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Os fluidos espirituais

A abordagem de um tema como Fluidos Espirituais demanda
uma análise do Livro I, capítulo II, de O Livro dos Espíritos, denominado
Conhecimento do Princípio das Coisas.

Neste capítulo estão inseridas indagações que o homem faz desde que se lhe
despontou a razão, e ainda continua a fazer.

A evolução vai lhe proporcionando condições, meios, faculdades que não
possuía para compreender determinadas coisas, e continuará pelo tempo afora a
proporcionar-lhe sempre novas faculdades, consoante O Livro dos Espíritos,
pergunta 18.

De encarnação em encarnação, o homem se desenvolve intelectual e moralmente,
e nesse contexto, gradativamente, penetra os segredos da natureza, da vida,
aproxima-se cada vez mais das origens, e suas perguntas começam a ter respostas.

Os Espíritos nos demonstraram que existem dois elementos gerais no Universo:

a) o elemento material e

b) o elemento espiritual.

O elemento material, bruto, e o elemento espiritual, inteligente.

Kardec, à pergunta 27 de O Livro dos Espíritos, indaga: Haveria assim, dois
elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito? Resposta: Sim, e acima de
tudo Deus, o criador…

A Inteligência Suprema, Causa Primeira, pelo impulso criativo de sua própria
natureza, fez surgir o elemento material, que organizado veio constituir a
matéria propriamente dita do Universo, do Cosmos.

Partindo do mesmo impulso criativo, surge, igualmente, o elemento espiritual,
o Princípio Inteligente do Universo. Nada caracteriza melhor a vontade dirigida
de Deus, como nos informa o Gênesis: E disse Deus: Haja luz. E houve luz.
(Gênesis – 1: 3).

Assim o princípio material, dirigido pela Causa Primeira, é utilizado de modo
a possibilitar e manifestar os fenômenos físicos do Universo, visível e não
visível, pois a matéria existe em diversos estados, adequando corpos, organismos
e formações que se organizam, de forma a possibilitar a manifestação do
Princípio Inteligente do Universo, do elemento espiritual, surgindo assim os
primeiros seres vivos dotados de impulsos criativos, de mente consciente, que
caminhando atinge o patamar de Ser Inteligente da Criação, dos quais o ser
humano é o ápice evolutivo em nosso planeta.

Assim temos:

– Elementos Gerais do Universo:

Matéria e Espírito – L.E. 27

Matéria Inerte e Matéria Inteligente – L.E. 28

– Espírito:

Princípio Inteligente do Universo – L.E. 23

– Matéria:

Elemento material (… mas ao elemento material …)

(… seja lícito classificá-lo com o elemento material …) L.E. 27

– Matéria: L.E. 30

É formada de um só elemento primitivo.

Os corpos… são transformações da matéria primitiva.

– Os dois princípios nos parecem distintos, e é por isso que os consideramos
como os dois princípios constituintes do Universo.

– Vemos acima de tudo, uma inteligência que domina todas as outras, que as
governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta Inteligência
Suprema que chamamos Deus.

Podemos então dizer que:

Matéria e Espírito são criações da Inteligência Suprema – Deus.

Dessa forma, vemos que o Universo é um conjunto de manifestações e/ou
fenômenos que podemos classificar em duas grandes categorias:

Matéria e Inteligência (Espírito)

Contudo, no que respeita ao elemento material, os Espíritos demonstraram a
evidência de determinadas particularidades. O elemento material não abrange
somente as formas densas, visíveis e tangíveis, dotadas de massa e
ponderabilidade, extensão e impenetrabilidade, mas também suas formas e estados
sutis, não acessíveis aos sentidos, onde desaparecem a massa tangível e a
ponderabilidade, e surge a característica penetrabilidade, em relação à massa
densa.

Continuando na resposta à pergunta. 27, os Espíritos informaram que: Mas ao
elemento material é preciso juntar o fluido universal, que desempenha papel
intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita…, Ainda que, sob
certo ponto de vista se possa incluí-lo (o fluido universal) no elemento
material, ele se distingue por propriedades especiais; …Ele ( o fluido
universal) está colocado entre o espírito e a matéria. …Esse fluido universal,
ou primitivo, ou elementar, sendo o agente que o espírito utiliza, é o princípio
sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e jamais adquiriria
as propriedades que a gravidade lhe dá.

