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O Que São Nossas Paixões

O Que São Nossas Paixões

“A paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um
sentimento e esse exagero se torna mau quando tem por conseqüência algum mal”.

Por que isso acontece?

É uma reminiscência da natureza animal que ainda predomina no homem.

Agir sob o império e domínio de um estado passional é agir cega e
descontroladamente o que conduz a tormentos inimagináveis, escravizando,
dilacerando os sentimentos mais nobres,

Nesse aspecto veremos:

  • o homem apaixonado pela bebida, abandona o trabalho, as aspirações nobres,
    bebe mais e mais, mantém-se caído, passa o tempo, a vida semi-hebetado.
  • o apaixonado pelo jogo, noites e dias a frente de cartas, dados, roletas,
    galos, cavalos, etc. sem perceber o mundo, sem notar familiares, lar,
    amizades, amor.
  • o apaixonado pelo dinheiro, priva-se até do mínimo necessário para ter
    mais, guardar e amontoar mais.

Vivem enfim, em função do objeto da sua paixão, sofrendo horrivelmente, caso
perceba algum empecilho que atrapalhe, interfira nas buscas desenfreadas. É um
estado mórbido, onde a satisfação, a plenitude, o estar bem nunca é alcançado.

Paixão não se satisfaz – quer, exige, necessita – usa de todos os meios e
nunca se plenifica, se sente alimentada.

Desejos sensuais, gozos de sensações exaltados, posse, poder, prestígio
constituem-se de modo geral como as mais comuns, que prendendo o ser, ata-o aos
aspectos materiais da vida.

No momento atual apresenta como o grande desafio, inimigo mesmo desse homem
que se embrutece, nada se permitindo ver, perceber, além do círculo fechado em
que a sua paixão o retém.

E no entanto, que paradoxo! O princípio da paixão é natural, necessário, uma
vez que usado na sua real função e objetivo, conduz o homem, a humanidade a
grandes realizações. Incentiva, dá colorido, luz, vibração, estímulo para
prosseguir.

Funcionam aí como alavancas que decuplicam as forças desse homem que cumpre
assim, nesse crescer, os desígnios da Providência.

Nesse aspecto, necessário despertar também aí para dirigi-las pela razão, na
vontade disciplinada, nos objetivos elevados. Transformar-se-á então em força
motriz que colore a vida em elevação e beleza.

Nos dois casos é ela comparada a cavalo que marcha por estrada ladeada por
barrancos e precipícios.

O animal trotará bem, se contido pelo freio, guiado pelas rédeas de cavaleiro
firme e experiente, percebe-se dirigido. Se porém, não achar essa condição, como
os freios nos dentes, desabalará em corrida, deixará a estrada e, sem dúvida,
sobrevirá o desastre, a fuga dos objetivos, cansada pela incapacidade de direção
e governo daquele que monta.

Se as coerências da razão não indicarem limites, objetivos justos, maiores,
ideais, crescimento, superação, teremos o Homem fraco, que dominado perde os
próprios limites, na indignidade das ações que passa a realizar e viver,
prejudicando tantos quantos com quem convive. agregando em si, os desequilíbrios
que semeia.

Bibliografia:

  • KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – q. 908

(Jornal Verdade e Luz Nº 192 Janeiro de 2002)

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