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Morte e Significado

Morte e Significado

Vamos procurar analisar parcial e genericamente alguns aspectos de mortes
violentas, através de acidentes ou desastres dolorosos.

O que ocorre com as pessoas que são surpreendidas com a morte física num
desastre?

Quais as sensações e emoções que as vítimas de um acidente fatal sentem ou
vivenciam nos momentos deste tipo de morte?

Tomando por fundamentação teórica os ensinamentos espíritas, e com base em
informações mediúnicas confiáveis, pode-se estabelecer alguns princípios gerais
para elucidar a dinâmica do fenômeno da morte ou desencarnação e o processo do
morrer propriamente dito.

Em princípio, é necessário esclarecer que a morte é um fenômeno natural
inerente à dinâmica da própria vida.

O que é que morre ou desencarna?

Apenas o corpo físico morre, isto é, passa por uma série de transformações
psicobiofísicas de degradação energética, com rupturas dos centros vitais
bioenergéticos que integram os diferentes sistemas atômicos celulares
componentes de tecidos, órgãos, aparelhos e demais sistemas interativos que
compõem o organismo humano como verdadeiro eco-sistema de manifestação vital.

Resumidamente, na visão materialista, a morte significa o caos orgânico,
irreversível, culminando na cessação de todas as funções vitais e conseqüente
desagregação do organismo físico, através da decomposição cadavérica, nada
restando após a morte propriamente dita.

Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após o fenômeno da
morte física.

Sem maiores detalhes ou considerações filosóficas, o espiritualista de um
modo geral, admite a existência da alma ou do Espírito e, portanto, ao morrer,
independente do gênero de morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive,
continuando a viver no mundo espiritual.

O espiritualista espírita descortina um horizonte mais amplo, tendo um acervo
de ensinamentos esclarecedores sobre a dinâmica da morte e do morrer,
relacionado ao gênero de vida consciencial da criatura humana, independente da
faixa etária, sexo, raça, cultura, religião, posição social, etc.

No caso particular da visão espírita, a morte ou desencarnação propriamente
dita implica uma série de fenômenos não só psicobiofísicos: também inclui outros
de natureza anímico-conscienciais extrafísicos, paranormais e mediúnicos de
grande complexidade que, direta ou indiretamente, podem evidenciar a
sobrevivência do espírito ou consciência que continua a viver após a ruptura dos
laços bioenergéticos que mantinham o organismo físico em plena atividade, como
veículo ou instrumento de manifestação do espírito encarnado, durante a
respectiva cota de tempo de vida, compatível com as necessidades e projetos de
realização e auto-realização consciencial, em cada experiência reencarnatória.

Assim sendo, a vida inteligente, consciencial, não se extingue com a morte
física propriamente dita. O Eu-consciencial ou Espírito, ser pensante, volitivo,
dotado de instinto, emoção, sentimento, razão, linguagem conceitual e demais
atributos humanos, ao passar pelo fenômeno da morte do corpo físico, de acordo
com seu estágio evolutivo espiritual, terá maior ou menor autonomia e maior ou
menor lucidez consciencial, cognitiva,

afetiva e volitiva, para compreender as diferentes fases do processo da morte
física propriamente dita.

De acordo também com seu grau de educação consciencial e espiritual e, ainda,
conforme as ações e obras realizadas em vida, terá maior ou menor merecimento,
além do sentimento de auto-estima pelo cumprimento dos deveres e realizações
edificantes não só em beneficio próprio, como, também, em favor dos seus
semelhantes, da comunidade e da sociedade em geral.

Em tais circunstancias, os que viveram edificantemente, independente de
rótulos místicos ou religiosos, apresentam melhores condições psicodinâmicas
conscienciais para compreender e aceitar com maior ou menor autocontrole,
equilíbrio e serenidade as surpresas da sua própria desencarnação.

Por outro lado, os que em decorrência da imaturidade consciencial,
espiritual, cometeram equívocos, vivendo egoísta e egocentricamente, não
aproveitando bem as lições da vida, no sentido de promover o auto-conhecimento e
a construção da paz dentro e fora de si mesmos, apegando-se ao corpo físico como
única realidade e razão de ser. estes que assim viveram terão maiores
dificuldades para compreender e aceitar a surpresa da própria morte física e a
grande realidade de sua própria sobrevivência como espírito desencarnado.

Isto não que dizer que a pessoa esteja condenada pela eternidade afora a um
sofrimento infernal, tal qual as religiões dogmáticas e sectárias incutiram na
mente popular.

