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Espiritismo, Coisa do Demônio?

Espiritismo, Coisa do Demônio?

Sou espírita. Respeito todas as religiões que têm Deus como o Pai maior. Vejo
os integrantes das demais religiões como diletos irmãos. Nem poderia ser
diferente. Se somos filhos do mesmo Deus por que o fato de professarmos
diferentes religiões impediria vermo-nos como irmãos?

E como irmão do caro leitor, aproveito desta oportunidade para trazer à tona
alguns conceitos – ou preconceitos – equivocados em relação ao espiritismo.

Caro irmão-leitor, não tenho o intuito de convertê-lo ao espiritismo. Se você
se encontrou no catolicismo ou no protestantismo para que mudar de religião?

Nós, espíritas, muito valorizamos o catolicismo. Podemos dizer que o
catolicismo é a religião-mãe. Se não fossem a força, a coragem, a fé e a
determinação dos primeiros católicos as palavras do nosso Mestre Jesus não teria
chegado aos nossos dias. A humanidade muito deve ao catolicismo.

Também respeitamos e valorizamos o protestantismo. Quando o homem ficou mais
preocupado com a religião externa, isto é, mais valorizava a forma do que o
conteúdo, foi o protestantismo que chacoalhou uma situação de inércia e reavivou
as palavras do Mestre.

Mas por que alguns – não todos – católicos e protestantes, nossos diletos
irmãos, insistem em dizer que o “o espiritismo é coisa do demônio”?

Jesus disse “Pelos frutos conhecereis a árvore”.

Os espíritas, como outros religiosos, têm como sua principal meta procurar
seguir, com as limitações próprias da natureza humana, os preceitos de Jesus em
sua máxima “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Que demônio é este que inspira aos espíritas o amor a Deus e ao próximo?

Os espíritas, como outros religiosos, acreditam na realidade maior da vida:
“fora da caridade não há salvação”.

Que demônio é este que inspira aos espíritas fazer a caridade ao próximo?

Os espíritas têm por princípio a valorização e o respeito às demais
religiões, todas consideradas como diferentes ferramentas idealizadas pelo mesmo
Arquiteto.

Que demônio é este que inspira aos espíritas a fraternidade e a solidariedade
entre integrantes de religiões muitas vezes sustentadas em dogmas ou em faces da
verdade conflitantes entre si?

Que demônio é este que, onde há divergência de opiniões, procura unir em vez
de semear a discórdia?

Os verdadeiros espíritas, aqueles que seguem os preceitos máximos da
doutrina, tem como rotina em sua vida o esforço pela sua transformação moral.
Isto é, conhece-se o verdadeiro espírita pelo seu contínuo esforço em
transformar-se moralmente.

Que demônio é este que inspira aos espíritas constante preocupação com sua
elevação moral?

Caro irmão-leitor, reflitamos:

Que demônio é este que fala em amor, caridade, solidariedade, fraternidade e
em transformação moral?

Só não vê, como disse nosso Mestre Jesus, quem não tem olhos para ver.

Por favor, não entenda que o objetivo deste artigo é a sua conversão. Se é
você um bom católico, continue a sê-lo. Se você professa uma das diversas
religiões protestantes, continue na sua convicção. Mas se você é dos que dizem
que “o espiritismo é coisa do demônio” procure – sem abandonar sua religião –
pelo menos estudar alguns livros espíritas. A critica gratuita, sem análise, sem
profundo estudo, não deve fazer parte de nossos atos. Dê a si mesmo o direito de
conhecer melhor o seu objeto de crítica. Estude.

É importante dizer que a denominação “espiritismo” assumiu conotações que não
correspondem à real essência da doutrina codificada pelo educador Allan Kardec,
e que se sustenta no evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.

No espiritismo não há queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, imagens
ou outros rituais. Muitas pessoas, não espíritas, muitas pessoas mesmo, imaginam
– sem antes pesquisar – que o espiritismo manifesta-se por tudo que nele não
existe, como os exemplos citados ( queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias,
culto a imagens, rituais, etc. ).

Muitas religiões que se autodenominam Espiritismo, não o são de fato.

O templo do espiritismo é o templo do estudo, do amor e da caridade.

Outras pessoas, como você, também não acreditavam ou tinham uma opinião
deformada do espiritismo.

William Crookes, o extraordinário pai da Física contemporânea, o homem que
descobriu o tálio, a matéria radiante, a quem se deve os pródomos da Física
Nuclear da atualidade chegou a dizer textualmente:

“Eu era um materialista absoluto e, depois de investigar em profundidade
científica os fenômenos mediúnicos, eu afirmo que eles já não são possíveis:
eles são reais!”

César Lombroso, depois de examinar a mediunidade de Eusápia Paladino disse
estas palavras:

“Quando me lembro do que eu e meus colegas zombávamos daqueles que
acreditavam no Espiritismo, coro de vergonha, porque hoje eu também sou
espírita! A evidência dos fatos dobrou a minha convicção negativa”.

E ainda Cronwell Varley, o que lançou sobre o mundo as linhas da telegrafia e
da telefonia internacional, os cabos transoceânicos, teve a coragem de dizer:

“Somente negam os fenômenos espíritas, aqueles que não se deram ao trabalho
de os estudar. Eu não conheço um só exemplo de alguém que os haja estudado, que
não se tenha rendido à sua evidência”.

Não. Não precisa tornar-se espírita. Mas estude o espiritismo antes de
criticá-lo.

E lembremo-nos que todos, independentemente de religiões, somos filhos do
mesmo Deus e devemos irmanarmo-nos, unirmo-nos pelo bem comum, pelo amor ao
próximo, pelos atos de solidariedade humana.

Ninguém é dono da Verdade Absoluta. Todas as religiões sérias são de Deus.
Deus se manifesta de muitas formas e através de diversas religiões.
Respeitemo-nos mutuamente, cheguemo-nos mais pertos um do outro, só assim
seremos dignos de sermos chamados filhos de Deus.

Para encerrar, leiamos a letra abaixo, musicada pelo admirável
católico-cantor Padre Zezinho, que é um hino ao respeito e à união dos
seguidores das mais diversas religiões:

CANÇÃO ECUMÊNICA:

“Que todos nós,
que acreditamos em Deus,
saibamos viver em paz e dialogar!
Que todos nós,
que cremos que Deus é Pai,
saibamos nos respeitar e nos abraçar!
Filhos do Universo,
filhos do mesmo amor,
saibamos ouvir uns aos outros,
ouvir o que o outro nos tem a dizer.
E, sem combater,
sem desmerecer,
primeiro escutar,
depois discordar,
por fim celebrar e orar.
E adorar e servir a Deus.
E ajudar e ajudar as pessoas…
e respeitar os ateus!
… pra sermos filhos de Deus”.

 

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