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Evocações, o certo e o errado

As evocações dos Espíritos podem causar danos aos evocadores.
CERTO – Os grupos inexperientes podem ter dificuldades com os Espíritos
evocados, caso eles sejam de natureza má. Por isso, é aconselhável evitar-se por
um certo tempo as práticas evocatórias, até que já esteja garantida uma condição
moral mínima e uma certa experiência no relacionamento com o mundo invisível.

Allan Kardec evocava Espíritos porque era missionário e tinha que preparar
a Codificação.

ERRADO – Em nenhum momento o Codificador ou os Espíritos que trabalhavam com ele
deixaram transparecer tal idéia. Na prática do Espiritismo kardequiano as
evocações são uma rotina que se liga ao tratamento da obsessão, às pesquisas
mediúnicas e à busca de informações sobre a situação de certas entidades no
mundo invisível.

Por causa da evolução da humanidade, hoje não são mais necessárias as
evocações.

ERRADO – Aqueles que afirmam tal coisa, geralmente são adeptos que não trabalham
em centros espíritas, nem possuem noção dos métodos utilizados para atenderem a
necessidade da massa sofredora. No Brasil há muitos teóricos dando opiniões em
setores dos quais não possuem qualquer conhecimento prático. Há várias situações
em que a evocação, quando bem utilizada, produz benefícios salutares.

Nas evocações, o telefone toca daqui para lá e não de lá para cá.
EM TERMOS – Este slogan foi criado por Francisco Cândido Xavier para justificar
a impossibilidade de atender o grande número de pessoas que o procuravam,
solicitando mensagem da parentela desencarnada. Nada tem a ver com as evocações.

Só devemos evocar os Espírito em condição de muito respeito.
CERTO – Aliás, não se deve praticar Espiritismo sem o posicionamento moral
sadio. A Doutrina é fonte de abençoadas realizações mas pode tornar-se causa de
graves contaminações obsessivas. Nunca são demais as medidas que possam prevenir
a obsessão e a interferência nos trabalhos de Espíritos obsessores.

Não se pode fazer evocações visando interesses particulares.
EM TERMOS – Kardec não nos aconselha fazermos evocações para atender a
interesses materialistas. Mas diz que é perfeitamente possível solicitar
informações sobre a situação de desencarnados para confortar parentes em estado
de sofrimento. Hoje, há no país vários grupos que produzem mensagem semelhantes
às de Chico Xavier. Exageros à parte, é mais um serviço que a Doutrina presta no
sentido de confortar e esclarecer quem sofre.

Não precisamos fazer evocação oral, porque nós já a fazemos mentalmente.
ERRADO – Raciocínio simplista, que não encontra fundamento na Codificação.
Ninguém pode ter certeza que o pensamento de alguém seja capaz de gerar a
condição vibratória e moral para que o evocado atenda seu desejo. Kardec mostra
que em alguns casos essa evocação mental acontece, mas não se trata de uma regra
geral. Ele aconselha, inclusive, que se evoque com muito fervor para que a
manifestação aconteça.

Há fatores que devem ser levados em consideração para o sucesso das
evocações.

CERTO – São eles: a condição moral da pessoa ou grupo que evoca, o local onde
ela evoca e a finalidade da evocação. Alguém sem a condição moral mínima para
realizar trabalhos práticos, pode sofrer influência de Espíritos menos
esclarecidos ou galhofeiros. Haverá menos possibilidade disso acontecer com
espíritas melhorados.

Os Espíritos podem não atender nosso chamado.
CERTO – Existem duas causas para um Espírito não atender a evocação. Uma delas,
se prende à sua própria situação no plano invisível. Ele pode estar ocupado com
alguma missão ou tarefa; pode estar encarnado; ou simplesmente não desejar se
manifestar. A outra, se prende aos evocadores. A condição do evocador pode não
ser ideal; o meio onde está sendo feita a evocação, inadequado; uma finalidade
fútil etc.

Para as evocações são necessários médiuns especiais.
EM TERMOS – A teoria de O Livro dos Médiuns explica que para respostas precisas,
são necessários médiuns positivos e eles são raros. Mas, para se atender às
evocações, basta que contemos com médiuns flexíveis, mais facilmente
encontrados. Em termos práticos o que se sabe é que deve haver uma certa
afinidade fluídica entre o Espírito e o médium. A condição de um médium permite
que ele atenda manifestações que variam dentro de uma determinada faixa. Alguns
deles, por um posicionamento mental inadequado ou por causa de sua
característica de personalidade, tende a receber só um tipo de desencarnado. O
Codificador mostra que esta não é uma situação normal. Uma equipe de cinco ou
seis médiuns educados, oferecerá possibilidades para se realizar quase todos os
tipos de evocações, menos as de respostas precisas. Chico Xavier é um médium
positivo que se presta e este tipo de atividade.