Absolutamente. Cada consciência, de acordo com seu biorritmo e tempo de
assimilação e vontade de reconstruir o próprio destino, para melhor, terá tantas
oportunidades de aprendizagem auto-redentora quantas necessitar para construir a
própria plenitude consciencial e existencial ao longo das vidas sucessivas.

Deste modo, na visão espírita, a vida é imperecível e o ser humano é um
agente co-criador integrante do Plano Divino da Criação, e, conseqüentemente,
arquiteto de seu próprio destino feliz ou infeliz.

Esta digressão teórica se faz necessária no sentido de estabelecer alguns
princípios gerais relativos ao fenômeno da morte e seu significado.

I—A morte é apenas uma mudança de estado de ser. de pensar, de sentir e
agir.

É natural a reação de rejeição e não-aceitação da morte, qualquer que seja a
situação circunstancial.

Esta reação é geral, sendo uma decorrência espontânea do instinto de
conservação e auto-preservação inato no ser humano.

Graças ao instinto de conservação, reprodução e autodefesa, a espécie humana
se mantém, sobrevivendo aos grandes desafios da evolução onto e filogenética e
da necessidade de adaptação evolutiva, em íntima interação com a
multi-diversidade dos eco-sistemas ambientais do planeta Terra e sua respectiva
Biosfera.

Assim sendo, na dinâmica da vida, nascer, crescer, reproduzir, viver e morrer
constituem um processo bioenergético, psicobiofísico, anímico-consciencial,
universal, presente em todos os Reinos da Natureza, em sua multidimensionalidade
física e extra-física.

O medo da morte é, pois, uma reação instintiva que se evidencia através do
comportamento humano ao longo da evolução histórica, antropológica, cultural,
religiosa, etc. da humanidade terrestre, variando com a época e com as
características culturais, costumes, práticas e tradições religiosas de
diferentes tribos, povos, raças e nações, tanto no Oriente quanto no Ocidente.

Entretanto, parece haver em todas as culturas, ao longo das diferentes épocas
da história, a crença mais ou menos generalizada na sobrevivência espiritual do
ser humano.

As diferentes tradições religiosas criaram diferentes regras e procedimentos
ritualísticos místico-religiosos, influenciando a mente popular, submetendo-a
aos dogmas e preceitos estabelecidos pelas diferentes religiões no mundo, e
direta ou indiretamente, implícita ou explicitamente, o medo da morte vem
passando de geração a geração.

Nos tempos atuais, com o advento da tanatalogia como uma área de investigação
e conhecimento cientifico, o tabu da morte aos poucos vai se transformando numa
visão mais realística e consentânea com o progresso das investigações dos
fenômenos paranormais que ocorrem com os doentes terminais e nas experiências da
chamada morte aparente.

Como decorrência, a morte está sendo encarada com maior naturalidade, despida
daqueles paramentos fúnebres e lúgubres de décadas atrás.

Neste particular a contribuição do Espiritismo é inegável e valiosamente
significativa para desmitificar e desmistificar a morte como algo terrível,
assustador e um caminho sem volta.

A morte ou desencarnação é, pois, apenas e tão-somente uma transmutação
profunda psicobifísica, anímica e consciencial, refletindo intensamente no
pensar, sentir e agir do ser humano, que deixa de se manifestar na vida de
relação no plano físico, através do respectivo corpo psicossomático para
continuar a pensar, sentir e agir sem o instrumento físico, no reino do
Espírito, onde igualmente a vida de relação continua em outras tonalidades
vibratórias, por meio da manifestação do pensamento e da vontade, de acordo com
o grau de evolução e maturidade consciencial e espiritual alcançado, em sua
última experiência reencarnatória.

II—A vida de relação não cessa com a morte física propriamente dita.

Os diferentes e diversificados fenômenos paranormais e mediúnicos, observados
por ocasião não só da morte física, como também através de manifestações
espontâneas ou provocadas experimentalmente, sugerem de maneira significativa
que o ser humano desencarnado mantém uma dinâmica interação volitiva,
energética, inteligente e afetiva, no mundo espiritual ou espiritosfera, em
obediência à lei de sintonia, afinidade e ressonância vibratórias.

Isto posto, fica entendido que o intercâmbio mediúnico é um fenômeno
universal entre encarnados e desencarnados e se verifica também entre os
desencarnados no Reino dos Espíritos ou Espiritosfera, obedecendo-se aos mesmos
princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância,
correspondentes aos respectivos planos multi e transdimensionais extrafisicos
conscienciais.

Deste modo, desde a mais remota antigüidade, o fenômeno mediúnico sempre foi
uma prova de que o intercâmbio mediúnico entre encarnados e desencarnados
existiu sempre como um fato natural e de amplitude universal.

III—O princípio de interdependência e de interação psicodinâmica entre
encarnados e desencarnados é um fenômeno universal.

