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João Batista Foi Elias Reencarnado?

João Batista Foi Elias Reencarnado?

As profecias anunciam há muitos séculos, antes de Jesus, a vinda do
precursor, o anjo do senhor, que viria investido de uma missão sublime,
preparatória, de burilar os sentimentos, aparando as arestas internas para que
os homens da época adquirissem as condições morais ideais para receberem os
ensinamentos sublimes do Consolador que, como sementes, precisavam de um terreno
fértil, limpo, saneado, de modo a encontrarem o ambiente apropriado as suas
germinações.

A esse respeito, encontramos em Isaías (40:3):

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai na
solidão as veredas do nosso Deus.”

Esta profecia foi ratificada pôr Malaquias em 3:1:

“Eis que mando eu o meu anjo, e ele preparará o caminho diante da minha
face. E imediatamente o Dominador que vós buscais, e o anjo do testamento que
desejais, virá ao seu tempo.”.

O Evangelista Mateus em 3:3, confirmou as profecias dizendo que João Batista
era o anunciado pelo profeta Isaías :

“Voz do Senhor, endireitai as suas veredas.”

Ainda em Mateus,(11:10,11 e14), Jesus falando sobre João Batista diz:

“Porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o
meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho….”.

E se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.”

Vemos, depois da transfiguração de Jesus no alto do monte, quando aconteceu o
fenômeno de ectoplasmia (materialização) de dois varões, Moisés e Elias, o
diálogo entre os discípulos de Jesus que o interrogaram (Mateus, 17:10 a13):

“(…) – Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha
primeiro?”

E Jesus, respondendo, disse-lhe: “Em verdade Elias virá primeiro, e
restaurará todas as coisas; Mas digo-vos que Elias já veio e não o conheceram,
mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do
homem.”. Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista.”
(sublinhei)

Como vimos nas duas citações, Jesus foi bem claro afirmando ser João Batista,
Elias reencarnado, no que compreenderam muito bem os seus discípulos.

Em Lucas (1:16 e17) o anjo Gabriel falando a Zacarias de seu filho João
Batista diz:

“E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus.

E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias para converter os
corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de
preparar ao senhor um povo bem disposto.”(sublinhei)

Em outra passagem de Lucas, (1:76 a 79), Zacarias cheio do Espírito Santo,
profetizando, fala de seu filho João Batista:

“E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante
a face do Senhor, a preparar os seus caminhos;

Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus
pecados(…)”.

A única argumentação contrária a tese reencarnatória de João Batista como
Elias sai da própria boca de João Batista em João (1:19 a 23), respondendo às
perguntas dos sacerdotes e levitas:

” (…) – Quem és tu? Disse João Batista: Eu não sou o Cristo. E
perguntaram-lhe: Então quem és? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E
respondeu: Não. Disseram pois. Quem és? Para que demos respostas àqueles que nos
enviaram; que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto:
Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.”.

A resposta de João suscita algumas dúvidas:

Por que ele negou ser Elias, porém afirmou ser o Precursor, embora Jesus
tenha afirmado que Elias viria primeiro para restaurar todas as coisas, ou seja,
Elias viria como o precursor.(Mateus, 17:10 a 13).

Em conclusão, podemos raciocinar com três hipóteses:

1ª- João pôr questão de humildade não quis afirmar ser Elias, pôr sinal a
mesma virtude demonstrada quando inicialmente recusou batizar Jesus, dizendo não
ser digno, sequer, de carregar as alparcas do Mestre (Mateus, 3:11) e que Jesus
é quem deveria batizá-lo (Mateus, 3:14);

2ª- Esquecimento do passado: Encontramos em o livro “O Evangelho segundo o
Espiritismo”, de Allan Kardec, item 11, Cap. V: “Havendo Deus
entendido de lançar
um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com
efeito, a lembrança traria gravíssimo inconveniente. Poderia, em certos casos,
humilhar-nos singularmente, ou então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o
nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável
perturbação nas relações sociais.

Freqüentemente , o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu,
estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que
lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe
despertaria outra vez no íntimo. De todo modo, ele se sentiria humilhado em
presença daquelas a quem houvesse ofendido.

Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que
necessitamos e nos basta; a voz da consciência e as tendências instintivas.
Priva-nos do que nos seria prejudicial.”

Ao reencarnar, João Batista veio cumprir sublime missão, “a de preparar os
caminhos do Senhor” em função de sua elevada evolução espiritual, tendo
isso sido realçado pôr Jesus em Mateus (11:11):

“Em verdade vos digo que, entre os que de mulher tem nascido, não apareceu
alguém maior do que João Batista, mas aquele que é menor no reino dos céus é
maior do que ele.”.

Era evidente que Jesus estava se referindo a vida passada de João, quando foi
Elias e que também veio desempenhar nobre missão e extrapolou seus direitos, ao
vencer a aposta diante do Rei Acabe, no Monte Carmelo, provando que o Deus que
libertou o povo Hebreu do jugo dos Egípcios, tendo como líder Moisés, o Deus
único e verdadeiro, era mais poderoso que o Deus Baal, cujos adeptos em torno de
450 não conseguiram que este projetasse do céu, fogo para queimar a sua fogueira
e o boi que estava assentado sobre a mesma cortado em pedaços, apesar dos
insistentes apelos que fizeram. Na vez de Elias, o profeta do Senhor, após
fervorosa súplica feita ao seu Deus, de imediato o fogo vindo como um raio
queimou a sua fogueira e o seu boi. Ao vencer a aposta, Elias, não usando de
clemência, exigiu junto ao Rei Acabe que os profetas de Baal fossem mortos,
decapitando-os na torrente de Cison, conforme consta no Livro III Reis, (18:19 a
40).

João Batista, pôr essa infração ao 5o Mandamento da Lei de Deus
que recomenda não matar, voltou para resgatar nas mesmas circunstâncias em que
matou, sendo, portanto, decapitado, após solicitação de Salomé e sua mãe ao Rei
Herodes (Hebreus, 14:3 a 11)

Ainda com referência ao esquecimento do passado, João Batista evidenciou que
no seu caso, este foi parcial, tendo consciência, apenas intuitivamente, da
missão que vinha desempenhar como precursor, porém o restante de sua vida como
Elias ficou esquecido pelas razões referidas no livro “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”;

3ª- Ressurreição. Encontramos ainda no livro “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”,
de Allan Kardec, Cap. IV, item 4, uma referência aos dogmas
dos Judeus:

“…criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem
precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo
ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com
efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o
que a ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os
elementos desse corpo já se acham desde de muito tempo dispersos e
absorvidos.(…) João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não
ressuscitado.”

Eis porque o corpo de João Batista não podia ser o de Elias e daí a resposta
de João Batista negando ser Elias. Porém, como afirmou o Anjo Gabriel, era o
Espírito e virtude de Elias.

Bibliografia:

  1. Soares, Pe. Matos -“Bíblia Sagrada”, 6ª ed. Edições Paulinas – São Paulo
    -30-6-1953;
  2. Almeida, João Ferreira de – “O Novo Testamento de N.S. Jesus–Cristo e o
    Livro dos Salmos”- Imprensa Bíblica Brasileira – Rio de Janeiro, 1986;
  3. Kardec, Allan- “O Evangelho segundo o Espiritismo”,109ª ed. FEB/
    10-8-1994.

Obs.

Artigo publicado em Manaus, em O Mensageiro (FEA) de Dezembro de 1994;
no Jornal Folha Popular de 09.l1.1994 e 06.01.1995 e no Rio de Janeiro em
O Reformador (FEB) de Abril de 1995.

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