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Prática Mediúnica

Prática Mediúnica

Com a excelência das técnicas modernas de comunicação, os noticiários
espíritas conseguem penetrar nos mais recônditos ambientes, impressionando tanto
pela lógica do arrazoado como pela comprovação através dos fatos espontâneos.

Sendo muito espalhada a mediunidade entre as criaturas, evidencia-se logo a
necessidade de um tratamento adequado para com os médiuns.Muitas pessoas gostam
de lidar com os problemas fenômenicos, mas não se abalançam para ombrear com os
confrades nos mourejamentos diuturnos dos Centros Espíritas.Talvez porque
existam muitos distúrbios diretivos; talvez porque muitos líderes se julguem e
ajam como se fossem os donos da Instituição; talvez porque lá existam problemas
de ciúmes e despeitos a se extravasarem claros e dominantes; talvez porque a
opinião pública faça mau juízo dos freqüentadores dos núcleos oficiais; talvez
porque a própria família possa não entender muito bem uma prática declarada;
talvez, ainda, porque fosse muito elegante lidar com os fatos, apenas, sem um
compromisso mais profundo…O certo, é, que há um grande contingente de
simpatizantes do Espiritismo , que não freqüenta os Centros, ainda que sintam
tal necessidade..E como não podem deixar de atuar, aliviando a própria situação,
elaboram seus próprios trabalhos práticos em casa.É sobre estes que versa a
nossa análise de hoje.

Em primeiro lugar está a própria irrelevância motivante da não freqüência aos
Centros o que justifica dizer-se que não se deve fazer sessão mediúnica em
casa.Os Centros são obras assistenciais do mais subido valor.A Doutrina Espírita
aplicada constitui um dos maiores benefícios que se possa fazer a alguém e é nos
Centros que ela se concentra para arremessar-se às multidões.O simples apoio ao
Centro já é, portanto, uma utilidade que se presta, e, conseqüentemente, o não
apoio passa a ser um mal, por ausência de bem.

As sessões mediúnicas em casa trazem uma série de inconvenientes que importa
considerar:

  1. O desconforto material ofertado aos presentes, constantemente mal
    acomodados, em locais improvisados e de trânsito difícil.
  2. A falta de adequação geográfica determina uma conveniência de encerramento
    rápido dos trabalhos, impedindo estudos competentes.
  3. Além disso, as pessoas mais conhecedoras da D.E. nunca estão presentes,
    ocupadas que se acham em trabalhos doutrinários nos Centros que as reclamam e
    jamais dispensam.Assim, as sessões caseiras não estão, em regra, orientadas
    por pessoas informadas.
  4. A execução do trabalho traz para o lar um conjunto de Espíritos infelizes,
    enfermos e perturbados à procura de uma solução para os seus males.Estas
    soluções, mesmo que existam, nunca são tão rápidas, levando-os, portanto, a
    permanecerem no local, à espera.Já se vê a inconveniência de transformar-se o
    lar, constantemente com crianças, em ponto de estacionamento para Espíritos
    sofredores e, não raro, perversos.Por mais que compareçam Espíritos bons, que
    se proponham a ajudar, as leis de tratamento nunca são feitas em base de
    violência e choque de opiniões.Impera o merecimento e o desmerecimento.Se a
    sessão já começara com um motivo inglório, não conseguirá benefícios de
    exceção para desfazer as conseqüências negativas filhas da invigilância.
  5. As emanações mentais enfermiças dos Espíritos infelizes podem impregnar os
    locais de residência, incidindo sobre pessoas, muitas vezes despreparadas, com
    prejuízos não previstos.
  6. A oferta da residência para visitas constantes de Espíritos desordeiros e
    malfeitores pode tornar-se um hábito perigoso e esses Espíritos sempre
    comparecem em trabalhos mediúnicos não pautados pelos moldes ilibados de moral
    e produtividade.E quem de nós pode jactar-se de conviver numa atmosfera de
    alta moralidade?
  7. A exemplificação negativa que as sessões caseiras trazem, já não
    encaminhando os iniciantes aos Centros para os testemunhos mais sérios, já
    competindo com as próprias células legais, enquanto deixam de ministrar ensino
    correto da Doutrina Espírita.
  8. O prejuízo ao Movimento Espírita local é incalculável, quando existem
    muitas residências que fazem as sessões próprias.Faltando força ao Movimento
    não haverá promoções doutrinárias de valor, tais como semanas
    espíritas,concentrações de juventude, campanhas de livros espíritas e muitas
    outras, que divulgam os benefícios da crença ao mesmo tempo que motivam e
    encorajam a procura e interesse pela Doutrina.
  9. A afirmação do menor esforço é um outro ponto negativo.É claro que vai
    surgir o vicio de procurar-se um atalho para quaisquer soluções desejáveis.
  10. A rudimentaridade dos conceitos e práticas atuando como fator de
    estacionamento na fase inicial do conhecimento, já seria um bom motivo para
    preferir-se não freqüentar e não se apoiar em tais sessões.
  11. A situação de residência familiar já não seria um empecilho para as
    Entidades benfeitoras promoverem a presença de aparelhagens e técnicas muito
    conhecidas dos freqüentadores das sessões práticas nos Centros Espíritas?
  12. Um último aspecto a citar-se, diz respeito ao ambiente psíquico da
    sala.Segundo alguns autores, entre eles Torres Pastorino, em seu livro ”
    Técnica da Mediunidade “, a Espiritualidade Maior prepara o local previsto
    para trabalhos práticos com grande antecedência, aplicando técnicas
    espirituais convenientes, para evitar-se um carregamento elétrico prejudicial
    ao melhor aproveitamento da reunião. Coadjuvando estes cuidados os encarnados
    não deveriam entrar nas salas de trabalhos, pelo menos umas três horas antes
    do seu inicio, para não provocar ionizações indesejáveis através do próprio
    movimento de corpos no ar
    .

Agora perguntamos: seria possível isolar completamente um local, em uma casa
residencial?

Com tantos aspectos falhos as sessões caseiras não poderão ofertar soluções
aceitáveis para os problemas psíquicos mais comuns.

Revista “Presença Espírita”.

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