Assim reconhecemos a existência, no Universo, de elementos materiais desde as
formações inanimadas até àquelas que dão suporte às manifestações da Vida;
reconhecemos, também, a manifestação de processos e funções inteligentes nas
plantas, nos animais e no homem. Este duplo enfoque de reconhecimento é que nos
leva a afirmar que o Universo é composto de Matéria e Inteligência (Espírito).

Ora, se o Universo manifesta-se, a nós, pelos dois tipos de manifestações
e/ou fenômenos (materiais e inteligentes), pode-se então entender que a eles
correspondem atributos da sua natureza, da sua origem.

Kardec, em comentários à resposta 28 de O Livro dos Espíritos, informa:

– Matéria sem inteligência e Princípio Inteligente independente da matéria é
um fato dominante. – A origem da conexão destes dois princípios nos são
desconhecidos.

– Ignoramos se os dois princípios tenham ou não uma fonte comum e pontos de
contato necessários; se o princípio inteligente tenha ou não existência própria
ou se é propriedade, um efeito; que os dois princípios sejam, mesmo, conforme
diversas opiniões, uma emanação da Divindade.

A ciência hodierna ainda considera a matéria e a energia como as únicas
realidades existentes. Com o avanço dos estudos, principalmente na área da
física quântica, chegou-se à conclusão de que matéria e energia estão tão
inter-relacionadas que representam, verdadeiramente, duas formas diferentes de
exprimir uma única realidade, não sendo a matéria, nada mais nada menos, do que
energia condensada, limitada em sua força e dinamismo próprios, encerrada em
âmbitos restritos para formar as massas densas dos corpos materiais.

Quando a matéria é atingida em sua massa, em determinadas condições, sofre
descontração, descondensa-se, desintegra-se, libertando energia em radiações
diversas de natureza corpuscular.

Kardec, in Revista Espírita, 1866, Março, item VII, pag. 75, antecipou a
desagregação da matéria, pontificando que … com a desagregação completa de
todas as moléculas do corpo, reencontraremos o oxigênio, o hidrogênio, o azoto e
o carbono; em outros termos, o corpo será volatilizado. Os elementos
constituintes voltando ao seu estado primitivo…, dariam o fluido cósmico. Esse
fluido, sendo o princípio de toda a matéria, é ele mesmo matéria, posto que num
completo estado de eterização. A análise acima com a amplitude requerida, Kardec
inseriu em A Gênese, lançada em janeiro de 1868, como podemos verificar no
capítulo. XIV, item 6, quando nos mostra: Tendo por elemento primitivo o fluido
cósmico etéreo, a matéria tangível há de ser possível, desagregando-se, voltar
ao estado de eterização, do mesmo modo que o diamante, o mais duro dos corpos,
pode volatilizar-se em gás impalpável. Na realidade, a solidificação da matéria
não é mais do que um estado transitório do fluido universal, que pode volver ao
seu estado primitivo, quando deixam de existir as condições de coesão.

É interessante assinalar que no Universo existem sempre, lado a lado, matéria
densa e energia livre em interações recíprocas, que condicionam os dois
processos inversos de condensação e de libertação de energia. No entanto, a
ciência ainda não considerou o elemento espiritual na constituição do universo,
levando em consideração tão somente o elemento material, quer em seu estado
denso, quer nas formas energéticas de manifestação.

A resposta à pergunta 27, de O Livro dos Espíritos, é deveras elucidativa.

Compreendemos que tudo procede da Causa Primeira, Inteligência Suprema do
Universo. Criou o fluido universal ou matéria cósmica, que preenche o espaço
infinito, sendo o elemento primitivo, do qual deriva tudo no Universo, no que
tange à sua forma material: mundos e seres.

