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O Pai Nosso Pode Ser Usado no Centro Espírita?

O Pai Nosso Pode Ser Usado no Centro Espírita?

No movimento espírita existem algumas personalidades
avessas à religião, geralmente articulistas da imprensa espírita, que abominam a
palavra “prece” ou “oração”. Se, numa visita que fizerem a um centro espírita,
assistirem o dirigente proferir uma prece de Pai Nosso frente ao público, logo
ficam escandalizados. São os nossos espíritas de tendências materialistas,
aqueles que vivem defendendo a idéia de que o Espiritismo não é religião e que o
centro espírita não é um templo. Bem, respeitemos essas opiniões, porém, não
deixemos de defender as nossas.

A prece ou oração é o ato de se pronunciar um conjunto de palavras que
predispõe ao contato com a Divindade ou seus prepostos, os Espíritos. Todos nós
que trabalhamos nos centros espíritas estamos habituados à oração. Fazemos a
prece para abrirmos uma sessão prática ou de estudos do Espiritismo. Realizamos
outra para encerrar nossas atividades e estamos muito certos em faze-lo. Os
Espíritos superiores recomendaram a prece como forma de preparo do ambiente onde
vamos realizar atividades doutrinárias.

Podemos utilizar o Pai Nosso nos trabalhos? Sim, podemos. Devemos somente
evitar o uso de preces feitas por outras crenças. Não porque não mereçam nossa
admiração, mas porque podem despertar em algumas mentes os hábitos ligados ao
passado religioso. É o caso da Ave Maria, mesmo trocando a frase “Mãe de Deus”
por “Mãe de Jesus”. A Ave Maria é uma prece bonita, porém, católica. O
Espiritismo não segue a doutrina católica e sim a doutrina espírita,
conseqüência do desdobramento do Cristianismo. Jesus de Nazaré, o Cristo,
deixou-nos preciosas instruções de como deveríamos proceder para entregarmo-nos
à prece (veja seus ensinamentos no Evangelho de Mateus, Capítulo 6, versículos
de 5 a 13).

Trata-se, pois, da única prece deixada diretamente por Ele. Por que não
deveríamos utilizá-la nas sessões públicas, nos trabalhos práticos ou em nosso
recolhimento pessoal? Não há qualquer motivo racional para isso. Uns dizem que é
“coisa de igreja”. Mas antes de ser da Igreja, ela é do Cristo. O Evangelho
também está na Igreja, no entanto, serve de base para a moral espírita. Parece
que o problema é mais no plano do preconceito. Alguns espíritas contrários à
religião imputam à Igreja todo atraso da humanidade e por isso não gostam de
nada que a lembre.

O verdadeiro espírita não deve se prender a este tipo preocupação. Pode e
deve utilizar o Pai Nosso como uma oração de apoio às suas atividades mediúnicas
e seu equilíbrio pessoal. Veja na matéria abaixo, assinada por José Herculano
Pires, algumas razões justas para você utilizá-lo.

Como o Pai Nosso deve ser empregado no centro espírita? Bem, ainda aqui
devemos utilizar o bom senso. Jesus instruiu-nos que a prece é um ato interior
de louvação, que ela nada tem de exterior. Deduzimos assim, que não é preciso
orarmos em voz alta. Temos visto alguns expositores ou dirigentes espírita
usarem de uma fórmula que, a nosso ver, é bastante sensata. Convidam o povo à
prece, dizendo: Pai Nosso… e põem-se em silêncio para que todos dêem
continuidade somente no plano mental. Eis uma forma inteligente de se
realizá-la, sem que se produza aquela barulhenta ladainha, comum a outros
credos.

O dirigente poderá ainda realizar a prece segundo sua própria inspiração e
depois finalizá-la com o Pai Nosso. Sabe-se que esta oração, por estar conosco
há quase dois mil anos, exerce poderosa influência no psiquismo das pessoas e
dos Espíritos. Não devemos nos deixar levar por preconceitos.

O Espiritismo não é uma religião, mas uma doutrina que tem seu lado
religioso. É ele que faz o homem transcender o aspecto material da vida para
encontrar-se com Deus na sua intimidade. Só a meditação e a prece atraem o
espírito de coragem e ânimo para se enfrentar a vida.

VEJA O QUE HERCULANO PIRES DIZ SOBRE O ASSUNTO

Uma sessão espírita começa geralmente pela prece do Pai Nosso, dita por uma
pessoa, com acompanhamento apenas mental da assistência. Onde se usa o
acompanhamento oral, em tom de ladainha, está evidente a influência de religiões
de origem do dirigente, ou dirigentes.

Um observador estranho, que a assiste pela primeira vez, acha que o
Espiritismo não passa de uma seita cristã e ingênua. Mas um espírita conhecedor
da doutrina poderá explicar-lhe a razão do fato.

A prece do Pai Nosso não tem nenhuma influência mágica especial. Tem apenas,
a seu favor, o fato de figurar nos Evangelhos como prece ensinada pelo Cristo, o
que a transformou numa prece tradicional e obrigatória em todo o Cristianismo.
Ela não é imantada por nenhum poder misterioso, mas tem a carga emotiva de uma
tradição de dois mil anos.

