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O Esperanto na Mensagem dos Espíritos

O Esperanto na Mensagem dos Espíritos

“Toda a planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada pela raiz”
– Jesus

Do labor psicográfico florescido em abundância nos campos espíritas, tem
merecido atenção os romances do jovem César Augusto Melero, através da
psicografia de Célia Xavier de Camargo. Em seu primeiro livro “Céu Azul”, ele
nos relata os acontecimentos ligados aos seus últimos dias como encarnado,
vivenciando experiência dolorosa e redentora em meses de permanência como
prisioneiro da doença incurável que lhe atingiu a perna esquerda, a posterior
transição para o mundo espiritual e a afetuosa receptividade e acolhimento na
colônia “Céu Azul”, que passou a integrar, e cuja dinâmica de trabalho passa a
descrever.

Tendo ocorrido o desenlace desencarnatório em 1985, eis que, doze anos
depois, aparece a primeira edição de “Céu Azul”, romance que pode ser definido
como o relato póstero de uma bem sucedida empreitada reencarnatória, que teve
como principal aspecto em seu planejamento a redenção do personagem, com
aproveitamento dos melhores. Em plena juventude prisioneiro da doença, do leito
e da dor, o jovem se posiciona com firmeza e decide aproveitar o ensejo para o
próprio aprofundamento no conhecimento espírita, superando dificuldades,
acomodando-se na aceitação, mantendo desobstruídos os canais para a influência
espiritual superior, com isso elaborando uma radical transformação interior,
cuja luz transcendeu à iluminação dele próprio, estendendo-se aos familiares e
amigos, por ele mesmo confortados nos cruciais momentos finais de sua jornada
terrestre. E que com certeza estendeu-se também ao grupo de testemunhas
invisíveis e vigilantes, amigos e desafetos desencarnados, que com ele se
ligavam… Felizes nós, espíritas, que temos a incomparável oportunidade de
renascer no Brasil, bafejados pelo superior conhecimento das Leis Morais da
Vida, canalizado pela abençoada doutrina codificada por Allan Kardec! Que nos
traz a certeza de que temos em nós mesmos o poder de transformar os aparentes
espinhos de nossas existências em flores perfumadas, cujo perfume porta o
maravilhoso poder de edificar, sanear, recuperar e vivificar, em nós e ao redor
de nós! Convicção essa que escreveu belíssimas histórias como a de Jésus
Gonçalves, de Jerônimo, o Gigante deitado, e mais recentemente, de César
Augusto…

Uma vez acolhido e suficientemente adaptado na colônia “Céu Azul”, o moço
passa a participar da atraente dinâmica de trabalho nela realizada, descreve a
integração com o Centro Espírita onde age a médium que o intermediou e a
vivência dos jovens em grupos, sempre com a assistência afetuosa e esclarecedora
de outros espíritos mais experientes, o amor sendo a tônica permanente das
relações humanas… Interessante notar lições se somando a lições, a importância
da educação continuada nas organização da colônia… E a importância da
auto-análise individual, do conhece-te a ti mesmo, das reavaliações das
histórias de vida, das retomadas de rumo…

Dentre as diversas formas de lições que se apresentam, mensagens trazidas de
esferas mais altas acontecem … Eis que, vindo de Esferas mais Altas, o elevado
espírito Urbano visita “Céu Azul”, e disserta sobre a Nova Era cuja instalação
já está se processando sobre a Terra… sobre as dores inevitáveis e o
planejamento socorrista do Plano Espiritual a todos os sofredores… As
transformações necessárias e a missão do Brasil, desfraldando a bandeira do
TRABALHO, SOLIDARIEDADE E TOLERÂNCIA. Para total aproveitamento, remeto o leitor
ao livro mesmo, ao capítulo 27, para colher esta água totalmente pura,
diretamente da fonte… Ao fim da preleção, o orador se dispôs a dar respostas a
dúvidas pertinentes ao assunto, que uma vez formuladas e respondidas , dão
matéria para o capítulo 28…

Eis que, dentre perguntas as mais diversas, alguém questiona: “(…) acho justo
que os povos se unam num congraçamento de apoio e assistência geral. Mas, em
termos de comunicação, como se dará este intercâmbio? Através de uma outra
língua, o Esperanto, por exemplo, de que temos ouvido falar?” E, mais adiante,
sob motivação da lembrança do estudo do Esperanto oferecido na colônia: “(…)
porque o estudo do Esperanto aqui na Espiritualidade, considerando que será mais
utilizado no mundo terreno?”

Transcreverei diretamente a resposta de Urbano, procurando manter o conteúdo
imaculado:

“Exatamente, meu jovem amigo, através do Esperanto, que é um idioma criado
para unir os povos. Só que o Esperanto não é “mais” uma língua, é a língua do
futuro (…). É aquela que irá facilitar a realização das palavras do Cristo,
quando assevera que haverá “um só rebanho e um só pastor”.

E em resposta à segunda questão:

“(…) ainda “do lado de cá” da vida, se formos chamados a colaborar com os
demais povos do Planeta, no atendimento a irmãos nossos desencarnados em
condições difíceis, para os quais o idioma ainda é um entrave à comunicação, o
conhecimento do Esperanto irá facilitar o entrosamento e a assistência aos
necessitados. (…) Pedidos de socorro já estão sendo feitos. Em esferas mais
altas isto é uma realidade, demonstrando a necessidade de nos agilizarmos no
atendimento fraterno e solidário”.

Vai se tornando evidente, caros amigos, que o Esperanto é empreendimento que
se realiza paralelamente nos dois planos da vida, é árvore que lança seus ramos
na terra material mas que tem suas raízes fortemente enraizadas no mundo
espiritual… E cujos frutos alimentará a nossa fome de Paz, de Harmonia, de
Congraçamento Universal, de Amor Incondicional…

De livro em livro, de mensagem em mensagem, prezados amigos, vai se
sedimentando mais e mais a certeza de que esta árvore, verdadeiramente, o Pai
plantou…

Que adubá-la e regá-la com o nosso trabalho humilde, pacífico,
despretensioso, firme e fiel seja a parte que nos cabe nessa edificação de um
mundo melhor…

(Jornal Verdade e Luz Nº 176 de Setembro de 2000)