Conforme Kardec nos demonstra em O Livro dos Médiuns 2ª parte, capítulo IV,
item 74, sub-itens I a VIII, evidenciada fica a importância do fluido universal
na constituição do Universo. Nas indagações efetuadas, os Espíritos responderam,
em síntese:

a) O fluido universal não é uma emanação de Deus. b) É uma criação de Deus,
como tudo na natureza.

c) O fluido universal é também o elemento universal e o princípio elementar
de todas as coisas.

Quando Kardec, examinou as propriedades da matéria, (Livro dos Espíritos,
pergunta. 29 a 34) as respostas se constituíram em uma grandiosa antecipação das
verdades, no que diz respeito à descontinuidade da matéria e a sua unicidade.

Salientamos que a primeira, a descontinuidade, já está totalmente comprovada
experimentalmente pela Ciência, e a segunda, a unicidade, é admitida por vários
círculos a certificar, como inteiramente provável.

Nas investigações científicas sobre a constituição da matéria, os cientistas
consideram, atualmente, além das moléculas e dos átomos, numerosas outras
partículas ou corpúsculos.

É de se assinalar que à época de Kardec, as partículas consideradas como
menores porções das substâncias chamavam-se mesmo moléculas; eram as moléculas
constituintes das substâncias simples, formadas pela união, dois a dois, dos
átomos de um único elemento químico, e as moléculas integrantes, das substâncias
compostas, por sua vez formadas pela combinação de átomos de dois ou mais
elementos, em determinadas proporções. Não poderia Kardec, empregar outra
palavra, outro termo para designar as menores partículas, tanto as que
representam a matéria densa, quanto à matéria sutil, pois que derivam
diretamente do fluido universal, que é o próprio fluido elementar primitivo.

Vemos assim que Kardec, traduzindo o pensamento dos Espíritos superiores,
antecipou uma verdade científica, pois estabeleceu as duas grandes verdades que
a ciência vem confirmando dia a dia: a descontinuidade da matéria, em todas as
suas modalidades, e a da unicidade de origem da matéria, que apesar das
aparentes diversidades, não é mais que modificações da matéria cósmica,
substância elementar primitiva ou fluido universal, elemento único, do qual
derivam tudo o que é material no Universo.

Natureza e qualidade dos fluidos

Quando falamos na criação do elemento material, estamos expondo, numa análise
interpretativa, que tal elemento é nada mais nada menos, que o fluido universal,
o fluido cósmico universal, a matéria elementar primitiva, demonstrando-nos
Kardec, em A Gênese, capítulo. XIV, item 2, que como princípio elementar do
universo, assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade,
que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de
ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele. O ponto intermédio
é o da transformação do fluido em matéria tangível.

No estado de eterização sua natureza não é uniforme, constante, sofrendo
variadas modificações, que constituem os fluidos distintos e dotados de
propriedades especiais, os quais dão lugar aos diversos fenômenos que são
peculiares ao mundo espiritual.

A atmosfera espiritual da Terra é composta dos fluidos mais próximos da
materialidade, os menos puros, pois que o ponto de partida, do fluido universal
e a pureza absoluta, e o ponto oposto, é aquele em que o fluido se transforma em
matéria tangível. Entre estes pontos, existem inúmeras transformações. É o ponto
intermédio.

Podemos então entender que os fluidos são nada mais, nada menos, que
modificações, estados do Fluido Cósmico Universal; que constituem a atmosfera
dos seres espirituais; que são os elementos dos quais os Espíritos extraem os
materiais para utilização; que são o veículo do pensamento.

São estas modificações, estes estados do fluido cósmico, que se constituem em
fluidos diferentes, que não se confundem, embora sejam originários do mesmo
princípio, possuindo qualidades peculiares, as quais estão no cerne, no centro
dos fenômenos especiais ou não, próprios e relativos ao mundo invisível. Para
tanto, os Espíritos os trabalham, os combinam com o fim de produzirem os efeitos
necessários à sua utilização.

Kardec nos demonstra em A Gênese, capítulo XIV, item 4, que no estudo dos
fluidos está a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem
explicar unicamente com as leis da matéria.

