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Pródromos da terceira explosão da onipotente bondade

Todos os grandes movimentos de regeneração do Espírito humano tiveram o que
podemos chamar de “rudimentos premonitórios”, que, de certa forma, lhes
antecederam o advento.

A estrada pavimentada e bem sinalizada onde – lépidos e fagueiros – viajamos
através da Ciência, Filosofia e Religião Espíritas, recebeu, através dos
milênios que se perdem na noite dos tempos, o concurso dos trabalhadores que
preparavam cada etapa, desde os trabalhos rudes e ingratos dos pioneiros até os
quintessenciados dos tempos hodiernos, onde vanguardeiros de valor –
abnegadamente – se esfalfam no mister da divulgação do Espiritismo, que outra
coisa não é senão o “Consolador” que o Pai Celestial nos deu pela intermediação
de Jesus.

Moisés e outros que o antecederam foram os trabalhadores da base e através
dos milênios seguiram-se outros mais ou menos evidenciados pela História, como
Sócrates e Platão, que larga contribuição doaram em favor da estruturação dos
tempos novos. João Batista preparou os caminhos, endireitando-os para o Mestre
Maior: Jesus!… E Ele, por Sua vez, anunciou o advento do outro “Consolador”
que viria, mais tarde, aplacar a sede de conhecimentos e pensar as chagas
purulentas causadas pelo egoísmo e pela ignorância.

Há tempo para tudo, conforme diz o Eclesiastes. Quando chega o tempo do
surgimento de mais um capítulo na história da evolução do homem, os sinais
precursores não se fazem esperar . Os fenômenos que antecederam o eclodir da
Terceira Revelação se fizeram sentir no tempo próprio.

É interessante verificarmos como o “ambiente” fica impregnado com as
vibrações do acontecimento que virá.

Assim, não nos causa surpresa a publicação levada à lume em 1821 e inserta na
“Revue Spirite” do mês de abril de 1867, intitulada: “Soires de
Saint-Petersbourg”, de autoria do conde Joseph de Maistre, onde, em certa altura
ele narra:

“(…) Vossos missionários sem dúvida fizeram maravilhosos esforços para
anunciar o Evangelho nalgumas dessas regiões longínquas, mas vedes com que
sucesso! Quantas miríades de homens que a Boa Nova jamais atingirá ! Não está
expulso inteiramente da África e da Ásia o Cristianismo? E em nossa Europa, que
espetáculo se oferece ao olho religioso!… (Segundo recentes estatísticas, na
França, por exemplo, apenas 3% da população possui religião).

Contemplai esse quadro lúgubre; juntai a espera dos homens escolhidos, e
vereis se os iluminados estão errados ao encarar como mais ou menos próxima
uma terceira explosão da onipotente bondade em favor do gênero humano”

(tornamos a lembrar que essas palavras foram escritas em 1821, e o Espiritismo
codificado data de 1857).

“Eu não terminaria”- continua o conde – “se quisesse reunir todas as provas
que se reúnem para justificar essa grande espera. Ainda uma vez, não censureis
as pessoas que disto se ocupam e que vêem na Revelação as mesmas razões para
prever uma revelação da revelação.” (Bem entendido que ele está se
referindo ao Cristianismo e ao Espiritismo, respectivamente, porque o
Espiritismo é na verdade uma Revelação da Revelação que é o Cristianismo).

“Se quiserdes, chamai esses homens de iluminados; estarei inteiramente de
acordo convosco, desde que pronuncieis este nome seriamente.

Tudo anuncia, e vossas observações o demonstram, não sei qual a grande
unidade para a qual marchamos a grandes passos .

Não podeis, pois, sem vos pôr em contradição convosco, condenar os que de
longe saúdam esta unidade e tentam, conforme suas forças, penetrar mistérios tão
terríveis, sem dúvida, mas ao mesmo tempo tão consoladores para nós.

E não digais que tudo está dito, que tudo está revelado e que não nos é
permitido esperar nada de novo. Sem dúvida, nada nos falta para a salvação. Mas,
do lado dos conhecimentos divinos, falta-nos muito; e quanto às manifestações
futuras, como vedes, tenho mil razões para confiar, ao passo que não tendes
nenhuma para me provar o contrário .O hebreu que cumpria a lei não estava em
segurança? Citaria, caso fosse preciso, não sei quantas passagens da Bíblia que
prometem ao sacrifício judaico e ao trono de David uma duração igual à do Sol. O
judeu, que se mantinha na casca, tinha toda a razão, até o acontecimento, de
crer no reino temporal do Messias; nada obstante, enganava-se, como se viu
depois. Mas sabemos o que nos aguarda a nós mesmos? Deus estará conosco até a
consumação dos séculos? As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja?
Muito bem! Pergunto-vos: disso resulta que Deus se interdita toda manifestação
nova e não Lhe é permitido ensinar-nos nada além do que sabemos? Força é
confessar que seria um estranho argumento.

Sendo uma nova efusão do Espírito-Santo, (entendemos do Espírito de Verdade )
para o futuro, no rol das coisas mais razoavelmente esperadas, é preciso que os
pregadores desse dom novo possam citar a Escritura Santa a todos os povos. Os
apóstolos não são os tradutores; têm muitas outras ocupações; mas a Sociedade
Bíblica, instrumento cego da Providência, prepara suas diferentes versões, que
os verdadeiros enviados explicarão um dia, em virtude de sua missão
legítima, nova ou primitiva, não importa! Q ue expulsará a dúvida da cidade de
Deus; e é assim que terríveis inimigos da unidade trabalham para a estabelecer.”

Esse texto do conde suscitou o seguinte comentário de Allan Kardec:

“Essas palavras são tão notáveis quanto emanam de um homem de mérito
incontestável como escritor, e que é tido em grande estima pelo mundo religioso.
Talvez não se tenha visto tudo quanto elas encerram, porque são um protesto
evidente contra o absolutismo e o estreito exclusivismo de certas doutrinas.
Elas denotam no autor uma ampliação de vistas que frisam a independência
filosófica. Muitas vezes a ortodoxia se escandaliza por menos. Sobretudo os
Espíritas compreenderão facilmente o seu alcance.

Seria impossível não ver aí a previsão de coisas que hoje se passam e as que
o futuro reserva à Humanidade, tanto essas palavras se relacionam com o estado
atual e com o que, por todos os lados, anunciam os Espíritos.”

“Os fenômenos que antecederam o eclodir da
Terceira Revelação se fizeram sentir no tempo próprio.”

(Jornal Mundo Espírita de Abril de 1998)