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Períodos do Espiritismo

Períodos do Espiritismo

Refere-se Kardec a sucessivos períodos que seriam experimentados pelo
Espiritismo, desde que se fizeram notados, com grande intensidade, os fenômenos
e manifestações provocados pelos Espíritos no mundo dos encarnados: o período
da curiosidade, o filosófico, o da luta, o religioso, o intermediário e o da
regeneração social.

Esse curioso estudo do Codificador foi publicado pela “Revista Espirita”, no
número de dezembro de 1863, fazendo-se acompanhar de duas longas mensagens
mediúnicas do Espirito Erasto, recebidas em 14 de agosto e 25 de fevereiro
daquele ano, ilustrativas de que o Movimento Espirita estava vivendo o período
de lutas, terceiro estágio da classificação. (“Revista Espirita”—1863 —páginas
377 a 386—Edicel.)

O período da curiosidade corresponde à época das mesas girantes, com
toda a fenomenologia que por alguns anos entreteve a curiosidade nos salões da
Europa.

O filosófico marcado pela publicação de “O Livro dos Espíritos. Nele
estão definidos os postulados da novel doutrina. Abrem-se horizontes infinitos
com esse livro na realidade muito mais que um livro, uma vez que nele há
revelações de caráter transcendente para toda a Humanidade. Síntese filosófica
dos ensinos dos Espíritos, essa obra estava destinada a renovar a Fé, não a
destrui-la, oferecendo solução aos problemas do Ser. entrevistos pelas demais
filosofias. Por isso encontraria fatalmente opositores, especialmente os
interessados na permanência e predominância das idéias até então vigentes. E
como toda idéia nova, verdadeiramente grandiosa, contraria interesses assentes e
dominantes, o Espiritismo, como doutrina revolucionária — no sentido de revelar
coisas novas, cedo seria combatido, contrariado, perseguido, espezinhado,
ridicularizado.

Começa então o período que Kardec denomina da luta, assinalado inicialmente
pelo Auto-de-fé de Barcelona, a 9 de outubro de 1861.

“Foi dada a palavra de ordem: sermões furibundos, mandamentos, anátemas,
excomunhões, perseguições individuais, livros, brochuras, artigos de jornais,
nada foi poupado, nem mesmo a calúnia. estamos, pois, em pleno período de luta,
mas este não terminou.”

São palavras do mestre de Lyon, ao sentir o peso dos ataques desencadeados
pelos inimigos ferrenhos das novas idéias de que se fizera arauto.

Entretanto o missionário não cederia, nem desanimaria diante dos ataques.
Pelo contrário, mantinha-se firme na estacada, prevenindo-se contra novos
métodos e táticas dos adversários, ao mesmo tempo que procurava levantar o ânimo
dos espiritas.

É no Evangelho de Jesus que vai buscar o animo para si e para os seguidores
da Doutrina, concitando-os a se lembrarem desta passagem evangélica:
“Felizes os que sofrem perseguição por amor à justiça, porque deles é o reino
dos céus. Sereis felizes quando os homens vos carregarem da maldições e voa
perseguirem e falsamente disserem todo mal contra vós por minha causa.
Rejubila-vos então e tremei de alegria, porque uma grande recompensa voa está
reservada nos céus. Porque assim eles perseguiram os profetas que vieram antes
de vós.” (Mateus, 5:10-12.)

Na previsão do Codificador, ao período da luta, então experimentada,
sucederia o período religioso. Depois viria o intermediário e,
finalmente, o da regeneração social.

As mensagens assinadas por Erasto mostram a necessidade das lutas, convocando
os espiritas a se unirem, para que o inimigo encontre fileiras compactas e
cerradas. Sua palavra de ordem é coragem e perseverança. Na segunda, datada de
25 de fevereiro de 1863, o antigo discípulo de Paulo de Tarso mostra a
interferência do mundo espiritual inferior contra o Espiritismo. Médiuns
despreparados e criaturas influenciáveis prestam-se à intermediação para que os
hábeis inimigos desencarnados estabeleçam os conflitos prejudiciais ao
Movimento.

São peças que merecem relidas e meditadas em nossos dias, tais os conceitos e
verdades que encerram, alertando-nos contra os adversários de fora e de dentro
do Movimento Espirita e contra os perigos da invigilância.

Comentando o estudo do Codificador, ora focalizado, o livro “Allan Kardec”,
vol. III, p. 98, de Zêus Wantuill e Francisco Thiesen assim se expressa:

“Na colocação dessas fases do Movimento Espírita não deixa dúvida que o
missionário foi altamente Inspirado pelo Espirito da Verdade, mas cremos que ele
Kardec, apressou-se, por conta própria, em fixar o tampo para cada um dos
períodos. Aliás, quando Jesus anunciou a vinda do Consolador, também julgaram
que tal acontecimento se daria num tempo bem próximo àquela época, achando
alguns que a promessa se cumprira no dia de Pentecostes. No entanto, só no
século XIX, ele, o Consolador prometido, desceria até nós, para restabelecer e
explicar-nos todas as coisas.

Na verdades, estamos agora vivendo o período religioso do Espiritismo,
máxima no Brasil, onde, faz mais de cem anos, “os verdadeiros espiritas, ou
melhor, os espiritas cristãos”, o têm apresentado qual ele é, na sua mensagem
cristã e renovadora do espirito humano.

