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O Encosto e a Mesa Branca

O Encosto e a Mesa Branca

Eis duas expressões absolutamente incoerentes e distantes do Espiritismo.
Muita gente confunde o que seja a Doutrina Espírita e utilizam-nas quando se
referem à prática espírita, refletindo o próprio desconhecimento. Até por uma
questão de respeito e educação, devemos saber do que falamos antes de falar.

A primeira expressão é fruto do folclore popular e inexiste no vocabulário
espírita, porque verdadeiramente o que ocorre é apenas influência mental, no
fenômeno da obsessão
(1), dominadora, de um espírito (2) para com
uma pessoa. Espírito algum fica “encostado” em alguém, pois o fenômeno é
psíquico, mental, embora possa ocorrer o que se costuma definir como subjugação

(3).

Já a segunda expressão é outro absurdo. Na prática espírita não é preciso
mesa, nem cadeiras, embora possamos utilizar por mera questão de conforto
físico. A prática espírita dispensa qualquer objeto material pois está
absolutamente centrada na consciência e nos sentimentos e a suposta cor da mesa
ou da toalha que a reveste nenhuma influência ou poder exerce sobre as reuniões
ou fenômenos que possam ocorrer. A expressão popular surgiu para diferenciar uma
possível diferença entre o chamado “baixo” ou “alto” espiritismo. Bem, aí caímos
em outro paradoxo, também fruto desse descompasso entre a realidade e o precário
conhecimento popular.

Espiritismo é um só! Aquele mesmo codificado por Allan Kardec (4), a partir
da publicação de O Livro dos Espíritos (aos 18/04/1857) e toda sua prática e
teoria estão embasados na lógica, no bom senso e na fraternidade. Portanto,
absurda a qualificação de alto ou baixo.

Por isso, caro leitor, quando ouvires tais expressões, considere que a pessoa
que as pronuncia desconhece absolutamente o que seja o Espiritismo. Para
constatar quando uma casa espírita esteja verdadeiramente inspirada pela
Doutrina Espírita, verifique se suas práticas estão subordinadas ao bom senso, à
lógica e principalmente ao bem geral, objetivo que deve nortear suas atividades.


  1. Influência maléfica de um ser do plano espiritual, como regra geral;
  2. Ser situado no plano espiritual, antes ou depois da vida física na Terra;
  3. Dominação física no fenômeno da obsessão. Vide O Livro dos Médiuns,
    capítulo 23;
  4. Pseudônimo do professor francês Hypollyte Leon Denizard Rivail.

 

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