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Internet: oceanos da informação

O conceito de aldeia global foi criado para designar a versatilidade
dos mass media, segundo a qual o que está a acontecer agora em qualquer ponto do
mundo, dentro de poucas horas (se não menos), já está a chegar a nossas casas,
via rádio ou televisão. Quem definiu essa ideia, desconhecia decerto o alcance
que isso viria a ter com a Internet. Por outro lado, dizia aos jornalistas, há
meses, o secretário de Estado das Comunidades: «A Internet é o nosso mensageiro
(a caravela dos nossos dias) que une essa informação entre os continentes por
que nos dispersámos», os portugueses e quem fala português.

Surge, assim, uma área nova de comunicação. E, ao falar-se dessa capacidade,
percebe-se que já existe um meio inédito de informarmos sobre espiritismo.
Seriam estes os cibernautas espíritas.

Sim: informar e não doutrinar. A ideia espírita é tão viva que não precisa de
artifícios ou de sofismas para ser ouvida. Quem doutrina pretende convencer,
independentemente do interesse de outrem ser convencido. Quem informa coloca à
disposição de outrem certos dados: esta é a atitude doutrinária. Contudo, para
informar é necessária capacidade de diálogo e o domínio dos factos.

Diante do monitor, na Internet, ao introduzirmos a palavra espiritismo,
passados uns segundos oferecem-se-nos à vista uma dúzia de títulos, englobando
cada um deles artigos, páginas, mensagens de consulta livre, e até livros.

Cuidado: equívoco!

Infelizmente, algo nascido ainda da ignorância do sistema salta à vista na
última linha dessas opções: umbanda, candomblé, cabala. Enfim, algo grave,
porque o espiritismo nada tem a ver com essas áreas! Essas atitudes diferentes
reúnem-se nos chamados sincretismos afro-religiosos. Diferentes entre si, mais
divergem se comparados (no que fosse possível comparar) com o espiritismo, que –
sublinhe-se – tem fobia às crendices e rituais, superstições, etc.

Esses sincretismos utilizam o animismo e/ou a mediunidade, embebendo-se de
crenças e rituais que serão muito interessantes para quem os aprecia. É o que se
chama mediunismo, e que diverge intrínseca e extrinsecamente do espiritismo ou
doutrina espírita.

Há que assinalar o facto. A Internet terá que se esclarecer das diferenças e
englobar esses sincretismos na palavra mediunismo e não naquela em que ainda se
encontram.

Grupo de Estudos

Fora isso, a informação sobre espiritismo dentro do pouco que vimos parece
ser bem fundamentada.

Uma das opções de informação espírita acima descritas é o Grupo de Estudos
Avançados de Espiritismo, a que pertencem vários cibernautas. Um deles é Sérgio
Freitas, 29 anos de idade, licenciado em Engenharia Informática e actualmente
doutorando do Departamento de Informática da Universidade Nova de Lisboa. Por
sinal, um jovem a quem se deve muito do êxito que foi o II Congresso Nacional de
Espiritismo, realizado na capital há cerca de três anos. Conversou connosco:

«Revista de Espiritismo» – Hoje fala-se muito na Internet: o que é
isso?

Sérgio Freitas – Para entendermos a Internet hoje, seria antes
necessário discorrer sobre a sua génese, o que é um trabalho longo, porém,
extremamente interessante, pois ela é um dos mais belos exemplos contemporâneos
do trabalho invisível da Providência Divina sobre a sociedade humana,
transmutando a dor em amor. Este historial deixaremos para outra oportunidade.

Sem este historial e olhando apenas para a década de 90, podemos adoptar a
definição mais conhecida: é a rede mundial de computadores e telecomunicações
que interliga as pessoas, bens e serviços, ou seja, promove a comunicação geral,
irrestrita, transnacional e multilingue (apesar do inglês ser ainda a língua
mais falada na Internet) entre todas as pessoas nos pontos mais remotos do
planeta, tudo de uma forma praticamente instantânea.

RE – Como surgiu em ti o bichinho da Internet?

S.F. – A minha história pessoal remonta a fase onde eu estava
estudando em Porto Alegre (1990), no Brasil. Desde o surgimento da rede (ainda
quando chamava DARPNET), as instituições educacionais tiveram privilégios (no
início somente nos EUA, e depois por instituições estrangeiras).

A instituição que eu frequentava em Porto Alegre já tinha acesso à Internet.
Assim, cedo tive este privilégio. Mas nesta época a Internet não era tão popular
e poderosa (em termos de serviços) como é hoje. Sem dúvida, podemos destacar
entre os pontos de mudança, ainda nesta década, o desenvolvimento de programas
voltados para multimedia remota, ou seja, programas que permitem a navegação
pela rede (por exemplo o Netscape, Internet Navigator, etc.). O bichinho de que
falas surgiu desde esta época, e a partir daí nunca mais deixei de a usar, e
sinto-me «atado» quando não posso usar a rede.

RE – Achas que a Internet tem interesse para o espiritismo?

S.F. – Façamos uma comparação da Internet com uma imensa biblioteca.
Digamos agora que esta imensa biblioteca disponibiliza, praticamente, todo o
conhecimento humano em todas as áreas. Seria de esperar que ao andarmos por suas
diversas prateleiras, encontrássemos ali livros espíritas!

RE – Como pensas que se poderá divulgar o espiritismo através da
Internet?

S.F. – Em conversa com um amigo, ele disse-me que o espiritismo deve
buscar a divulgação doutrinária na Internet através da divulgação de livros e
boletins electrónicos, e disponibilização de informação sobre o movimento a
nível mundial. Esta é a política que as instituições espíritas, já presentes na
rede, têm adoptado até agora. Porém, em conversa com um grupo mais amplo de
divulgadores espíritas na Internet, tenho chegado à conclusão de que podemos
chegar a ter um centro espírita virtual.

RE – Um centro espírita virtual? Como assim?

(Continua no próximo número desta
revista)

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