Talvez já se avizinhe o período intermediário, que será, como esclarece o
Codificador, “conseqüência natural do precedente”, e, a nosso ver, deverá levar
o homem a um novo passo no conhecimento de si mesmo e do chamado mundo
invisível, a evidenciar para materialistas e negativistas empedernidos o
principio fundamental em torno do qual gira o nosso destino: Deus e a
imortalidade da alma.”

De fato, tendo vivido as três primeiras fases do Espiritismo e adentrado no
quarto período, o religioso, Kardec pôde caracterizá-lo e situá-los no tempo. Já
no que concerne ao religioso, que se desdobra até nossos dias, continuará ele
por tempo indefinido, até que, como força atuante sobre a Humanidade, ou grande
parte dela, consiga transformá-la moral e espiritualmente. Só então estariam
sendo alcançados os períodos intermediário e de regeneração social, situados
pelo Codificador em pleno século XX, quando esperava que todos os obstáculos à
nova ordem de coisas houvessem desaparecido.

Uma observação se impõe, hoje, quando a Doutrina dos Espíritos, superando
todas as dificuldades próprias de um mundo material atrasado, como o nosso,
permanece integra na sua marcha pelo 11 século de uma nova era—as fases ou
períodos previstos não são estanques, ou exclusivos, vale dizer, qualquer deles
pode coexistir com os demais, enquanto se vai elaborando a grande transformação
espiritual da Terra, sabidamente lenta. Isto se torna mais compreensível quando
se atenta para o fato de que nem todos os adeptos se encontram no mesmo estágio
de entendimento e de vivência da Doutrina. Podemos perceber, dentro da
perspectiva que nos oferece a comunidade de adeptos e simpatizantes, profunda
diversidade de situações individuais e de grupos. Enquanto muitos permanecem
ávidos por vivenciar ou presenciar a variada fenomenologia proporcionada pelos
Espíritos, situando-se na primeira fase, outros tantos interessam-se pelo
aspecto filosófico, esclarecedor, por excelência, das milenárias indagações do
gênero humano, ou pélas pesquisas cientificas intimamente ligadas ao
Espiritismo.

No Brasil, especialmente, sem prejuízo dos demais aspectos da Doutrina, é
inegável a inclinação da imensa maioria dos adeptos pelas consolações que ela
proporciona, dando à Fé uma nova dimensão, conciliando-a com a Razão. É a
Religião, como expressão atualizada da Mensagem Eterna do Cristo, revivida no
Consolador.

De outro lado, não será necessário grande esforço para identificar a
influência, direta ou indireta, dos princípios enfeixados por Kardec no corpo
doutrinário da chamada Terceira Revelação, sobre as sociedades humanas.
Inclusive as religiões tradicionais, ditas cristãs, vão recebendo, quase
imperceptivelmente, o benéfico influxo do Consolador no Mundo. A Lei do
Progresso se faz presente em toda parte, mesmo a contragosto dos que se apegam
encarniçadamente aos conceitos e preconceitos estratificados. A desencarnação e
a reencarnação são poderosos meios de transformação dos Espíritos, por mais que
se mostrem rebeldes.

As ciências sociais e humanas, as ciências morais, naturais e normativas,
todo o conjunto de conhecimentos do homem já está recebendo a influenciação
benéfica, porque o Espiritismo age, independentemente de sua ação direta sobre
as criaturas, semelhantemente ao fermento na massa: dissolve-se, torna-se
invisível mas faz-se presente através da fermentação. É a força da Verdade,
tantas vezes abafada, reprimida, mas ressurgindo sempre, porque é eterna.

Por isso os dois últimos períodos pressentidos por Kardec já estão sendo
vividos no vasto campo da experiência humana, talvez incipientemente por ora;
todavia a força do Espiritismo se ampliará continuamente, na medida e na
proporção do progresso espiritual lento, mas contínuo da Humanidade

Simultaneamente, as lutas continuarão, as fileiras dos simpatizantes
ampliar-se-ão, os adeptos agrupar-se-ão nas diversas províncias do Espiritismo,
de conformidade com a capacidade de compreensão e da faixa evolutiva em que cada
um se encontre.

Numa visão global do nosso mundo, campo de ação da bendita Doutrina dos
Espíritos, ela jamais perderá o sentido de Unidade dentro da diversidade de
situações, tal como ocorre com o vero Cristianismo.

Os que têm olhos abertos não podem perder de vista a planificação geral, que
não é dos homens, mas do Alto.

A cada espirita sincero, aprendiz das verdades eternas, com a
responsabilidade enorme que lhe traz o conhecimento, compete incorporar-se às
fileiras dos que se colocam a serviço do Bem, na obra de regeneração da
Humanidade, superiormente dirigida pelo Cristo de Deus.

O Mundo vive uma terrível hora de transição. de sofrimentos e de
inquietações, atingindo-nos a todos. Em compensação, nas hostes espiritistas já
existe a consciência de que soou a hora da grande arrancada para a Fraternidade,
para a Compreensão, para o Amor entre os homens.

TEMPO DE TRANSIÇÃO – Juvanir B de Souza

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