As manifestações espontâneas são menos perigosas que as evocações.
ERRADO – Allan Kardec mostra justamente o contrário. Ele diz que a evocação
traça laços entre o evocador e o evocado, que impedem ou pelo menos limitam a
interferência de um mistificador. O Codificador preferia trabalhar com as
evocações.

Allan Kardec desprezava as manifestações espontâneas porque elas não
tinham valor de autenticidade.

ERRADO – Allan Kardec dizia que os grupos deveriam trabalhar com os dois
métodos, pois deixar de praticar um deles só traria desvantagens para a
sociedade. Há belas coisas que se consegue com as comunicações livres e outras
que não se pode fazer sem as evocações. Uma sociedade madura, trabalha com a
espontaneidade das comunicações e utiliza as evocações quando são necessárias.

Não é sempre que os Espíritos estão às nossas ordens.
CERTO – A liberdade de evocarmos os Espíritos não quer dizer que eles estejam às
nossas ordens. Devemos fazer as evocações nominais com humildade, sem nada
exigir. Não temos domínio sobre o mundo invisível que, malgrado nosso, tem suas
próprias leis. Evocamos nominalmente e aguardamos a ação dos instrutores
espirituais. Se o Espírito não vier, deve ter havido um motivo justo para isso.
Se a equipe quiser saber a causa, peça que um dos amigos invisíveis esclareça.
Seria bem tolo aquele que acreditasse ter os Espíritos sob o seu jugo.

A superioridade moral é imprescindível para as evocações.
CERTO – A superioridade moral não significa um estado de santidade. Mas é
preciso sermos moralmente ao menos melhores que os homens comuns. De outro modo,
não haverá autoridade para falar com os Espíritos. Essa condição não é
necessária só para as práticas evocativas, mas é também de relevante importância
no relacionamento com as manifestações espontâneas, com o público encarnado etc.
A moral é fator preponderante no sucesso das atividades espíritas.

Emmanuel proibiu as evocações.
ERRADO – Ninguém disse que ele proibiu as evocações. O que os estudos
demonstraram é que sua opinião, embora respeitável, contraria as instruções da
Codificação e o que o próprio Kardec pensava sobre o assunto. Quem criou essa
idéia de que alguém teria dito que Emmanuel proibira as práticas evocatórias foi
o articulista mineiro Jarbas Leone Varanda, num artigo em que procurava defender
o Espírito, publicada na revista Reformador, editada pela Federação Espírita
Brasileira.

Chico disse que não se sente em condições morais para evocar os Espíritos.
CERTO – Stig Roland Ibsen, livreiro em São Paulo, afirmou ter ouvido do médium
esta afirmativa. Se foi isso que Chico disse, tal fato deve ter se dado em
virtude de sua conhecida humildade. Uma posição pessoal, respeitável a toda
prova, mas que não deve se tornar regra para os praticantes do Espiritismo.

Os artigos sobre evocações são uma ação das trevas visando atingir o
trabalho do médium Francisco Cândido Xavier.

ERRADO – Quem lançou esta idéia no movimento foram dois apaixonados admiradores
de Chico Xavier, Jarbas Leone Varanda e João Cuin, ambos moradores de Uberaba,
MG. Como a análise da mensagens que falam sobre o assunto no livro O Consolador
mostrava uma patente contradição doutrinária entre o espírito que assinou
Emmanuel e Kardec, eles tomaram o trabalho como uma ofensa ao médium e passaram
a dizer o médium estava sendo alvo do mal.

Emmanuel disse para não evocarmos Espíritos porque ele achava que o
movimento não tinha condição para essas práticas.

ERRADO – Ele disse que não aconselhava a evocação em circunstância alguma. Não
explicou nada sobre a situação do movimento. Pode ser que estivesse fazendo uma
previsão sobre o futuro. Mas, ao que se sabe, tal entidade nada fez para mudar o
estado primário das práticas que, desde sua manifestação, mantém-se com a mesma
mentalidade. Se fosse uma questão de condição moral e experimental, o Espírito
deveria ter mostrado onde estavam as deficiências e quais seriam os meios para
saná-las.

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