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Nós Somos Porque Eu Sou

Uma narrativa amplamente divulgada na web, não apenas em português, espalhada em blogs e redes sociais, nos dá conta de que um antropólogo propôs uma brincadeira a crianças de uma aldeia africana. Deixando um cesto de frutas debaixo de uma árvore, ele disse que aquele que lá chegasse primeiro ganharia todas as frutas. Dada a largada da corrida, todas as crianças teriam saído de mãos dadas e chegado juntas, sentando-se para aproveitar o prêmio. Sabendo que uma delas poderia ter ficado com tudo, sozinha, o antropólogo perguntou a razão daquele comportamento, ao que elas responderam: “Ubuntu, como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?” Segue-se o esclarecimento sobre o significado de “ubuntu”: “eu sou porque nós somos”.

Embora não se ache qualquer informação confiável sobre a fonte original, não se pode negar que esta história nos diz algo importante. Sobre nós. Sobre a condição humana.

A vida é uma rede de interações profundas, onde somos afetados por tudo que nela se dá. E onde todos os níveis nos quais atuamos recebem os nossos movimentos.

Nossos pensamentos não apenas regem nossas ações e nosso bem-estar, mas também chegam àqueles que nos rodeiam através do que dizemos e escrevemos, e sutilmente, pela influência invisível.

Nossos sentimentos nos modificam e modificam sentimentos ao redor de nós. Nossos atos concretamente deixam marcas na realidade visível.

Assim, despertamos a cada manhã com as possibilidades de nosso corpo, de nossos sentimentos e pensamentos para a grande e verdadeira arte do viver neste mundo, que compartilhamos com o Sol que desponta, com os gnus no Serengueti, com as pessoas no ponto de ônibus e, até, com o centro da Via Láctea. Em síntese, em todo agir, há um transformar.

Vemos, no planeta, contudo, pessoas que vivem como se pouco ou nada mais importasse além delas mesmas. Confinadas aos seus corpos, de posse das suas coisas (ou agarradas a elas), tratando preferencialmente de seus interesses. Vemo-las às vezes frustradas, às vezes, buscando uma felicidade que não sabem ao certo onde encontrar, correndo atrás de dinheiro, de afeto, de satisfações momentâneas. E não somente não reconhecem a interdependência de sua vida em relação às outras vidas, como também não percebem como suas atitudes afetam o todo.

Porque assim é, recíproco. Se eu sou porque nós somos, então nós somos porque eu sou. O “todo” que nos inclui necessita de nossa presença, responde aos nossos pensamentos, falas e gestos. É como é, porque nós somos o que somos, mesmo em nossas contribuições aparentemente mais ínfimas.

Emmanuel escreveu em “Fonte Viva”: “Ninguém respira tão-somente para si”. Como criaturas nesse plano encarnado, somos semelhantes em alguns aspectos, distintos em outros. Exercemos influências no lar, no meio, no mundo, a partir daquilo que somos e que expandimos de nós. A diversidade é uma das maiores riquezas do planeta. Ninguém gostaria de viver num mundo de clones de si mesmo. Não haveria a descoberta e nem o aprendizado, muito menos, o maravilhamento. Também por isso, cada ínfima contribuição é única.

Então, que a diversidade continue existindo com toda dignidade. E que nossas semelhanças sejam compreendidas e nossas diferenças, respeitadas, começando pelo respeito por nós mesmos.

Que possamos relembrar a prece de Francisco de Assis: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver trevas, que eu leve a luz; onde houver tristeza, que eu leve alegria”. E que façamos mais que relembrar. Que levemos, talvez, não uma montanha ou, sequer, um punhado. Talvez possamos acrescentar a este mundo uma gota ou um grão de luz, ou de alegria, ou de união… o que pudermos ofertar. Mas que seja puro, que seja de verdade, que expresse aquilo que trazemos de melhor em nós… como forma de gratidão pela oportunidade incomparável de compartilhar este maravilhoso planeta com tantas vidas, tantas inteligências.

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