Assim sendo, as ações e reações interativas entre os seres humanos encarnados
e desencarnados ocorreram sempre ao longo da história da humanidade terrestre,
dando origem às diferentes manifestações místico-religiosas que fazem parte da
herança cultural de todos os povos, raças e nações, tanto no Oriente como no
Ocidente.

Estas interações podem se manifestar de maneira sutil ou ostensiva, assumindo
características harmônicas ou desarmônicas, em função de sua influência positiva
ou negativa no comportamento individual ou coletivo do ser humano.

IV—Os Espíritos desencarnados podem se manifestar espontaneamente ou por
meio de evocação.

Em decorrência dos princípios anteriores, a manifestação do Espírito
desencarnado pode se dar espontaneamente em função da lei de sintonia e
afinidade. Os espíritos são atraídos em razão da existência de laços de simpatia
que os atraem para se manifestarem a pessoas no meio onde vivem, objetivando
manter uma relação harmônica, edificante e solidária.

Podem também ser conseguidas tais manifestações por meio de evocações, e de
motivos justos, que justifiquem tal procedimento com finalidade de investigação
e pesquisas sérias e construtivas.

V—A morte ou desencarnação, mediante um desastre doloroso e fatal, é
diferente e específica para cada um, embora as circunstancias do desastre sejam
as mesmas para todos os envolvidos no acidente.

Isto quer dizer que a morte física de uma pessoa está intimamente relacionada
com a respectiva herança cármica e suas necessidades de auto-redenção.

Aliás, tal princípio se aplica a qualquer gênero de morte ou desencarne

VI—Ninguém, em circunstancias de morte violenta, em acidentes fatais,
jamais estará desamparado, à míngua de uma assistência espiritual socorrista.

Todos são socorridos e atendidos em suas necessidades específicas, de acordo
com o respectivo grau de maturidade consciencial, merecimento e a gravidade do
estado pessoal de cada um.

Quando ocorre um acidente ou desastre doloroso no plano físico,
imediatamente, no mundo espiritual, os Centros ou Núcleos de Pronto Socorro e
Atendimento Espiritual mais próximos tomam conhecimento da ocorrência,
providenciando com a máxima urgência o socorro das vítimas acidentadas que
venham a morrer ou que fiquem politraumatizadas e em estado grave no local do
sinistro.

Nestas circunstancias emergenciais a pessoa moribunda agonizante ou
desencarnante emite pensamentos aflitivos que se propagam na
multidimensionalidade extrafísica, como se fossem verdadeiros S.O.S.
telepáticos, os quais são devidamente captados e registrados por meio de
sofisticada tecnologia, possibilitando a imediata localização e identificação
pessoal das vítimas do desastre.

Equipes de socorro espiritual dirigem-se imediatamente ao local do acidente
para a prestação do respectivo socorro e demais providências de amparo
assistencial.

A título de exemplo, no capítulo XVIII—Resgates Coletivos, do livro Ação e
Reação, psicografado e editado pelo Espírito André Luiz, 2a. ed. FEB, páginas
236 e seguintes, encontra-se o relato de um desastre aviatório.

Qual era a situação das pessoas vitimadas?

Vários desencarnados no referido acidente encontravam-se em posição de
choque, presos aos respectivos corpos físicos, mutilados parcial ou totalmente,
entretanto alguns apresentavam-se em melhores condições de lucidez consciencial.

Outros sentiam-se imantados aos próprios restos cadavéricos, gemendo de dor e
sofrimento, e outros ainda gritavam em desespero, mantendo-se também
aprisionados aos despojos físicos, em violenta crise de inconsciência, numa
profunda perturbação.

Os espíritos socorristas, médicos e enfermeiros em especial, a todos atendiam
com elevado sentimento de compaixão, prestando a assistência espiritual de
acordo com a situação de cada um.

Comentários elucidativos a respeito da situação de cada vítima, feitos por
generoso mentor espiritual, merecem ser analisados para efeitos de
esclarecimentos educativos, objetivando a autoconscientização e o
autoconhecimento de cada um e de todos.

1. O socorro espiritual é ministrado indistintamente a todos, sem nenhuma
exceção.

2. A expressão—”Se o desastre é o mesmo para todos, a morte é diferente para
cada um”, é um ensinamento importante e merece ser assimilado.

3. Nem todos podem ser retirados dos despojos físicos, cadaverizados, logo
imediatamente.

4. A afirmação de que “Somente aquele cuja vida interior lhe outorga a
imediata liberação”, é de relevante significado educativo, pois revela a
necessidade moral de se buscar o autoconhecimento e a conseqüente emancipação
psicológica e emocional indispensável para maior autonomia e discernimento
conscienciais, ainda em plena vida física.

