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Falando de Profecias

Falando de Profecias

Sabemos que os mundos existentes no Universo são classificados
em cinco categorias: mundos primitivos, mundos de expiação e provas, mundos de regeneração,
mundos felizes e mundos divinos. Nossa pobre Terra, ainda se encontra no segundo
estágio, onde a maioria dos habitantes passa por dificuldades para ajustar contas
com a Lei e sofrer experiências visando o desenvolvimento da inteligência e da capacidade
criativa básica. A humanidade sempre conviveu com a dúvida a respeito do fim do
mundo. Alguns profetas antigos falaram deste duro período que, mais cedo ou mais
tarde, a humanidade teria que enfrentar. O próprio Jesus Cristo, o maior dos profetas,
realizou um sermão profético no qual falava do fim, revelação pouco estudada pelos
espíritas e mesmo pelo próprio Allan Kardec.

O Codificador deixou claro que viera dedicar mais atenção ao estudo dos princípios
morais das Escrituras, e o fez muito bem. Isso porém não impede quem quer que seja,
de estudar os outros aspectos obscuros da Bíblia, principalmente hoje, quando os
cipoais do materialismo estão envolvendo intensamente o mundo com suas ilusões.
Existem algumas obras no meio espírita a respeito do assunto, mas, a nosso ver,
apresentam um caráter superficial. Um dos caracteres da revelação profética é que
as profecias estão intimamente ligadas entre si. Se um estudioso encontra uma explicação
para um dos seus pontos, aquela chave deverá explicar todos os outros onde ele se
liga. Esta é a grande dificuldade dos estudos espíritas existentes. Geralmente oferecem
uma explicação associada à moral, mas que deixa todos os outros pontos das profecias
obscuros. Isso pode atender às necessidades dos que aceitam qualquer explicação
sem se aprofundarem, porém, não pode encarar a razão face a face.

Sabe-se que a Bíblia é desconsiderada por muitos dos espíritas. Assim procedem
porque ela lhes parece confusa e excessivamente alegórica, mas pode não o ser. O
Espiritismo nos oferece muitas chaves para compreendermos inúmeros pontos até hoje
mal interpretados. É necessário que estudemos as lições proféticas sem o preconceito
de tudo saber, não deixando jamais que o entendimento fuja do bom senso kardecista.
Entre o que hoje se entende como a transição para o terceiro Milênio na Bíblia e
aquilo que pensa a maioria dos espíritas, existe uma diferença considerável. Enquanto
os espíritas esperam uma transição serena, a Escritura fala de uma transição traumática.

Sabemos de tudo?

Um dos grandes desafios para os estudiosos dos mistérios do Espírito é compreender
as profecias. Outro, é vencer o próprio orgulho. Sabemos que, infelizmente, essa
erva daninha está presente em grande parte de nossas atitudes. Segundo os próprios
Guias da Humanidade, constitui-se ele em imenso obstáculo ao aprendizado. Nos estudos
a respeito de profecias é preciso deixá-lo de lado.
Lamentavelmente, o espírita do nosso tempo julga-se detentor de uma sabedoria inquestionável.
Isso porque lhe foi depositada nas mãos, a terceira das Revelações. Essa mentalidade,
cultivada por muitos, fez com que, no fluir do tempo, se formasse uma barreira em
volta do meio doutrinário, que impediu o pensamento de crescer em muitas áreas,
dentre elas, as profecias.

Alguns espíritas de renome se propuseram a lançar luzes sobre o assunto. Louvável
esforço, porém, coroado de poucos resultados. Autores, como Edgard Armond, Nelson
Lobo de Barros e mesmo Cairbar Schutel, procuraram desenvolver estudos no sentido
de compreenderem melhor as previsões existentes nas Escrituras Sagradas. Pouca coisa
conseguiram de concreto. O raciocínio exposto em seus trabalhos são por demais simplórios,
derrubados facilmente ao menor exame da razão. Adaptações de ordem moral, como se
faz freqüentemente para explicar o que não se compreende, não deve ser expediente
dos que estudam as profecias. Tudo o que foi feito neste campo pelos profetas, pouco
tem a ver com ensinamentos morais. Trata-se de um esboço da revolução social que
o mundo virá sofrer para chegar à categoria de mundo regenerador.

Allan Kardec em A Gênese, capítulo 16, realiza profundo estudo a respeito da
teoria da presciência. Demonstra que os Espíritos livres, quando evoluídos, possuem
aquilo que chamou visão de conjunto. Explica que nos planos superiores, o espaço
e o tempo assumem uma dimensão incompreendida por nós. A visão espiritual penetra
tudo isso, fazendo com que, pela vontade de Deus, sejam revelados acontecimentos
do porvir, de um povo ou da própria humanidade: são as profecias.

Os profetas eram médiuns. Geralmente, possuíam a faculdade de desdobramento.
Em transe, deixavam seu corpo carnal, penetrando nas dimensões do espaço e do tempo,
revelando, quando voltavam a si, sonhos. São inúmeras as passagens proféticas citadas
pelos evangelistas, que falam da presença de Jesus na Terra. Desde os tempos mais
antigos, os profetas falavam da vinda do Messias e descreveram particularidades
de sua vida. Tais fatos são explicados somente por esta maravilhosa viagem que o
Espírito liberto realiza nas dimensões do tempo.

