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Ilusões do orgulho

Orson Peter Carrara

Uma insensatez da humanidade consiste em vermos o mal de outrem, antes de vermos o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: “Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço?”. Sem dúvida, é o orgulho que induz o homem a dissimular para si mesmo os seus defeitos, tanto morais, quanto físicos.

O orgulho é o sentimento de superioridade pessoal perante os outros. O problema não é o sentimento do orgulho, mas o descontrole de seus efeitos. Mera ilusão darmos a nós mesmo o valor que não possuímos! A simples consciência de nossa igualdade perante a vida já é por si só um forte motivo para não nos considerarmos melhores do que ninguém, apesar dos títulos, nomes, etc.

Um velho descuido da convivência humana é buscar corrigir as pessoas para que se encaixem em nossos modelos de expectativas e transformar as diferenças do outro em defeitos. É um belo traço de nossa imperfeição e que deixa claro que estamos muito mais ocupados em cultivar severidade para com a melhora dos outros e desatentos da mais importante e única tarefa na qual verdadeiramente temos irrestrita capacidade de realizar: a nossa melhora pessoal. A necessidade de diminuir o valor dos esforços alheios é um vício de proporções extraordinárias, porque dando exagerada importância às comparações, o orgulhoso passar a ser “fiscal” dos atos alheios, procurando motivos para realçar-se. Mas manter aparências é doloroso. O melhor é conscientizar-se da necessidade da melhora individual e buscar isso como meta pessoal, continuamente.

Para isso há dois caminhos: a) Atenção plena a si mesmo que é o hábito de vigiar-se, observar-se continuamente; b) Interiorização que significa o ato de enfrentar-se a si próprio depois da prática do item anterior, ou seja, já resultado da própria observação.

Todos merecem ser felizes. Para que sofrer com a vigilância da conduta alheia quando temos é mesmo que vigiar a nós mesmos? Superemos as ilusões do orgulho, defeito moral causador de tantas tolas disputas e comparações desnecessárias. Aprendamos a conviver com as diferenças, compreendendo que todo mundo tem o direito de agir e pensar como queira e entende ser o melhor para a própria vida.

Apenas para indicação ao leitor interessado em aprofundar o estudo do tema, colhemos tais observações do livro Mereça Ser Feliz – Superando as Ilusões do Orgulho, de Wanderley S. de Oliveira, que pode ser adquirido pelo telefone 0 xx 31 9954-5603 ou pelo e-mail inede@inede.com.br.

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