Consequentemente, isto implica um processo de autoeducação pessoal, ao longo
da vida, face aos grandes desafios existenciais, exigindo a autotransmutação,
capaz de conferir a cada um a plena liberdade e autonomia no pensar, sentir e
agir, em harmonia com as Leis da Vida, na construção da paz dentro e fora de si
mesmo, e na vivência do bem incondicional.

As pessoas que se dispuseram a viver em harmonia com a cosmoética nada têm a
temer diante do momento decisivo e crucial da própria morte física.

5. Aquele cuja vida consciencial se manteve em desalinho, vivendo em
descompasso desarmônico com as Leis da Vida, concentrando-se no egoísmo
egocêntrico, perdendo valiosas oportunidades de amar e bem servir ao próximo
como a si mesmo, e, por conseguinte, ficando mais condicionado às manifestações
instintivas e emocionais, sem nenhuma preocupação com os valores espirituais
para o próprio crescimento e desenvolvimento consciencial, este fica apegado ao
corpo físico, não tendo condições de manter equilíbrio harmônico e a lucidez
consciencial indispensáveis à neutralização dos impulsos de atração e imantação
energética que o retém ao cadáver mutilado.

Nestas circunstancias, o desencarnado permanecerá ligado por tempo
indeterminado aos despojos cadavéricos que lhe pertencem.

6. Este tempo indeterminado está na dependência “do grau de animalização dos
fluídos que lhes retêm o espírito à atividade corpórea”. (p. 238).

Pode levar horas, dias ou meses até a completa e plena auto-libertação
psicológica, emocional, consciencial e espiritual.

7. As expressões seguintes merecem ser meditadas por sua relevante
transcendência:

a) “Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma”. b) “O gênero de
vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa
morte” (p. 238).São por demais claras e, de certo modo, contundentes, no sentido
de não deixar dúvidas ou escapismos.

8. Outra expressão complementar às já mencionadas também deve ser motivo de
reflexão—”Morte física não é o mesmo que emancipação espiritual” (p. 239).

9. Mas aquelas vítimas desencarnadas no desastre, as quais não têm condições
de se afastar do próprio cadáver, mediante a ruptura dos laços bioenergéticos
que ligam o espírito ao corpo físico, através dos respectivos centros vitais ou
chakras existentes no perispírito, estas vítimas ficarão relegadas ao sabor das
circunstancias, por tempo indefinido, sem nenhum outro tipo de assistência
socorrista?

Jamais isto acontece.

Todas, sem exceção, são amparadas sempre.

“Ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo”. (p.
239).

10. O ser humano encarnado ou desencarnado pode, a cada momento da
existência, por meio do Bem “sentido e praticado”, também modificar seu próprio
destino para melhor, neutralizando ações e reações negativas circanstanciais,
afastando do próprio horizonte “as nuvens de sofrimentos prováveis”. (p. 240).

Mas indagações se impõem.

– Quais as causas que originaram semelhante provação?

– Quais os fatores circunstanciais que direta ou indiretamente contribuíram
para a morte violenta e dolorosa através de desastres ou acidentes fatais?

A resposta encontra-se nos ensinamentos luminosos e redentores do Cristo,
quando afirma:

“A cada um será dado segundo suas obras” ou “Cada um colhe de acordo com o
que semeia”.

Este ensinamento expressa a Lei de Ação e Reação ou Lei de Causa e Efeito,
também ensinada pela sabedoria milenar do Oriente como Lei do Carma.

A título de esclarecimento, poder-se-ia estabelecer possíveis correlações
entre a herança cármica individual ou coletiva, para poder explicar a origem de
tais acontecimentos provacionais, dolorosos e irreversíveis.

Sem pretender aprofundar o tema relativo a Lei do Carma, algumas relações
podem ser estabelecidas, tais como:

a) As vitimas de hoje, perdendo a vida de modo tão trágico e violento,
poderiam, em outras épocas passadas, ter cometido crimes não menos violentos
também, atirando pessoas ou desafetos indefesos do “cimo de torres altíssimas,
para que seus corpos se espatifassem no chão”…

b) As vítimas dos desastres de hoje poderiam ser as mesmas pessoas que em
tempos passados se entregavam à pirataria, cometendo crimes hediondos em alto
mar.

c) Ou suicidas que se precipitaram de edifícios ou se lançaram de elevados
picos à beira de verdadeiros abismos, estraçalhando o corpo físico contra os
rochedos pontiagudos, em manifesta rebeldia, insubmissão e desrespeito às leis
da vida.

d) Ou também homicidas que praticaram crimes hediondos, seqüestrando e
incendiando aldeias indefesas, ceifando vidas de crianças e adolescentes,
estuprando e violentando mulheres para assassiná-las posteriormente com
requintes de crueldade, ou que massacraram pessoas idosas sem piedade.

