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O Jovem na Casa Espírita

O Jovem na Casa Espírita

Conscientes de que o assunto apresenta outros aspectos que necessitam de
ser analisados, registramos que o tema da presença do jovem na casa espírita
precisa de ser tratado de forma aberta, sem que nos deixemos levar pelo excesso
de considerar os jovens tão imprescindíveis, tão capazes, pelo simples facto de
serem jovens, que podem substituir e dispensar os adultos ou, por outro lado,
tão complexos, metediços e inconvenientes que o melhor será que os adultos se
livrem deles.

A ideia de juventude normalmente está relacionada com energia vital, força,
capacidade de realização, promessa de melhor porvir…

A juventude, no corpo físico, é uma etapa de um processo que começou com a
concepção e seguirá o seu rumo, terminando com a morte do veículo que serve de
manifestação para a realidade transcendente, o ser pensante, ou seja, o
espírito.

Madureza, sendo quase sempre sinónimo de experiência; capacidade para
dirigir, orientar, coordenar… representa um passo a mais dentro do mesmo
processo. Nessa etapa, o mesmo espírito já deve ter adquirido mais condições de
aproveitar a oportunidade que recebeu para chegar aos resultados almejados e que
foram, muitas vezes, planificados antes do início de sua ligação com o corpo
somático.

Na verdade, não existe uma cisão entre uma etapa e outra desse processo.
Manda o bom senso que o espírito, espírita, encare essa realidade de forma
diferente do comum das pessoas. Se o espírita se dedica a estudar o espiritismo
com afinco e verdadeiro interesse, já deve ter-se dado conta de que não é
possível crescer, fazer-se maior, superar-se, desenvolver-se, ser feliz sem
solidariedade, sem fraternidade, cooperação, dedicação ao crescimento e ao bem
dos demais, enfim, sem o amor ao qual se referiu Jesus.

Lógico é que se conhecemos um pouco de psicologia ou se somos educadores, não
podemos ignorar a realidade de que o espírito reencarnado sofre as limitações da
matéria; e, por isso, apresenta características e necessidades muito peculiares
em cada uma das etapas do desenvolvimento do seu corpo físico. Aliás, nem é
necessário ser psicólogo ou educador para saber disso. Ao estudar «O Livro dos
Espíritos», encontramos na questão 368 a seguinte afirmação: «o exercício das
faculdades (do espírito) depende dos órgãos que lhes servem de instrumento.
(…)»; e na 369: «os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades
da alma, manifestação que se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de
perfeição dos órgãos…».

No corpo de uma criança, os órgãos ainda estão em desenvolvimento e o
espírito ainda está em fase de adaptação à matéria. A sua condição de
entendimento e compreensão das coisas é limitada, devendo receber as informações
em linguagem e em dosagens adequadas à sua capacidade.

No período da adolescência, conforme nos informa o livro já citado, na
questão 385: «… o espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra
qual era (…)». Ou seja, quando está a passar ou a sair da adolescência, o
espírito depara-se com a sua realidade íntima, com o que ele foi antes de
reencarnar. Toda essa bagagem multissecular entra em confronto com as
informações e a educação que recebeu desde que se iniciou a sua actual
reencarnação. Diversas hipóteses podem ser anotadas. Vamos citar apenas algumas:
1. se já havia predominância das qualidades nobres, e se recebeu boa educação no
actual estágio, será mais fácil para o espírito que seguirá naturalmente a sua
marcha no rumo do bem; 2. se já havia conquistado boas qualidades e recebeu má
educação, poderá prevalecer uma ou outra coisa, sendo mais provável que o
espírito siga a sua tendência para o bem, apesar das dificuldades do meio; 3. se
prevaleciam nele as imperfeições e recebeu boa educação e influências positivas,
será viável corrigir-se e seguir pela boa luta no sentido do seu
aperfeiçoamento, principalmente se continuar a ser assistido por pessoas amigas
e que o amem. No entanto, pode também decidir ignorar o bem que recebeu e
entregar-se às suas más tendências, arcando com as consequências de sua opção;
4. se estava entregue ao equívoco e recebeu má orientação nesta encarnação,
dificilmente encontrará o bom caminho, passando pela vida infeliz e deslocado,
causando mal para outros e para si mesmo.

