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Ética e Responsabilidade

Ética e Responsabilidade

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade;
3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e
Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia
Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no
sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o
problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro
da sociedade.

2. CONCEITO

Ética – do gr. ethos significa
originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do
homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido,
proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A
morada
, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos,
o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos
enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído
ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989)

Responsabilidade – do lat. responsabilitas, de respondere
= responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de
justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável.
Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é
responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas
responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça.
(Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo)

Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com
relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal
que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO

3.1. ANTIGUIDADE

Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de
comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas
destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e
tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os
chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas
esotéricas
de comportamento ético.

A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego. Sócrates,
Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. Sócrates dizia que a
virtude é conhecimento; e o vício, é o resultado da ignorância. Então, de acordo
com Sócrates, somente a educação pode tornar o homem moralizado. Platão
estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta
às idéias (eide) superiores, análogas à forma do bem. Aristóteles deu à
ética bases seguras. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de
conformidade com a razão, e que a virtude é o caminho dessa felicidade, e esta
implica, fundamentalmente, a liberdade.

3.2. IDADE MÉDIA

Na Idade Média, os valores éticos são condicionados pela religião cristã,
especificamente o Catolicismo. A Patrística e a Escolástica são os seus
representantes. Nesse período, dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. O
Pai, o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. Jesus, que é
filho e Deus ao mesmo tempo, torna-se o grande arauto de uma nova ética, a ética
do amor ao próximo. Porém, essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de
seus representantes, que distorcem a pureza do cristianismo primitivo.

As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. Contudo, no século XVI
começou a sofrer a pressão do Protestantismo, ou seja, a reação de algumas
Igrejas às determinações da Igreja de Roma. Para os protestantes, a ética não é
baseada na revelação, mas nos valores éticos, examinados e procurados de per si.
A revelação religiosa pertence à religião. O filósofo ético deve procurar os
fundamentos ontológicos dessa disciplina, tão longe quanto lhe seja possível
alcançar.

3.3. IDADE MODERNA

Kant, o quebra tudo, surge nesse contexto. Para Kant a Ética é autônoma e não
heterônoma, isto é, a lei é ditada pela própria consciência moral e não por
qualquer instância alheia ao Eu. Como vemos, Kant dá prosseguimento à construção
da própria moral. Não espera algo de fora. Aquilo que o homem procura está
dentro dele mesmo. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. Depois destes,
surgem Scheller (1874-1928) , Müller, Ortega y Gasset etc., que penetram na
ética axiológica, ou seja, estuda a ética do ângulo dos valores. (Santos, 1965)

4. ÉTICA E MORAL

Ética – do grego ethos significa comportamento; Moral
do latim mores, costumes. Embora utilizamos os dois termos para
expressarmos as noções do bem e do mal, convém fazermos uma distinção: a Moral é
normativa, enquanto a Ética é especulativa. A Moral, referindo-se
aos costumes dos povos nas diversas épocas, é mais abrangente; a Ética,
procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes, é mais
específica. Pode-se dizer, que a Ética é a ciência da Moral.

Ética e Moral distinguem-se, essencialmente, pela especulação da Lei. A
Ética, refere-se à norma invariante; a Moral, à variante. Contudo,
há uma relação entre ambas, pois a sistematização da segunda tem íntima relação
com a primeira.

O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio?
Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é
que ela é heterônoma, isto é, veio de fora do “eu”. Deus seria o autor da
norma. Liga-se, assim, Filosofia e Religião. Para os cristãos, as normas éticas
estão centradas nos Dez Mandamentos; a resposta dos imanentistas é que
ela é autônoma, isto é, surge das tensões das circunstâncias. (Santos,
1965)

5. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE

A autodeterminação expressa a essência do ser. É o poder que temos de
atualizar nossas virtualidades. O pensamento científico auxilia, mas são os
aspectos psicológicos, ideológicos, religiosos e filosóficos que emprestam o
maior peso à nossa deliberação na vida. As virtualidades podem ser ativas
e passivas. Se ativas, já estão determinadas de uma forma; se
inativas
, sabemos que estão em ato sob uma forma, mas que podem ser
assumidas de outra forma, isto é, que são especificamente diferentes do que
podem ser.

A ação humana, embora restrita à responsabilidade pessoal, tem como objetivo
o interesse público. A vivência, semelhante à do eremita no deserto, é uma
exceção. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na
transcendência
do outro. Em realidade, é a criação de condições para que o
outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado.

O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto.
Deixar-se guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo.
Segundo Sócrates, o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão, que se eleva
acima do consenso da opinião da multidão, para atingir o nível da objetividade
própria do saber demonstrativo. A autonomia, assim, não se realiza na solidão,
mas se consolida pelo contato entre os seres humanos.

A lei é o farol da ética. Sua origem etimológica encontra-se no termo
nomos
de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. Nomos
vem do verbo nemo que significa dividir, repartir com outro,
sugerindo a idéia de justiça. Dessa forma, as ações individuais no cumprimento
dos deveres, devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. Por isso,
Voltaire afirma com veemência: “Não concordo com o que você diz, mas defenderei
o direito de você dizê-lo até o fim”. (Nogueira, 1989)

6. COMPORTAMENTO ÉTICO

A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. O verdadeiro
exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe.
É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da
atualização do ser. Assim, não é agir de qualquer jeito, mas de forma ordenada,
generosa, que promova a pessoa e os direitos do outro, sobretudo quando esses
direitos são espezinhados.

O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem,
mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. É o exercício da
paciência em todos os momentos da vida, a tolerância para com as faltas alheias,
a obediência aos superiores em uma hierarquia, o silêncio ante uma ofensa
recebida.

7. CONCLUSÃO

A Ética, a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser.
Acostumados a confundir os meios com os fins, não conseguimos visualizar
claramente o fim último da existência humana. Por isso, o erro crasso de
conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. O fim do
homem é, pois, o de realizar, pelo exercício de sua liberdade, a perfeição de
sua natureza. Implica, muitas vezes, a obediência à vontade de Deus,
contrariando a própria, se assim delimitar, o dever, imposto pela sua
consciência.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio
    de Janeiro, M.E.C., 1967.
  • FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de
    Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.
  • NOGUEIRA, J. C. Ética e Responsabilidade Pessoal. In MORAIS, R. de.
    Filosofia, Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). Campinas, SP, Papirus,
    1989.
  • SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3.
    ed., São Paulo, Matese, 1965.

 

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