Quantos homens e mulheres, crianças e jovens, vivendo atualmente, em cuja
ficha cármica encontram-se registrados erros e equívocos do passado próximo ou
milenar, aguardando o despertar e o amadurecimento consciencial de cada um, para
o indispensável trabalho educativo da própria redenção, através de novas
oportunidades existenciais de trabalhar construtivamente na reconstrução do
próprio destino para melhor, reencontrando as antigas vítimas e algozes de
passadas existências, na condição de familiares, pais, filhos, irmãos, parentes
ou amigos, para juntos viverem as lições do amor e do perdão incondicionais, sem
o que não haverá paz na consciência e tampouco a plena quitação com a Lei de
Deus.

11. Entretanto, é também da própria Lei Cármica que, a todo e qualquer
momento, cada consciência encarnada ou desencarnada poderá modificar o próprio
destino para melhor desde que se disponha a amar e servir, trabalhando na
semeadura do Bem, adquirindo desta forma, pelo trabalho de auto-regeneração
redentora, os indispensáveis créditos de merecimento que lhe

trarão a paz consciencial, anulando os reflexos negativos decorrentes das
ações infelizes do passado próximo ou remoto.

Deste modo “gerando novas causas com o bem, praticando hoje, podemos
interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e
reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio”. (241).

12. É possível escolher o gênero de provações existenciais e até mesmo o
gênero de morte?

Sem dúvida. Para tanto é indispensável ter adquirido maturidade espiritual e
o merecimento indispensável para se propor e planejar uma nova existência
reencarnatória, tendo em vista cooperar para o progresso e o bem comum, através
de uma vida de trabalho, doação, sacrifício e renúncia, dedicando-se aos mais
diversificados projetos de realização progressista, em benefício da coletividade
em geral, contribuindo muitas vezes com o sacrifício da própria vida.

Assim sendo, muitos se preparam em tempo hábil, antes de uma nova
reencarnação, habilitando-se para correr o risco de vida, e sofreram até mesmo
morte violenta, em benefício do progresso das ciências em geral, das artes, da
medicina e saúde, da indústria, da pesquisa de ponta em laboratórios e projetos
de reconhecida periculosidade, em favor do progresso da navegação marítima, da
aeronáutica, da engenharia, dos transportes terrestres, das viagens espaciais,
da liderança política e do trabalho edificante e sacrificial no campo das
reformas político-sociais, econômicas e educacionais, etc., objetivando
beneficiar a sociedade em geral, promovendo direta ou indiretamente o
desenvolvimento de um povo, da nação ou país na construção da paz e da justiça
sociais.

Como se vê, a Lei Divina é Lei de Amor, Justiça e Misericórdia, não excluindo
nenhum ser humano do direito de ser artífice do próprio destino.

13. Uma outra pergunta se faz necessária para maior elucidação do tema em
estudo.

Todos terão condições de tomar esta decisão, no sentido de escolher o gênero
de provação sacrificial?

Nem todos, porque a livre escolha depende do estágio de maturidade espiritual
alcançado e, também, das auto-realizações no campo das ações edificantes e
benéficas em prol do semelhante, das antigas vítimas do passado, dos que direta
ou indiretamente foram atingidos por nossa insanidade na prática do mal.

É indispensável, pois, que cada espírito ou Eu-Consciencial já tenha
adquirido a plena consciência no pensar, sentir e agir com lucidez e
discernimento na mais íntima interação com as Leis da Vida, amando e servindo
pelo amor à verdade, ao bem incondicional, trabalhando proficuamente na
reconstrução do próprio destino, dispondo-se a viver conscientemente a lei do
amor, do perdão, ida solidariedade, sem nenhum preconceito ou condicionamentos
atávicos segregacionistas de qualquer espécie.

Como se vê, a liberdade de escolha está na razão direta da conquista
realizada pelo próprio espírito, no sentido do auto-conhecimento e da
auto-transmutação consciencial, atingindo o maior índice possível de
auto-realização na construção do reino de Deus dentro e fora de si mesmo.

É pois um longo processo de maturação consciencial, a que todos estamos
submetidos, ao longo das múltiplas e milenárias experiências de aprendizagem
existencial através das vidas sucessivas.

Daí por que o ensinamento milenar—o ser humano é arquiteto do próprio
destino.