Diante de tudo isso, compreendemos que a sabedoria divina nos posiciona na
vida em situações de interdependência para que aprendamos a ser solidários uns
com os outros. No caso, os adultos necessitam saber apoiar e estimular os jovens
e estes precisam aprender a respeitar e aproveitar as experiências dos que
viveram mais e, na maioria das vezes, já assumiram maiores responsabilidades.

Evidentemente as situações da vida são complexas e muitas vezes exigem
esforço e verdadeira dedicação para serem solucionadas de forma favorável e
positiva para todos.

Dentro dessa complexidade, observamos que a autoridade não implica
necessariamente questão de idade, mas sim de preparação e maturidade do ser. É
por isso que vemos jovens assumindo responsabilidades que muitos adultos não
assumirão na actual reencarnação. Logicamente, neste caso, não podemos ignorar
que também conta a programação que o espírito fez antes de voltar à vida física.

Conscientes de que o assunto apresenta ainda outros aspectos que necessitam
de ser analisados, registamos que o tema da presença do jovem na casa espírita
precisa de ser tratado de forma consciente e aberta, sem que nos deixemos levar
pelo excesso de considerar os jovens tão imprescindíveis, tão capazes, pelo
simples facto de serem jovens, que podem substituir e dispensar os adultos ou,
por outro lado, tão complexos e difíceis, metediços e inconvenientes que o
melhor será que os adultos se livrem deles.

Cada pessoa que se liga a uma instituição espírita pode ter o seu papel, uma
tarefa a desempenhar. De todos será exigida a disciplina, sem a qual não é
possível a continuidade do trabalho. A todos se solicitará colaboração para o
desenvolvimento das tarefas, cada um de acordo com as suas aptidões e
possibilidades. Normalmente, a todos se dará igual oportunidade de estudar e
participar na casa, sem importar excessivamente a idade que possuam. O que
verdadeiramente importa é saber se a pessoa a quem se vai atribuir uma
responsabilidade está habilitada, tem condições e preparação para assumi-la ou
se, no mínimo, demonstra interesse e capacidade para aprender.

Quando a instituição, por ser demasiado fechada, não admite novos
colaboradores, chegará um momento em que terá que mudar ou fechar as suas
portas, porque pela lei natural todos desencarnam um dia. Os dirigentes, que
estão atentos a essa realidade, se não o faziam antes, começam a trabalhar em
equipa, deixando de assumir todos os papéis e tarefas, dividindo as suas
responsabilidades para dar hipótese a outros de aprenderem a servir também, ao
mesmo tempo que estimulam os seus colaboradores directos para que também
exercitem a divisão do trabalho e a formação de novos cooperadores.

Já o jovem espírita, estudioso e atento às oportunidades de convivência, será
paciente e diligente, dando a si mesmo tempo para observar e analisar como
trabalham os que se responsabilizam pelos destinos da instituição. Assim, na
cooperação activa e disciplinada, aprenderá das experiências dos demais para
planear e executar novos projectos baseados nas realizações anteriores, buscando
não repetir erros e evitando cometer outros por falta de observação, paciência e
humildade.

Regra geral é que quase todos os trabalhos de um centro espírita podem ser
desenvolvidos conjuntamente por adultos e jovens. No entanto, e apesar de
poderem estar juntos numa reunião pública por exemplo, sempre será necessário
manter reuniões específicas de estudo para atender a cada faixa etária. Essa
divisão para o estudo possibilitará a compreensão e apreensão gradual dos
conceitos doutrinários, dando condições ao espírito de ir assumindo
responsabilidades de acordo com o seu grau de maturidade e capacidade de
realização.

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