O mundo se sustenta da matéria

Compreender o mundo é fundamental para aqueles que desejam entender o sentido das
profecias. Elas falam intimamente do processo evolutivo do planeta Terra, contando
as revoluções vividas por ele em muitas de suas fases. O estudioso das profecias
não pode estabelecer limites para o aprendizado. Deve afastar-se do convencional,
pois o entendimento dos princípios que as direcionam pouco tem de comum. Assim como
as parábolas, as verdades das profecias estão escondidas sob o véu da alegoria.
Bem mais complexas do que as parábolas, as profecias não foram feitas para a sabedoria
pública. Seu conteúdo só pode ser revelado em tempo certo e compreendido por pessoas
com o espírito maduro o suficiente, para fazer o adequado uso de tudo o que elas
trazem em sua essência.

Sabemos que o Espiritismo está entre nós a quase cento e cinqüenta anos. O mundo,
no entanto, até o seu advento vinha se sustentando, e o faz até os dias de hoje.
As coisas funcionam à revelia dos nossos ensinos espíritas. Na verdade, Deus sustenta
a evolução do mundo com forças primárias, direcionadas para um fim proposto por
Ele, e que, aparentemente, nada têm a ver com nossa pretensa missão de iluminar
o planeta. Sabemos que depois do período transitório, que certamente virá sobre
o mundo, a sociedade do III milênio se sustentará sob os alicerces das leis espirituais
conhecidas. Porém, essas transformações parecem não depender de quase nada do que
até agora se fez no Espiritismo, contrariando o espírito da Doutrina. Na codificação
do Espiritismo, as entidades responsáveis por ele evitaram embrenhar-se pelos caminhos
proféticos. E, certamente, não era essa a missão de Allan Kardec. Foi por este motivo
que alguns Espíritos impuseram ao meio doutrinário algumas mensagens de caráter
salvacionista. Esses pontos não devem transformar-se em impedimento para tais estudos.
O mundo, vai pouco a pouco perdendo o comando das rédeas sobre o povo. Desconhecendo
as leis do Espírito, certamente seu destino será de dores e de sofrimentos.

O Sermão Profético

Um dos mais apaixonantes textos para os que estudam as profecias é o Sermão
Profético de Jesus. Ausente somente do Evangelho do apóstolo João, o discurso narra
acontecimentos relacionados com o fim do velho mundo. A pregação foi confundida
por alguns estudiosos, com a destruição do templo de Jerusalém. Até hoje seu real
significado continua sem interpretação. Vamos comentar os principais pontos da revelação,
partindo de Jesus para examinarmos mais tarde, outras profecias.

O primeiro alerta do Messias, fala dos falsos cristos que surgiriam nos tempos
finais. O Senhor, como todos os profetas, sabia da confusão de idéias que haveria
quando a transição estivesse em sua fase crítica. Perdidos na matéria, os homens
buscariam no sobrenatural saída para sua crise. É lógico que surgiria neste clima,
pretensos messias e salvadores do povo. Ensinariam doutrinas falsas, fundamentos
da mentalidade humana, afastando-se da sã moral ensinada pelos mensageiros do Alto.
Disse Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; porque muitos virão em meu nome
dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. Suas palavras são claras quanto
às doutrinas estranhas que surgiriam no panorama terreno.

Pergunta-se: Como os seguidores do Espírito de Verdade poderão saber o que é
o bem e o mal nesta confusão? O próprio Senhor, nos fornece segura pista: pelos
frutos os conhecereis, dizia. Não importa o título que tragam, ou o nome que envergam,
analisemos as obras dos que se dizem enviados de Deus. Não vindimam uva dos abrolhos.
Todo aquele pois, que ensina filosofias de homens, fundamentadas em seus próprios
pensamentos, não são criaturas que buscam a felicidade espiritual de ninguém.

Há na atualidade doutrinas que prescrevem condutas visando tão somente a alegria
no mundo. Do que adianta a criatura encontrar paz material quando, depois de sua
passagem para o mundo espiritual, permanecer nas regiões de sofrimento? A doutrina
da verdade deve ser capaz de livrar as pessoas da ignorância pois é ela a causa
de toda a dor. Quando João em sua epístola primeira, capítulo 43, versículo 3, disse
que o Espírito, quando é de Deus, confessa que Jesus veio em carne, não quis dizer
com isso, que bastaria que reconhecesse a encarnação do Mestre, para ser considerado
entidade de luz. Reconhece-se o Espírito do bem, quando ele compreende ser a doutrina
de Jesus a única via de salvação, ensinando-a pelo exemplo. Os conselhos do Evangelho
são a salvaguarda da felicidade neste e no outro mundo. Esta é a simbologia da confissão
da descida do Messias na carne. Guardemo-nos pois, dos falsos profetas. No movimento
espírita, travestidos de ovelhas, encontram-se falsos mestres. Examinemos suas obras
e doutrinas, antes de seguirmos quaisquer de suas orientações.

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