As religiões dogmáticas e sectárias que envenenaram a mente humana com as
idéias de castigo, punição, inferno, penas eternas, excomunhão, favoritismo para
conquistar as benesses do paraíso celestial, prometendo a salvação mediante
indulgências, penitências e atos litúrgicos sacramentais, inerentes ao culto
externo e a idolatrias, ensinando o temor a Deus, contribuíram direta ou
indiretamente para que o medo patológico se instalasse na mente humana, ao longo
da evolução histórica da humanidade terrestre, gerando o fanatismo, a
intolerância e a separação entre crentes e descrentes, criando dependências
psicológico-emocionais, escravizando mentes e corações.

A liberdade de escolha está diretamente associada ao princípio da
responsabilidade individual e coletiva intransferível e irrevogável.

Cada qual, com sua respectiva herança cármica, muitas vezes é submetido a
diferentes provas existenciais na infância, na mocidade, na idade adulta ou na
velhice, passando por experiências de mutilação reversível ou não, por
enfermidades de difícil tratamento a curto, médio ou longo prazo, por acidentes
dolorosos e até mesmo a morte súbita em circunstancias inesperadas e
traumatizantes.

Os seres humanos que estão onerados perante as leis éticas da vida e que para
se redimirem têm necessidade de viver provações e lutas expiatórias, encontram
aqueles outros que se dispõem a ajudá-los através das relações familiares na
condição de pais, parentes ou amigos, e que juntos se dispõem coletivamente ao
aprendizado redentor, porque na maioria das vezes estão também vinculados
reciprocamente por compromissos e comprometimentos cármicos específicos.

A provação coletiva desperta o sentimento de solidariedade humana,
impulsionando todos a uma revisão dos valores e significados éticos do viver,
descortinando a cada um novos horizontes conscienciais .

Deste modo, pode-se afirmar que, no Plano Divino da Criação, não há falhas e
a Lei é de Amor, Justiça e Misericórdia, concedendo a cada um e a todos iguais
oportunidades de progresso material, e espiritualmente falando, através das
vidas sucessivas, na construção e reconstrução de um destino feliz.

14. E a morte por suicídio?

Doloroso equívoco cometem aqueles cuja decisão final é o apelo ao suicídio,
como medida extrema para solucionarem problemas aflitivos, psicológicos,
emocionais, conscienciais e existenciais.

A maior surpresa é a de que a vida não se extingue com a morte do corpo
físico.

Doloroso e grave engano, porque o suicida se vê muitas vezes jungido aos
despojos cadavéricos, por tempo indeterminado, através dos laços bioenergéticos
que ligam o perispírito ao respectivo corpo físico em decomposição.

As sensações e emoções experimentadas pelo suicida variam de caso para caso.

Há, entretanto, algo em comum, ou seja, a constatação de que a vida
consciencial é indestrutível e que ninguém burla suas leis sem assumir pesados
compromissos cármicos a impor a indispensável reparação compulsória, por ter
rompido, prematuramente, os elos de ligação psicobiofísica que permitiram a
manutenção da vida no plano físico por uma cota de tempo compatível com as
necessidades específicas de auto-realização espiritual de cada um, através do
cumprimento de um plano de realizações existenciais educativo, visando à plena
harmonização consciencial com as leis da vida, e na execução de projetos
específicos de aprendizagens provacionais, sacrificiais, missionárias ou de
resgate inadiáveis, tendo em vista a necessidade moral de construir a própria
redenção.

Os relatos mediúnicos contendo informações sobre a situação do suicida após o
ato cometido são unanimes em afirmar o estado de dolorosa penúria do espírito, o
qual se vê num processo psicodinamico e bioenergético de recapitulação
compulsiva das ações desencadeadas em decorrência do suicídio, gerando um
profundo sentimento de remorso, dor e sofrimento inomináveis.

Este estado de verdadeira psicose alucinatória assume características
dantescas, dramáticas e traumáticas, e na maioria dos casos o suicida sente-se
mais vivo e sensível aos embates da decomposição cadavérica do próprio corpo
físico.

Ora se vê no local onde o ato se consumou, ora se vê autopsiado e ao mesmo
tempo preso ao túmulo, onde jazem os restos mortais sepultados.

Neste verdadeiro inferno consciencial se debate por tempo indeterminado,
podendo durar dias a fio, meses ou anos até que, pela dor e sofrimento, possa
despertar mais lúcido para compreender melhor o equívoco cometido. Para tanto, o
remorso e o arrependimento são etapas inerentes ao despertar consciencial,
seguidas de uma necessidade moral profunda de se redimir perante a própria
consciência e às Leis de Deus.

Durante todo este tempo não fica abandonado pela misericordiosa assistência
espiritual dos espíritos socorristas e familiares em condições de ajudar, bem
como de amigos e protetores, que, amorosamente, prestam o socorro necessário,
sem entretanto violar o código ético da vida.