A semelhança do soneto, que na poesia resiste a todas as inovações, o Pai
Nosso tornou-se uma forma psico-emotiva, uma estrutura oral introjetada no
inconsciente cristão coletivo. A introjeção técnica da Psicanálise, corresponde
a uma absorção emotiva realizada pelo inconsciente. A forma ou emoção assim
absorvida permanece no inconsciente como uma espécie de arquétipo correspondente
a exigências psicológicas ou espirituais da espécie humana.

Nas sessões espíritas há duas realidades que devem ser levadas em conta: a
presença humana material e a presença humana espiritual. Espíritos encarnados e
desencarnados mostram-se sensíveis à prece do Pai Nosso, que lhes dá maior
confiança e segurança no decorrer dos trabalhos mediúnicos. A prece não é dita
apenas por formalismo ou superstição. Há um motivo psicológico e espiritual para
essa prática marcar o início e o fim das sessões. Muitas entidades espirituais
perturbadas se acalmam ao ouvi-la e o clima da sessão se torna mais favorável
aos resultados esperados.

O dirigente, declarando iniciados os trabalhos mediúnicos, pede a todos os
presentes que elevem o seu pensamento a Jesus. Outro motivo de escândalo para o
observador leigo. Mas a figura de Jesus é também um arquétipo, uma forma
introjetada. A concentração mental que favorece o clima de recolhimento (um dos
ingredientes da sessão) exige que todos dirijam o seu pensamento para um alvo
superior.

Pensar em Deus é mais difícil, pois a maioria pensaria apenas numa palavra. A
concentração não é individual, mas coletiva. Todos os presentes pensando em
Jesus, o pensamento de todos se concentra numa idéia definida e respeitada por
todos. Não se trata também de uma fixação mental da figura de Jesus.

Os dirigentes avisados explicam que ninguém deve fixar uma imagem, pois isso
exigiria esforço mental cansativo, tensão mental contrária ao fim desejado, que
é a criação e manutenção de um ambiente fluídico, ou seja, de vibrações serenas
e estimuladoras. Trata-se de uma técnica psicológica de resultados espirituais.

Na doutrinação (esclarecimento dos Espíritos perturbados, que perturbam
pessoas presentes ou ausentes) o nome de Jesus e os seus ensinos serão
constantemente lembrados, não por formalismo, mas porque essas lembranças tocam
a sensibilidade dos Espíritos. A doutrinação não é uma imposição, não tem a
violência das práticas assustadoras do exorcismo. Trata-se de uma técnica
persuasiva, tipicamente psicológica, visando desviar a mente dos Espíritos
doutrinados das idéias fixas a que se apegam obstinadamente.

Desviada a orientação mental das imantações ao ódio, à vingança, à
perversidade, ou mesmo a intenções sectárias e fanáticas, ou ainda às lembranças
da vida que se findou, à lembrança do corpo já transformado em cadáver, a mente
do Espírito se torna acessível às renovações necessárias que o levarão à
normalidade.

Esses problemas não são compreendidos até mesmo, às vezes, por antigos
adeptos e praticantes da doutrina. Kardec os explicou reiteradamente, mas muitos
espíritas preferem a leitura de livros fantasiosos aos de doutrina e
particularmente do Livro dos Médiuns, indispensável a todos os que exercem
funções doutrinárias ou mediúnicas.

Além disso, o estudo doutrinário exige ponderação, reflexão, desejo
verdadeiro de penetrar na problemática espírita para compreender, não apenas
este ou aquele ponto, mas a profundidade da doutrina, suas implicações com a
cultura do nosso tempo e as perspectivas imensas que abre para o futuro humano.
Sem esse interesse encarado com dedicação e humildade, os estudantes passam pela
doutrina como gatos sobre brasas, saindo apenas chamuscados e, o que é pior,
convencidos de que dominaram o assunto.

O QUE KARDEC PENSAVA SOBRE O ASSUNTO

Os Espíritos recomendaram que abríssemos a coletânea de preces com a Oração
Dominical (Pai Nosso), não somente como prece, mas também como símbolo. De todas
as preces, é a que eles consideram em primeiro lugar, seja porque nos vem do
próprio Jesus, seja porque ela pode substituir a todas as outras, conforme a
intenção que se lhe atribua. É o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira
obra prima de sublimidade, na sua simplicidade. Com efeito, na sua forma mais
reduzida, ela consegue resumir todos os deveres do homem para com Deus, para
consigo mesmo e para com o próximo. Encerra ainda uma profissão de fé, um ato de
oração e submissão, o pedido das coisas necessárias à vida terrena e o princípio
da caridade.

Entretanto, em razão mesmo de sua brevidade, o sentido profundo que algumas
das suas palavras encerram escapa à maioria. Isso porque geralmente a proferem
sem pensar no sentido de cada uma de suas frases. Proferem-na como uma fórmula,
cuja eficácia é proporcional ao número de vezes que for repetida. Esse número é
quase sempre cabalístico: o três, o sete, ou o nove, em virtude da antiga crença
supersticiosa no poder dos números, e do seu uso nas práticas mágicas.

Para preencher o vazio que a concisão desta prece nos deixa ajuntamos a cada
uma de suas proposições, segundo o conselho e assistência dos Bons Espíritos, um
comentário que lhes esclarece o sentido e as aplicações. De acordo com o tempo
que se disponha, pode-se pois dizer a Oração Dominical em sua forma simples ou
desenvolvida – (Allan Kardec, Evangelho Segundo o Espiritismo, 28:2).

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