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A importância da imprensa espírita

Seria impossível, apesar das tentativas feitas, enumerar ou nomear todos os
veículos espíritas existentes no País. Com certeza, os de circulação regular
ultrapassam a uma centena e se pudéssemos contar os boletins e os veículos não
periódicos chegaríamos a um número surpreendente.

Ao longo de quase século e meio, muitos homens sentiram de uma maneira ou de
outra a importância de poder ter um veículo nas mãos. O alfaiate Augusto Elias
da Silva fundou, em 1883 “O Reformador”, que a FEB passou a editar e o faz até
hoje; São Paulo, terra onde o espírito do progresso se fez presente fortemente,
viu um Antônio Gonçalves da Silva “Batuíra” criar o “Verdade e Luz” também no
século passado e distribuí-lo, lépido como a ave que lhe emprestou o apelido, de
casa em casa, e até na famosa Faculdade de Direito do Largo São Francisco na
ânsia de tornar conhecida a Doutrina codificada na França. Cairbar Schutel
seguiria seus passos e acabaria por editar um jornal (1905) – “O Clarim” – e uma
revista (1925) – “Revista Internacional de Espiritismo” – para desbravar a selva
da ignorância alimentada pelo clero dominante. Schutel, residente na então
inexpressiva Matão, chegaria a distribuir o seu jornal na porta dos cemitérios,
em época de finados, tal a sua visão da importância do veículo.

As coisas não parariam ai. O Brasil inteiro via crescer vertiginosamente o
número de folhas doutrinárias e todos, absolutamente todos os homens imbuídos do
propósito de editar jornais espíritas eram criaturas nascidas dentro de centros
espíritas. Eis aí um fato importante. À proporção do surgimento de jornais
doutrinários só não era maior que a da criação de centros espíritas, pois estes
espoucavam em todas as partes. Mas os jornais apareciam como ferramentas
indispensáveis para a disseminação das novas idéias.

Estima-se que hoje, apenas no Estado de São Paulo, exista cerca de dois mil
centros espíritas. Calculando-se à média de 500 pessoas por centro, chega-se a
um número considerável de freqüentadores: mais ou menos um milhão de criaturas.
Isso significa que existe um milhão de leitores em potencial no Estado.
Significa, também, que a imprensa espírita teria que editar no mínimo 350 mil
exemplares por mês para suprir a demanda existente, uma vez que estatisticamente
cada jornal é lido por três pessoas.

Vejamos se os números da imprensa espírita conferem com essa realidade. O
primeiro dado já mostra uma deficiência existente em nosso estado: cerca de 30
veículos (jornais e revistas) periódicos que, juntos, somam mais ou menos 80 mil
exemplares por mês. Ocorre que cerca de 40% destes exemplares se destinam a
leitores fora do Estado: outros 20% vão para um mesmo leitor, ou seja, há
pessoas que lêem mais de um jornal por mês: 10% é a taxa de encalhe, jornais que
deixam de ser lidos por falta de leitores ou por deficiência de distribuição.
Chegamos a um número definitivo (sem considerar os jornais que são lidos por
pessoas não espíritas): apenas 30% dos veículos alcançam os leitores. Temos,
assim:

Exemplares editados – 80.000
Lidos fora do Estado – 32.000
Lidos pelo mesmo leitor – 16.000
Encalhe – 8.000
Efetivamente lidos – 24.000

Sobre estes números poderemos raciocinar da seguinte forma:

Freqüentadores regulares de Centro Espírita – 1.000.000.
Leitores: – 72.000.
Não lêem jornais – 928.000.

Estatisticamente cada exemplar de jornal é lido por três pessoas em média.
Se, efetivamente apenas 24 mil exemplares dos jornais editados em São Paulo
ficam no Estado, temos 72 mil pessoas que lêem esses jornais. Os demais não lêem
nada. Na verdade esses números são hipotéticos, podendo sofrer variação, porém,
mesmo que isto aconteça, a variação não deverá ser expressiva.

O que fazer para melhorar o nível de leitura dos jornais? A resposta para
essa pergunta é a chave da questão. Diversas possibilidades podem ser agrupadas
aqui, como favoráveis ao aumento do número de leitores. Ao longo do tempo, por
exemplo, se verificou que muitos dirigentes de centros deixam nas gavetas os
jornais que recebem gratuitamente. Isso significa que eles não lêem e não
incentivam a leitura pelos freqüentadores. Parece significativo, também que a
melhoria do nível de leitura tende a passar pelo centro espírita, assim como
qualquer questão que envolva a coletividade espírita. Tudo se resume em uma
tomada de consciência para o assunto, ou seja, deve-se verificar que, na época
em que vivemos, a informação é vital para o ser humano. O jornalismo espírita é
o canal capaz de levar ao adepto a informação que pode colocá-lo a par dos
horizontes espíritas.

A contrapartida disto deve vir dos próprios veículos. Não se pode
desconsiderar que a nossa imprensa espírita ainda possui suas falhas, responsáveis por
uma parcela do reduzido número de leitores. Melhorar a qualidade do jornalismo
espírita implica em contribuir para a melhoria do nível de leitura. Mas essa
melhoria não deve ser considerada apenas de caráter estético ou técnico, mas
principalmente de conteúdo, ou seja, o jornalismo espírita deve ampliar sua
capacidade de informar sobre os fatos e a doutrina, de modo a colaborar com o
leitor em sua consciência crítica. Isto se consegue através da melhor
compreensão dos objetivos do jornal e do modo como o jornal deve ser produzido.

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