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A evolução na educação dos espíritos, filhos nossos

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Enéas Canhadas

Quando um filho começa a nos preocupar por causa dos seus comportamentos, ou por causa das companhias em que está andando ultimamente, é mais fácil tratarmos os possíveis problemas como incômodos, ocorridos justamente, num momento em que não temos tempo para nos preocupar com essas coisas. Tratamos como um acontecimento, aparentemente, fortuito ou momentâneo, muito longe de compreendermos que estamos incumbidos de educar um Espírito, que vive um momento de aprendizado, junto conosco, em nossas casas e em nossas vidas. Mais ainda, esse Espírito, tornou-se uma pessoa que precisa de educação – entenda-se que precisa ser contido ou disciplinado – senão, poderá fazer coisas das quais vamos nos culpar, se sentirmos que não fomos responsáveis na nossa tarefa e na responsabilidade de pais. De outra forma, vamos nos sentir derrotados porque não fomos capazes de dar conta da tarefa.

O Espírito está em aprendizado ou reciclagem de aprendizados que não foram muito bem fixados em vidas passadas. Está evoluindo, crescendo em estatura moral, também intelectual, em busca de equilíbrio que lhe trará competência para saber ponderar e ser ele mesmo e com tudo isso, tornar-se um pouco mais espiritualizado.

A espiritualização não vem da prática de nenhuma religião nem de conversões miraculosas. A espiritualização vem de um degrau a mais na compreensão de que somos Espíritos mais lúcidos e conhecedores de nós mesmos e da história que nos situa e inclui na noção de eternidade: presente, passado e futuro.

A espiritualização vem de compreendermos que o nosso livre arbítrio evolui de acordo com o desenvolvimento da nossa inteligência e das nossas virtudes, e constitui um nível de consciência de quem somos. Esse nível de consciência pode ser verificado pelo maior ou menor equilíbrio que possuímos em atitudes saudáveis espiritual, moral, emocional e intelectualmente, em favor de nós mesmos e dos outros. Outra forma é o grau de ciência que possuímos e do qual nos apropriamos mais ou menos, conforme reconhecemos em nós, sem precisarmos nos esconder pelas conseqüências que essa consciência possa trazer a respeito do nosso caráter ainda tosco, ou do Espírito ainda limitado nas suas realizações porque é, constantemente, assaltado pelas intenções impulsivas ou de satisfação imediata.

A espiritualização vem de saber que nos sincronizamos com as leis naturais. Podemos até mesmo ousar dizer e pensar que as leis naturais representam Deus ou, na sua essência, significam Deus em nós e que assim estamos em Deus. É bom lembrar quais são elas: A Lei de Adoração que consiste na elevação do pensamento a Deus. A Lei do Trabalho, porque tudo trabalha na Natureza e tudo que é útil é trabalho. A Lei de Reprodução porque a reprodução de tudo que vive é tão natural quanto evidente. A Lei de Conservação porque viver está posto como necessidade. Não é possível não viver. A Lei de Destruição porque tudo renasce, se regenera e recicla, assim renova-se para a melhoria. A Lei de Sociedade porque nenhum Espírito goza do privilégio de possuir todas as faculdades. Espelhar-se uns nos outros é condição de sócio comanditário na trajetória evolutiva. A Lei do Progresso, necessária “porque no estado natural, somos primitivos e a lei natural rege toda a condição humana e o homem progride na medida em que melhor compreende e melhor pratica essa lei” (LE)”. A Lei de Igualdade porque todos tendem para o mesmo fim e as leis são para todos. A Lei de Liberdade porque a Liberdade, esta sim, está colocada como natural. Lei de Justiça, Amor e Caridade porque “está posto no coração do homem que o sentimento de injustiça é revoltante” (LE) e, de alguma maneira, em algum tempo, será insuportável não ser justo e viver em paz. Todas essas leis culminam na Perfeição Moral pois “todas as virtudes são indícios de progresso no caminho do bem (LE)”.

Para desempenhar papel de relevância e real importância na educação dos nossos filhos , precisamos cuidar, antes ou simultaneamente da sua pessoa, isto é, da personalidade, por ele adotada para viver esta vida, ao mesmo tempo em que é um Espírito, habitando um corpo e ligado a nós pelos laços familiares, consangüíneos ou de amizade, formas variadas para viver os encontros e os desencontros, ajustes e reajustes da grande família universal.

Podemos entender a personalidade como se fosse uma aproximação de uma lente, um “zoom” que o Espírito faz estabelecendo um foco para esta encarnação. Alguém comparou a encarnação a um capítulo de um livro que precisamos estudar mais profundamente, mas o livro tem muitos outros capítulos, conteúdos que deverão ser estudados um dia. O Espírito tem uma história que, vista na linha do tempo, dá-se horizontalmente. Mas uma encarnação é uma verticalização da experiência de existir.

Sabemos que, em cada uma das vidas vividas, o Espírito passa por uma série de experiências. Podemos entender com facilidade, como ele vai incorporando valores intelectuais, morais, éticos, estéticos, religiosos e assim por diante. As muitas personalidades dessas vivências somam-se numa síntese integral, formando uma unidade em torno do “Self”. Para não ficar apenas no uso de um termo da Psicologia, podemos traduzir por uma expressão que se aproxima desse sentido, ou seja, o si-mesmo. O si-mesmo ou o “Self” é, na verdade, o Espírito, que Jung chama de alma, responsável por toda a atividade psíquica do ser humano.

A tarefa dos pais pode ser definida como a função de modular as personalidades a eles confiadas para educação, ajudantes que são na construção dos Espíritos, pois somos a somatória de todas as experiências passadas. As muitas interferências do que já fomos ou fizemos em vidas passadas estão novamente em evidência ou sendo retomadas na personalidade atual. As personalidades pretéritas influenciam e até complementam os comportamentos que expressamos na atualidade.

Vivemos falando em vibrações. Precisamos decidir se, cremos nas vibrações como um fenômeno concreto e que interfere nas nossas vidas e na maneira como nos relacionamos, ou se usamos esse conceito apenas para nos referir às intenções que adicionamos aos nossos pedidos e preces. Podemos dizer que tudo vibra no universo. É por isso que ouvimos o canto dos pássaros e também o barulho do vento. O ar que respiramos que compõe a atmosfera em que vivemos é um imenso tanque de moléculas de oxigênio. Por isso tudo vibra e ressoa daqui para lá e de lá para cá. Como no oceano onde as baleias, golfinhos, tubarões e todos os animais se comunicam como se fosse o nosso ar, só no caso do mundo aquático lá temos duas moléculas de oxigênio para cada uma de hidrogênio, que constitui a fórmula da água (H2O). Sendo assim, no ensina Emmanuel que a nossa voz e as ações que praticamos estão impregnadas de magnetismo indutivo, operando transformações para o bem ou para o mal, segundo a natureza das manifestações. Emmanuel nos faz lembrar que as crianças possuem aparelhagem neurocerebral, absorvendo os reflexos das mentes que as rodeiam, fixando-as em si próprias como elementos básicos de conduta.

Será que levamos em conta a vibração que a babá vai emitir ao cuidar de nossos filhos? Ou as vibrações da nossa empregada doméstica que estará uma boa parte do dia convivendo com eles na nossa ausência? Será que já paramos para pensar sobre as vibrações que emitimos com as nossas vozes e também com as nossas ações? E quanto à educação para a espiritualização, será que levamos em conta quanto as nossas vibrações inspiram atitudes de reverência e sintonia com o caráter divino e com a nossa condição de seres espirituais.

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