É dos fluidos que compõem a atmosfera espiritual da Terra, divididos em
variados graus de pureza, que os Espíritos (encarnados e desencarnados) buscam
elementos necessários à economia de suas existências (A Gênese – Allan Kardec –
capítulo. XIV – item 5).

É importante ressaltar que rigorosamente não há fluidos espirituais, pois que
espiritual, somente o Espírito, a alma.

Quando se diz fluido espiritual, quer dizer-se o fluido mais sutil pois que
guardam mais afinidade com os Espíritos. Dessa forma, é que se deve entender os
fluidos espirituais. A não ser assim, deveríamos ter também fluidos materiais.

Os Espíritos (encarnados e desencarnados) podem atuar sobre os fluidos
espirituais (com a explicação enfocada) mediante o emprego de dois critérios: o
pensamento e a vontade.

Pela ação do pensamento secundado pela vontade, poder-se-á comunicar,
transmitir àqueles fluidos quaisquer direção, podendo-se acumulá-los,
combiná-los, dispersá-los, organizá-los, dar-lhes e mudar-lhes propriedades. Os
fluidos são os elementos do grande laboratório do mundo espiritual.

Pela ação do pensamento poder-se-á criar, fluidicamente, imagens que poderão,
em um futuro próximo ou não, serem materializadas no plano físico.

Tal é a idéia que procuramos transmitir no cap. 6 do livro O Passe –
Terapêutica Espírita, da série Atualidade de Allan Kardec, no tocante ao passe,
à cura.

O pensamento cria a imagem, que colocada em ação pela vontade, repercute no
corpo espiritual, no perispírito.

Kardec nos transmite um estudo de grande magnitude, na Revista Espírita,
1865, Setembro, sob o título Da Mediunidade Curadora, em que abordando o assunto
fluido espiritual, demonstra-nos que tal fluido constitui-se do magnetismo do
Espírito, sendo portanto um fluido magnético espiritual. Que tal fluido será
tanto mais depurado e benfazejo quanto mais o Espírito for elevado. Enfoca que o
fluido dos Espíritos inferiores possa aproximar-se do fluido do encarnado e
possa ter propriedades maléficas.

Assim, o fluido do médium, impregnado do fluido do Espírito, poderão dar ao
necessitado um resultado salutar ou insalubre.

Sabendo-se que os fluidos são o veículo do pensamento dos Espíritos,
encarnados e desencarnados, é óbvio que sofre a ação destes mesmos pensamentos.
Assim, os fluidos não possuem características e qualidades próprias. São
neutros. As qualidades são adquiridas no meio onde se elaboram.

Chega-se então à conclusão de que os fluidos não possuem denominações
particularizantes sendo designados pelas propriedades, efeitos e tipos
originais.

Kardec em A Gênese, cap. XIV, item 17, analisando-os, ensina:

– Sob o ponto de vista moral, trazem em si os sentimentos de ódio, amor,
crueldade, maldade, bondade, inveja, ciúme, compreensão, orgulho, egoísmo,
solidariedade, doçura etc.

– Sob o ponto de vista físico podem ser calmantes, excitantes, penetrantes,
adstringentes, irritantes, dulcificantes, tóxicos, reparadores etc.

Os Espíritos (encarnados e desencarnados) atuando sobre os fluidos exercem
sua ação saneando ou viciando os fluidos do ambiente, conforme seja sua índole,
boa ou má.

Kardec está, dessa forma, em consonância com a ciência quando nos demonstra
os fatos nas obras da codificação.

Atualmente, o fluido universal é admitido e sancionado pela ciência em várias
de suas ramificações. A Física nuclear expõe que a matéria elementar (fluido
universal) é uma realidade e que sua natureza não é atômica, mas sub-atômica.

A ciência, para fugir à nomenclatura espírita, o admite com outras
designações, tais como: oceano de elétrons livres na teoria de Dirac; campos de
força que segundo Arthur Comptom, esclarece que o poder desconhecido que está
por trás da energia, parece ser pensamento; bioenergia, nas investigações
científicas da ex URSS; etc.

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