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O Excepcional e o Suicida

A criança excepcional impressiona a todos, esteja ela com que grau de
excepcionalidade que estiver. Estudar o excepcional e o que ele representa para
cada mãe, para eles próprios é tarefa árdua só tendo encontrado alguma resposta
nos ensinamentos de Kardec. Porque nascem crianças indefesas com este estigma da
excepcionalidade? Porque já ao nascerem vem carregando tamanho drama? Conseguem
elas, apesar da aparente total idiotização de alguns, compreender o que se passa
em seu derredor?

Questionamentos inúmeros de toda gente.

Chico Xavier, do livro de Adelino da Silveira, que reproduz trecho de
entrevista de Chico por Hebe Camargo, Especial de Natal com Chico Xavier quando
responde a pergunta relativamente se a criança excepcional o é por Carma ? E
este Carma seria dos pais ou da criança? Ao que Chico responde:

“- A criança excepcional sempre me impressionou, pelo sofrimento de que ela é
portadora, não somente em se tratando dela mesma, mas também dos pais, e isso
tem sido tema de várias conversações minhas com Emmanuel, que é Guia Espiritual
de nossas tarefas. Ele então disse que em regra geral, a criança excepcional é o
suicida reencarnado. Reencarnado depois de suicídio recente , porque a pessoa
quando pensa que se liquida, está apenas estragando ou perdendo a roupa de que a
Providência Divina permite que se sirva durante a existência, que é o corpo
físico, a verdade é que ela em si é um corpo espiritual; então, os remanescentes
do suicídio acompanham a criatura que praticou autodestruição para a vida do
mais além. Lá, ela se demora algum tempo, amparada por amigos, que toda criatura
tem afeições por toda parte; mas, volta à terra com os remanescentes que levou
daqui mesmo, após o suicídio. Se uma pessoa espatifou o crânio e o projétil
atingiu o centro da fala, ela volta com a mudez; se atingiu o centro da visão,
volta cega, mas se atingiu determinadas regiões mais complexas do cérebro, vem
em plena idiotia e aí os centros fisiológicos não funcionam. A endocrinologia
teria de fazer um capítulo especial para estudar uma criança surda, muda, cega,
paralítica, porque aí a criatura seria uma vida no santuário da vida, que é a
parte mais delicada do cérebro. Se ela suicidou-se, mergulhando em águas
profundas, vem com a disposição para o efizema infantil ou da mocidade nos
primeiros dias de vida; se ela se enforcou, vem com a paraplegia, depois de uma
simples queda, que toda criança cai (do colo da ama, do colo da mãezinha);
então, quando o processo é de enforcamento, a vértebra que foi deslocada vem
mais fraca e, numa simples queda, a criança é acometida pela paraplegia. E nós
vemos por aí outras crianças que vem completamente perturbadas: a esquizofrenia,
por exemplo, diz-se do suicídio depois do homicídio. O complexo de culpa adquire
dimensões tamanhas que o quimismo do cérebro se modifica e vem a esquizofrenia
como uma doença verificável, porque através dos líquidos expelidos pelo corpo é
possível detectar os princípios de esquizofrenia; mas o esquizofrênico é o
homicida que se fez suicida, porque o complexo de culpa é tão grande, o remorso
é tão terrível que aquilo reflete na próxima vida física da criatura durante
algum tempo ou muito tempo.”

Na seqüência do programa foi perguntado : “Uma criança retardada sente o que
o pai ou a mãe fala, por exemplo, palavras de amor, palavras bruscas?” ao que
Chico respondeu:

“Sentem, sentem e ouvem, registram e sabem de que modo estão sendo tratadas,
elas são profundamente lúcidas na intimidade do próprio ser. A criança vem
somente com aqueles que são capazes de amá-la e ajudá-la a passar aquele transe
temporário de treze, vinte, trinta anos; que geralmente os excepcionais
desencarnam muito cedo. Certa feita, uma senhora nos procurou em Uberaba e
disse: eu sou mãe dessa criança excepcional, me sinto uma criatura marga, sofro
muito com isso, o que Emmanuel diz para mim? Ele disse assim: – Minha filha, a
maternidade é um privilégio que DEUS concedeu à mulher; então, toda mulher
desfruta desse privilégio da Providência divina, mas, os filhos excepcionais são
confiados tão somente às grandes mulheres que têm a capacidade de amar até o
infinito.”

Desta entrevista podemos tirar a lição da trajetória do suicida, da sua
disponibilidade ao aperfeiçoamento ter de passar pela excepcionalidade para que
possa realmente seguir adiante em sua caminhada evolutiva. O suicídio voluntário
é uma transgressão da Lei Divina, é o que nos responde o Livro dos Espíritos em
sua questão 944. Mas ressalta bem que o suicídio só é transgressão quando é
cometido por pessoa sã. Ao louco que não sabe o que faz ele não é considerado
como transgressão. As causas ao suicídio interferem também e muito,
relativamente à suas expiações. É escusável, por exemplo, o suicídio voluntário
quando é feito por desprendimento em prol de várias pessoas pois não há
culpabilidade pois é levada em consideração a intenção que é a de fazer o bem e
a expiação será sempre proporcional, portanto aquele suicida que tem a intenção
do bem terá atenuada a sua expiação.

Estamos pois neste planeta de expiações e provas, seguindo nossa jornada
evolutiva, com resignação amor e caridade. Ao excepcional podemos sempre
manifestar compreensão, carinho e dedicar um pouco de nós mesmo a à eles. Porque
isto? Porque é uma caridade ao espírito que alí se encontra ouvindo e
compreendendo tudo e ao Pai nada escapa. Se já se lhes são impostas penas tão
dolorosas, porque não atenuá-las com nosso amor? Como disse Chico em sua
entrevista, Deus só confia a criança excepcional às grandes mulheres, pois estas
serão capazes e terão força e fé suficiente para saber e poder seguir a
trajetória evolutiva, dela e daquele ser que dela depende dando oportunidade de
promover o auxílio paciente, o crescimento.

Procuramos ver e fazer ver a incompreensível “razão” que leva algumas pessoas
a cometerem o suicídio e também a compreensão de que nada vale a fuga da matéria
pois ela é invólucro, nossas culpas nos acompanharão sempre e tudo será feito na
grande espiritualidade para que continuemos nossa trajetória evolutiva e se o
cometimento do suicídio é para fugir de uma falta grave ou vergonha, junte-se a
ela a falta maior ainda que é o suicídio e em vez de precisarmos, na próxima
encarnação, espiarmos uma falta teremos duas, sendo a do suicídio muito mais
grave.

Tem gente que se desespera, que se entrega a derrota antes mesmo de lutar, de
tentar soerguer, e se candidata ao suicídio. À estes precisamos alertar, gritar
mesmo em seus corações: Todo o mal que fomos capazes de fazer, temos que confiar
que teremos força para superá-lo pois pior que um mal praticado é a prática de
dois erros. Ao Espírita cabe a missão de “fazer conhecer” os ensinamentos do
Espiritismo para que em próximas encarnações tenhamos menos criaturas expiando
faltas de suicidas pois aquele que crê e pratica a Doutrina Espírita jamais se
renderá ao suicídio pois ele compreende que o espírito segue adiante e de nada
vale fugir da matéria e dificultar seu progresso espiritual.

(Publicado no Boletim GEAE Número 307 de 25 de agosto de 1998)

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