Após esta fase crucial, à medida que for apresentando sinais de melhor
receptividade e lucidez, é submetido a um complexo tratamento
magnético-espiritual específico, em clinicas altamente especializadas,
encarregadas de dar atendimento psicoterápico e sonoterápico, objetivando a
plena recuperação do suicida.

Geralmente, a morte por suicídio produz marcas profundas no perispírito, e
elas poderão determinar lesões nos respectivos centros vitais e demais órgãos
perispíriticos, que irão repercutir na embriogênese e organogênese de um novo
corpo físico em uma próxima e futura reencarnação.

Em conseqüência, nas futuras reencarnações o suicida poderá apresentar
malformações congênitas ou doenças hereditárias irreversíveis, na maioria dos
casos, renascendo em situações de excepcionalidade, exigindo muito amor e
dedicação dos pais e familiares, médicos e enfermeiros, e tratamento em clínicas
especializadas.

Não se deve, nestes casos, pensar em castigos ou punições divinas, mas
tão-somente no cumprimento da Lei do Carma genético.

Através destas limitações morfogenéticas a curto, médio ou longo prazo, o
suicida de ontem renasce em um novo corpo físico, com disfunções congênitas
reversíveis ou irreversíveis, como decorrência natural das lesões registradas na
memória genética perispíritica que servirão de matrizes indutoras a influenciar
negativamente durante a gestação, na organogênese e morfogênese, do novo corpo
físico, determinando malformações congênitas ou doenças hereditárias,
correspondentes às lesões perispíriticas causadas por traumatismos, em
decorrência do suicídio cometido em vidas anteriores.

A título de esclarecimento, há também casos de suicídio indireto, no qual a
pessoa não tem a deliberação plena de cometer o suicídio propriamente dito, mas,
pelo tipo de vida que leva, sem maiores compromissos com a saúde física e
mental, expondo-se a situações de risco por imprudência, ou praticando excessos
de toda a natureza, poderá morrer prematuramente, sendo, portanto, considerado
também um caso de suicídio indireto.

MORTE E EDUCAÇÃO

Vê-se pois, que a morte na visão espírita é u m fenômeno natural de mudanças
e transmutações, inerentes à própria dinâmica da vida.

A Pedagogia espírita, propõe-se através da educação formal e informal,
desenvolver uma ação educativa, iniciando no respectivo lar, tendo os pais como
pedagogos e educadores, com a missão natural de orientar e educar os filhos,
desde a fase preparatória antes da reencarnação propriamente dita, através do
processo psicobiofísico da gestação, acompanhando-os com amor e dedicação em
todas as fases do crescimento e desenvolvimento pleno, quando assumirão com
maior consciência e responsabilidade deveres e obrigações de viver
construtivamente, em harmonia consigo mesmos, com a natureza, com a sociedade,
com a vida, cumprindo o plano divino de suas existências.

Compreendendo desde cedo que a vida é imperecível, e que o ser humano como
espírito ou consciência em expansão é um agente co-criador que integra e
participa de um plano maior, de acordo com o nível de maturidade consciencial
alcançado, e com a correspondente autonomia relativa, de agir e interagir no
contexto existencial que lhe é concedido viver, é natural e de esperar que venha
gradativamente, pela educação recebida, a desenvolver uma cosmovisão
existencial, sem as peias do medo de qualquer espécie e muito menos do medo da
morte e do morrer.

Nesta perspectiva, a Educação espírita visa o Ser integral, homem ou mulher,
cujos papéis no contexto do viver se complementam e se integram na grande
sinfonia da vida, com iguais direitos e deveres éticos e cosmoéticos no
desempenho de seu respectivo plano existencial.

Como decorrência lógica deste processo de educação anímico-consciencial
permanente, cada pessoa vai sentindo a imperiosa necessidade ético-espiritual de
expandir-se na busca do auto-conhecimento, na construção da plenitude
consciencial, livre de preconceitos e condicionamentos atávicos ou adquiridos,
limitadores da liberdade de pensar, sentir e agir em harmonia com as leis da
vida, numa visão plena de totalidade, integração e complementaridade.

Assim sendo, o viver passa a ser uma aprendizagem constante em todas as
etapas do crescimento e desenvolvimento pessoal, de uma autoconsciência
holística, ecológica e integradora, a se manifestar através de um comportamento
individual e social, construtivo, edificante e solidário, em todos os momentos
de sua vida de relação.

Sabe, por experiência própria, através de uma educação holística
espiritualista ou espírita, que a vida de relação não se extingue com a cessação
da vida física, mas ultrapassa os limites espaço-temporais do aqui, agora,
expandindo-se na multidimensionalidade extrafísica da Biosfera e do Universo.

