidas sobre o rosto; quanto a mim, porém,
que me analisava com curiosidade, acreditei que de todos os poros da minha pele,
estavam arrancando fios muito finos», (Opus cit. p. 65).

Os «fios» a que se referiu d’Espérance deviam ser o ectoplasma que exudava
através dos poros da sua pele, porque noutra ocasião semelhante deu-se a
primeira manifestação de ectoplasmias conseguida pelo grupo. D’Espérance
achava-se na cabina quando, subitamente, ela ouviu os assistentes exclamarem que
através do vão das cortinas havia assomado o rosto dum homem! Ela perguntou onde
se achava ele, pois na escuridão da cabina não distinguia senão fraca claridade
que saía duma pequena parte entreaberta da cortina. Eles costumavam manter a
sala francamente iluminada pela luz atenuada do gás (naquele tempo não se usava
a luz eléctrica). À sua indagação, explicaram: «É ali, atrás das cortinas. Um
rosto redondo, com olhos negros, bigodes e cabelos castanhos. Olhai, ele ri e
faz sinais com a cabeça. Não podeis vê-lo?» (Opus cit. p. 166).

D’Espérance esforçou-se para ver a aparição. Sentia os joelhos fracos.
Avançou então a cabeça pela abertura da cortina; olhou para o centro e
reconheceu o rosto de Walter «fixando-a com os seus olhos alegres»: «Reconheci-o
logo à luz do gás projectada em cheio sobre o seu rosto; eram absolutamente as
mesmas feições que eu havia visto e desenhado, ainda que em condições
diferentes. «Walter», exclamei. Ele sorriu e fez um sinal de assentimento».
(Opus cit. p. 166).

Foi esta a primeira ectoplasmia obtida graças à mediunidade de d’Espérance.
Posteriormente, Walter conseguiu corporificar-se totalmente saindo da cabina e
caminhando firme até ao centro do grupo. Durante estas materializações, a médium
sentia-se exaurida de forças, porém com extrema lucidez. Walter, sem dificuldade
aparente, era capaz de apresentar-se tão materialmente como uma pessoa comum.

Iolanda

Depois de Walter ter aprendido bem a controlar o processo de materialização,
ele passou a ajudar outros espíritos a materializarem-se. Um deles logo pareceu
dispensar a ajuda de Walter: «… foi Iolanda, uma rapariga árabe de 15 ou 16
anos, como Walter nos disse, e que se tornou uma das principais figuras das
nossas sessões; era uma morena esbelta, cuja graça e naturalidade faziam o
encanto e a admiração do nosso grupo». (Opus cit. pp. 181-182).

Iolanda demonstrava uma curiosidade sem limites. Mexia em tudo e examinava
todos os objectos. Ela gostava muito de coisas brilhantes e vistosas. Certa
ocasião, uma das senhoras que frequentavam as reuniões, trouxe uma faixa
brilhante de seda, da Pérsia. Iolanda encantou-se com a faixa, tomou-a e
colocou-a sobre os ombros sem querer mais deixá-la. Terminada a sessão, Iolanda
desapareceu e, com ela, a faixa. Na sessão seguinte, Iolanda surgiu sem a faixa.
Inquirida acerca da peça, ela agitou as suas mãos no ar, tocou no seu próprio
ombro, e logo a faixa aí apareceu. Inquirida onde ficava o objecto quando ele
desaparecia juntamente com ela, Iolanda respondeu «que a faixa nunca havia saído
da sala, e que só não podíamos vê-la por sermos cegos».

Um grave incidente

Durante vários anos o grupo funcionou e, durante seguidas sessões, puderam
assistir a inúmeros tipos de fenómenos. Entre eles o «apport» de vegetais vivos
e inteiros como uma Ixora Crocata, um imenso lírio dourado e diversas outras
plantas. Iolanda era quem produzia estes «transportes». Os espíritos
materializados multiplicavam-se em número e variedade.

Certa ocasião, um dos convidados, indivíduo de mau carácter, suspeitando que
tais materializações eram falsas, tentou agarrar Iolanda e sujeitá-la. O
resultado foi desastroso, pois ocorreu um reflexo na médium, a qual teve uma
hemorragia pulmonar e ficou gravemente enferma.

Conclusão

Muitas outras passagens de grande interesse deveriam ser alinhadas aqui, não
fora a limitação de espaço. A vida de Elizabeth d’Espérance é um dos exemplos
mais brilhantes da carreira de inauditos sacrifícios de uma verdadeira médium
missionária. As suas lutas e contribuições ao campo da fenomenologia paranormal,
colocam-na em lugar de proeminência no panteão dos médiuns de escol que vieram
trazer as bases experimentais da parapsicologia, nos fins do século XIX e
começos deste.

Recomendamos a leitura da sua autobiografia, contida na obra de sua autoria
«No País das Sombras», da qual extraímos estas ligeiras notas. .

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