Consequentemente, tem consciência e discernimento de que é um agente
co-criador arquiteto do próprio destino em todos os níveis de manifestação da vi
da consciencial .Assim sendo, sente a própria dimensão transcendente do viver no
plano físico e extra-físico através de suas funções psi, anímico-mediúnicas,
paranormais, que lhe possibilitam projetar-se fora do respectivo corpo físico,
penetrando nos diferentes níveis e planos conscienciais extra-físicos,
continuando na dinâmica da vida de relação a interagir com espíritos ou
consciências afins, encarnados ou desencarnados, realizando novos aprendizados
enriquecedores ou participando solidariamente nas tarefas e trabalhos
assistenciais ou socorristas, vivendo conscientemente o amor solidário, o amor
compaixão, o amor-fraternidade, expressões particulares do verdadeiro “amor ao
próximo como a si mesmo”, princípio universal da Cosmoética, sem cuja
observância o ser humano encarnado ou desencarnado não poderá ser plenamente
feliz e nem poderá viver em paz consigo próprio, com a vida, com a natureza e
com a humanidade.

Ressalta-se, pois, a importância da Educação numa visão e abordagem
holística, integradora, sem os condicionamentos dogmáticos e sectários que
dividem e segregam os seres humanos de todas as raças, povos e nações, tanto no
Oriente como no Ocidente.

Sem dúvida alguma, o Espiritismo vem contribuindo para o desenvolvimento
desta consciência holística, individual e coletiva, sem violentar a liberdade de
pensar e de escolher o próprio caminho para o auto-conhecimento e a
auto-realização como Espírito ou uma consciência em expansão, na construção da
plenitude existencial rumo à plenitude do Ser.

Tais princípios educativos, fazendo parte dos currículos educacionais nas
escolas de ensino fundamental, ampliando-se no segundo grau e ensino superior,
através de projetos psicopedagógicos multi e transdisciplinares integrantes de
um plano educacional de maior amplitude, privilegiando a valorização da Vida, a
educação física, mental e afetiva do ser humano numa perspectiva holística,
integradora e transcendente, possibilitando o desenvolvimento cognitivo, afetivo
e espiritual, com ênfase no auto-conhecimento, e numa cosmovisão transcendente
da v ida, em que a morte não seja considerada o fim de tudo, mas apenas uma
grande e profunda transmutação consciencial.

Deste modo, a convicção adquirida e consolidada através de um novo paradigma
educacional—holístico, ecológico, espiritualista ou espírita, evolucionista,
convicção não imposta— mas construída através da auto-educação, de que o
Espírito ou o Eu-Consciencial é um ser. agente co-criador, e integrante do
processo dinâmico da própria vida, evoluindo ao longo de um contínuo histórico
através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução do próprio destino,
nesta perspectiva cada Consciência, tanto no plano físico ou extra-físico, sente
a realidade existencial com maior amplitude, eliminando toda e qualquer reação
instintiva de medo face aos grandes desafios educativos da Vida e do próprio
viver.

Assim sendo, adquire e desenvolve a plena lucidez e discernimento, cognitivo
e afetivo, de que a vida de relação se expande também, além do aqui, agora,
possibilitando a interação entre encarnados e desencarnados, segundo os
princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância.

Através da constatação do próprio potencial anímico-mediunico, a
manifestar-se por meio das funções psi, paranormais, ampliando as percepções
extra-sensoriais e autoprojeção, fora do corpo, a constatação da realidade multi
e transdimensional espaço-temporal torna-se uma evidência incontestável, com
profunda repercussão no comportamento ético individual e coletivo, podendo
acelerar o processo das grandes transformações político-sociais, econômicas,
culturais, ético-religiosas, educacionais, e do despertar de uma consciência
ecológica, holística, harmônica e integradora, na construção da Paz individual e
coletiva, indispensável à implantação de uma nova ordem, alicerçada na
Cosmoética do “amor ao próximo como a si mesmo”, em todos os níveis de
manifestação consciencial.

A comprovação científica dos fenômenos naturais, inerentes ao intercâmbio
mediúnico, muito contribuirá para evidenciar, com maior solidez, a sobrevivência
espiritual do ser humano, na mais eloqüente demonstração universal de que a
morte não rompe e nem destrói os laços afetivos de amor conjugal, amor paternal,
maternal, amor filial, fraternal, amor-solidariedade, amor-compaixão, entre as
mentes e corações afins, encarnados e desencarnados, na dinâmica da vida
imperecível.

(ANATONIA DO DESENCARNE)

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